quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Tião morrreu de amor

João Batista de Almeida, mais conhecido com Tião do Violão, ou só Tião, do Bar do Tião, foi uma grande personalidade do samba de Florianópolis.

Tião era um grande cantor, grande violonista e melhor ainda boêmio. E fez história como boêmio. Foram anos vivendo uma boemia para construir a sua história. Anos. Décadas.

Neide Maria Rosa cantando com Tião a acompanhando no violão. Acervo Josué Costa.

Mas, já dizia Clara Nunes, tudo na vida tem fim. E sua vida boemia afora acaba. Afora.

Tião montou um bar na frente da sua casa. Anexo. Assim, ele não precisaria sair de casa para frequentar a boemia.

Foto de internet. Não sei a autoria.

Sua esposa teve grande influência nessa decisão. E é bem possível que não tenha sido uma grande influência, mas uma sugestão/ordem. Porque esposa não pede, manda.

E também, Tião já recebia os amigos em sua casa constantemente. Sua casa já era um ponto de referência para os outros boêmios. Só faltava um CNPJ.

Assim surge o Bar do Tião.

Lá, sua esposa deixava ele ir. Até porque, era só descer a escada da varanda. E até ela ia.

No Bar do Tião, foram mais anos de boemia, construindo uma nova história. Anos. Décadas.

Mas, já dizia Clara Nunes, tudo na vida tem fim. E sua vida boêmia acaba. De vez.

Foto de internet. Não sei a autoria, mas acho que já vi no Diário Catarinense.

Dorival Caymmi dizia que o pescador tem 2 amor: um bem na terra e um bem no mar.

Tião tinha 2 grandes amores em sua vida: a sua esposa e a boemia. Era um triângulo amoroso funcionando com perfeição.

Um dia, o peso dos anos invadiu Tião. O médico o proibiu de ir para o Bar, mesmo sendo anexo a sua casa.

O samba e a boemia continuavam acontecendo no Bar, mas agora sem seu artista principal. Segue o Bar do Tião sem o Tião.

Tião perde 1 dos seus 2 amores. Mas ainda tem sua esposa. Por um tempo.

Alguns meses depois, sua esposa faleceu. E com ela, a outra metade de Tião se vai também.

Em poucos meses Tião perdeu seus 2 grandes amores. Tião não via mais motivos para viver. Poucos meses depois, Tião morreu de amor. Ou da falta dele.

O samba e a boemia continuam acontecendo no Bar, mas agora sem seu artista principal. Segue o Bar do Tião sem o Tião. De vez.

Eis que a Boemia, que tinha 1 grande amor, também se viu só. Não havia mais motivos para ela continuar animando o povo, sendo que ela mesma não estava feliz.

Depois de alguns anos, não décadas, anos, o Bar do Tião cerra suas portas para sempre.

Claro que a boemia continua. Em outro lugar.

Claro que o samba não morreu. Nem morrerá.

Mas aquele cantinho de Florianópolis, aquele portão pequeno de ferro, aquela parede branca sem nenhuma placa, nenhuma pintura indicando que ali existe história, continua lá.

Dizem que ao passar por ali em uma sexta-feira, por volta das 23h, você consegue ouvir acordes de plangentes violões.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Nelson Cavaquinho não pode ser ouvido por crianças

Muitos tipos de artes possuem Classificações Indicativas, como filmes ou peças teatrais.

Isso serve para evitar que crianças tenham acesso a conteúdo sensíveis que possam marcar negativamente a experiência dela para sempre, ou que tenham acesso a conteúdos sexuais, ou conteúdos muito complexos que ela não vai entender bulhufas e vai atrapalhar a experiência dos pais, que terão que explicar para a criança a cada 5 minutos.

É algo importante para nossa sociedade.

Quantas vezes você não ficou bravo(a) porque foi proibido(a) pelos pais de assistir algum filme da Globo, porque a Classificação Indicativa era de 18 anos? Esse exemplo só serve para quem hoje tem mais de 30 anos e tinha 10 na época.

Porém, nunca vi essa Classificação para músicas.

E Nelson Cavaquinho é um exemplo que deveria ter.


Nelson Cavaquinho com pinto na mão.


Nelson Só Para Maiores Cavaquinho não deve ser ouvido por crianças.

Quem ainda não tem um pouco de conhecimento sobre a vida não pode ouvir Nelson Um Caminhão Cheio de Cadáver na Porta de Casa Cavaquinho.

Nelson Melancólico Cavaquinho não é para os fracos.

E aqui, me estendo também a Guilherme de Brito, já que, compondo, eles eram quase 1 só. Inclusive, em um certo momento da vida, eles firmaram um acordo: mesmo que 1 compusesse sozinho, o outro entrava na parceria.


"Tire seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor" é um bom exemplo de música que não deve ser ouvida por crianças. Essa frase em especial é de Guilherme de Brito e, juntos, terminaram o samba.


"Se eu for pensar muito na vida, morro cedo, amor. Meu peito é forte, nele eu tenho acumulado tanta dor. As rugas fizeram residência no meu rosto. Não choro pra ninguém me ver sofrer de desgosto. Eu, que sempre soube esconder a minha mágoa. Nunca ninguém me viu com os olhos rasos d'água. Finjo-me alegre pro meu pranto ninguém ver. Feliz daquele que sabe sofrer."

Eu ouvi essa música quando eu tinha uns 16 anos, e não deveria ter ouvido.

Nenhum adolescente deve pensar em morte. Nenhum adolescente tem acumulado tanta dor assim. Nenhum adolescente tem rugas. Adolescente só deveria chorar de alegria. Não é pra ter mágoas, e se tiver, não deve escondê-las. Adolescente com os olhos rasos d'água só de emoção por ver seu time campeão. Adolescente não tem que fingir alegria, tem que ser alegre de verdade. E o único sofrimento do adolescente devia ser joelho ralado ou nota baixa na escola.


"Se mais uma criança apareceu, se pra felicidade alguém nasceu. Eu sinto que a vida está mentindo, pois nunca vi ninguém nascer sorrindo" não são versos que alguém que ainda está formando a massa encefálica deveria ouvir.

Estudos recentes dizem que o cérebro se desenvolve por completo lá pelos 30 anos.

Então Nelson Cavaquinho não deve ser ouvido por crianças menores de 30 anos, porque esses versos acima são muito pesados, tristes, depressivos. Ouví-los antes dos 30 causa confusão mental, transtorno psicológico.


Nelson Cavaquinho não é para amadores.


"Quando eu passo perto das flores, quase elas dizem-me assim: 'Vá, que amanhã enfeitaremos o seu fim'". Em que situação alguém que mal saiu das fraldas merece ouvir isso?


"Passei a mocidade esperando dar-te um beijo. Sei que agora é tarde, mas matei o meu desejo. É pena que os lábios, gelados como os teus, não sintam o calor que eu conservei nos lábios meus. No teu funeral estais tão fria assim. Ai de mim e dos beijos meus. Eu te esperei, minha querida, mas só te beijei depois da vida."

Essa música talvez seja o maior exemplo que eu posso trazer. Como que alguém ainda formando seu caráter, sua índole, pode ouvir isso e continuar sua vida normalmente?

Isso que eu só falei das letras.

Mas as melodias também contam histórias. Melodias também tocam a gente, também emocionam.

E as melodias de Nelson Cavaquinho, tal qual suas letras, também não são para crianças. Elas não tem capacidade de entender.


Peço encarecidamente a você: retire as crianças com menos de 30 anos da sala quando forem tocar Nelson Cavaquinho.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

O banjo não surgiu com Almir Guinéto, mas sim em Floripa!

Desde que o mundo é mundo, várias perguntas permeiam a mente humana, como:

  • "Como o universo foi criado?"
  • "Porque o chuveiro só queima em julho?"
  • "Quem matou Odete Roitman?"
  • "Porque não trabalhar em uma escala 4x3?"
  • "Quem criou o banjo?"

Vou focar nesta última.

A resposta mais comum é que Almir Guinéto inventou esse instrumento lá no Cacique de Ramos, após arrebentar muitas cordas do cavaquinho, já que a roda era acústica. Pra suprimir isso, ele teria pegado o banjo norte-americano, e colocado o braço de cavaquinho, com ajuda de um luthier.

A partir daí, a ciência começa a atuar, duvidando da primeira hipótese e buscando saber se existe uma resposta diferente. Existe.

Almir teria inventado tudo isso, mas muito antes de frequentar o Cacique, quando ainda era apenas um músico acompanhante de outros artistas, como do grupo Originais do Samba. E lá, ele já teria usado o banjo.

Mas tem outra versão.

Mussum (o mesmo dos Trapalhões), integrante dos Originais do Samba à época, teria inventado esse instrumento junto com Almir. Mussum deu a ideia e Almir executou.

E por aí vai.

Mas ninguém perguntou pro próprio Almir? Sim. Diversas vezes. Por algum motivo, ele só confirmava a primeira versão. Que motivo é esse? Quando ele respondeu, ele e deus sabiam. Hoje, só deus sabe.

O que pouca gente sabe é que por volta da década de 1950, um rapaz já tocava banjo em Florianópolis. Mais especificamente pelas bandas do Pantanal. Seu nome? Carlos Tomaz Antunes.

Não há provas.

Infelizmente, não há registros em foto dele tocando, muito menos áudio ou vídeo. Não há recortes de jornais, nem um post no Instagram. Até porque, na época, ninguém se preocupava em saber quem criou o banjo. Todo mundo, pelo menos de Florianópolis, sabia: Tomaz.

Mas há evidências.

O neto do Tomaz, que carrega parte do seu nome, Carlos Guilherme Antunes, conta que ouvia histórias de que seu avô tocava um instrumento redondo.

Mais evidências.

Luiz Carlos Antunes, filho do Seu Tomaz, pai do Carlos Guilherme, ganhou o apelido de Banjo, por causa do pai. É só chegar no Corinthians do Pantanal e perguntar pelo Banjo. Todo mundo, principalmente os mais velhos, sabem quem é.

Então, nem Almir Guinéto, nem Antônio Carlos (o Mussum) inventaram o banjo. Ele é manezinho. E tem nome e sobrenome que repito com muito orgulho: Carlos Tomaz Antunes.

Agora, a verdade verdadeira, é que quem levanta essa bandeira sou seu, apenas para criar uma historinha pseudo lúdica. Explico.

Segundo seu neto, outros depoimentos relatam que Seu Tomaz tocava um "cavaquinho dobrado", o que leva Carlos Guilherme a crer se tratar de bandolim, e não de banjo. Mas se eu conto essa parte antes, perderia a graça da história. E por que seu pai tem o apelido de Banjo? Realmente ninguém sabe.

Carlos Tomaz Antunes, um possível bandolinista. Luiz Carlos Antunes, o Banjo, nunca tocou nada. Carlos Guilherme Antunes, o Guilherme Partideiro, grande músico de Florianópolis que toca... violão.

Moral da história: Ninguém sabe quem inventou o banjo. Ninguém sabe o que Seu Tomaz tocava ao certo. Ninguém sabe porque Seu Luiz é o Banjo. Ninguém sabe de nada. Ninguém conhece ninguém, porque dentro de alguém ninguém mora. E eu só sei que nada sei. Até porque, eu não vim pra explicar, eu vim pra confundir.

Me desculpe o clickbait do título, mas acredito que valeu a pena a historinha.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

O Cantor Guilherme Partideiro

Cantar não é fácil.

Existem muitas questões para ser um bom cantor.

Entre as dezenas de questões, existe uma que é técnica, que é usar a tal voz de cabeça, quando você projeta sua voz para reverberar na cabeça e nas cavidades que nela existem.

Outra questão é ter uma boa dicção. Articular bem as palavras para que todas elas sejam entendidas do começo ao fim.

Como disse, existem outras dezenas de fatores que tornam uma pessoa um bom cantor. Umas mais técnicas, outras mais subjetivas.

Além disso tudo, ou juntando isso tudo, é importante que o cantor tenha ciência de que o principal não é ele, mas a música que ele interpreta.

O cantor é um meio. Ele é só o caminho para transmitir a melodia da música. Ele não tem que fazer firula com a voz. Ele não tem que inventar melodia em uma melodia já existente.

Colocar sua identidade na música é diferente de querer distorcer a música. Existe a interpretação, o timbre, os cacos, uma infinidade de repertório (não musical), de subterfúgios, que o cantor tem para colocar sua identidade sendo fiel àquilo que ele defende e interpreta.

E a gente percebe que o cantor é bom quando a gente consegue entender e se emocionar com a música e nem lembra que existe um cantor ali; quando a música entra por nossos ouvidos e oscula nosso coração, dando um afago em nossa alma.

Esse é o sinal de que o cantor efetuou com excelência sua função.

E o Guilherme Partideiro é um desses Cantores.

Guilherme Partideiro

É bem provável que ele já o seja há anos. É bem provável que eu já tenha percebido isso há anos. Mas só nos últimos dias eu parei para ver ele com outros olhos. Ou ouvidos.

Há algum tempo eu tive uma conversa com o Guilherme sobre cantores de samba. Conversávamos que o Brasil estava carente de cantores de ofício como Francisco Alves, Mário Reis, Jamelão. Tínhamos Monarco, por exemplo, que era um excelente cantor, mas não era a formação dele. Ter uma boa voz e saber cantar (e até cantar bem) é diferente de alguém que só faz isso, estuda isso, ou até sabe colocar a voz onde precisa. Como diria Herivelto Martins: "fazer a terça, a quinta, o sábado, o que precisasse".

Tínhamos muitas cantoras. Mas cantores, nem tanto.

E se formos pensar em Florianópolis então...

Eu não tenho poder pra nada. Mas hoje, pra mim, digo com muita tranquilidade que temos um cantor de fato em nosso plantel manezinho: o Cantor Guilherme Partideiro!

E é quase engraçado vê-lo somente cantar e estar tão a vontade nessa função. Somente nessa função.

Nos primeiros contatos que tive com ele, o via exercendo esse ofício junto do seu violão. Era como ele se sentia mais confortável. Era raro ver somente com microfone nas mãos.

É bem possível que o tempo (sempre ele) tenha trazido maturidade, experiência e tranquilidade para que Guilherme consiga hoje cantar tão bem mesmo sem seu fiel companheiro.

Guilherme Partideiro com violão

Sem os 6 você já sabe o que faz, Gui: Canta! E canta muito bem!

Parabéns, meu amigo e meu irmão! Você é um grande!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Um conto

Um dia desses, conversando com um amigo, surgiu a possibilidade dele vir me visitar. No dia e hora marcada ele veio.

Eu não comi nada no dia que ele chegou, por razões óbvias.

Ele entrou na minha casa, nos beijamos e ele já começou os trabalhos. Adoro homens assim, que já chegam chegando.

Delicadamente me colocou no sofá. Me sentei confortavelmente. Meio sentada, meio deitada, sabe? Estiquei as pernas e fiquei admirando aquela cena. Ele me olhou, sorriu, e logo voltou a ficar sério, concentrado no que estava fazendo. Ele sabia o que fazia. E fazia bem direitinho.

Ele trouxe uma mochila com alguns acessórios. Foi logo tirando e colocando em cima da mesa, mesmo. Sem cerimônia. Abriu meu armário, pegou mais alguns itens que ele encontrou, e que achou que serviria para a ocasião, e foi preparando as coisas.

E eu fui ficando relaxada, relaxada, enquanto ele fazia todo o trabalho.

A forma como ele manuseava tudo era incrível. Pareciam mãos de mágico. Ele mexia, mexia, mexia. Umedeci os lábios com a língua e mordi o beiço de baixo. Acho que ele nem viu. Por conta da posição que estávamos, não conseguia ver tudo que ele fazia e nem ele me via todo o tempo. Mas não precisava.

De repente, por conta de toda aquela preparação que ele fazia antes do ato principal, o ambiente foi tomado por aquele cheiro forte e gostoso. E por causa disso, fui ficando com mais vontade. Sabia que o cheiro ia ficar impregnado nele. E isso mexeu ainda mais comigo. Passado tudo, sentir esse cheiro nele ia me deixar querendo de novo.

Estava tudo quente. Fervendo. Eu já me contorcia no sofá. Ele sorria.

Às vezes ele passava a língua. Só às vezes mesmo. Acho que era uma técnica nova. Não entendo muito dessa parte. Mas nada que interferisse no todo. Até preferia que fosse assim, na verdade. Quando ele sentia que estava muito quente, mexia pro lado, dava uma abaixada no fogo. Mas a fonte do calor continuava a toda. Estávamos só nós 2, mas o ambiente estava muito acalorado.

Vi uma gota de suor escorrendo pelo seu rosto. Limpou com o dorso da mão e continuou os trabalhos, como se nada fosse nada.

Ele não demonstrava cansaço em nenhum momento. Até porque ele disse que eu não precisaria me preocupar com nada. Ele veio até a minha casa para fazer o serviço completo. Me satisfazer. E estava fazendo muito bem o seu serviço. Como se tivesse sido pago só pra isso. Eu só tinha que relaxar e aproveitar. E eu adorando aquilo tudo. Me sentindo uma rainha. Sem pensar no amanhã.

O relato parece rápido, mas todo esse ato até aqui durou cerca de 40 minutos. Muito? Pouco? Pra mim foi um tempo excelente.

Mas ainda ansiava pelo ápice, que eu sabia que estava próximo.

Não demorou muito e ele me permitiu ser ativa. Não me fiz de rogada. Caí de boca!!!

Lembro que ele disse: “Pra ficar mais gostoso, bebe só no final.”

Aquelas palavras ficaram ressoando na minha mente o tempo todo enquanto eu enfiava aquele pedaço de carne na boca. Era deliciosa. Queria ficar assim a noite inteira. Eu até babei agora enquanto escrevia isso, só de lembrar.

Mas ele tinha razão. Só quando eu acabei, bebi. Foi pra fechar com chave de ouro.

Quando eu acabei, ele ainda queria conversar. Vejam só. Fez o trabalho pesado e ainda foi fofo querendo conversar. Geralmente quando o homem acaba, dorme. Ele não.

Enquanto conversava, comigo deitada no sofá, refestelada, ele carinhosamente ainda limpou tudo. Não levantei 1 palha. Mas naquele momento, nem que eu quisesse. Passou a mão aqui, ali, quando dei por mim, não tinha nenhuma mancha, nenhuma sujeira.

Que homem!

Ele veio até minha casa, fez todo o trabalho, fiquei extremamente satisfeita, conversamos, ele se despediu e voltou pra casa dele.

O cheiro da picanha bem temperada com pimenta, orégano e outros condimentos ainda ficou na minha casa por algumas horas.

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

O Tempo

Veja como são as coisas. Há menos de 1 minuto, me deu vontade de escrever esse texto sem assunto nenhum em mente. E você está lendo também sem saber do que se trata, pois o título não explica.

O que faz você ler eu não sei. O que me faz escrever também não.

Sou jornalista por formação acadêmica. Não sei se eu fiz jornalismo por ter algo que me fazia escrever ou aprendi a escrever na faculdade.

Aprender a escrever eu aprendi ainda criança. Me refiro a escrever textos mais elaborados. Mais elaborados do que esse.

Algo me faz escrever e talvez até o final desse texto eu e você descobriremos juntos.

Há menos de 1 minuto eu estava no banheiro, urinando. Foi quando me deu a vontade de escrever.

Mas antes de ir ao banheiro eu estava vendo o show de um humorista de stand-up comedy contanto histórias sobre sua vida. Sua infância, sua adolescência, seus relacionamentos. Eu me identificava com muitas dessas histórias. E ao mesmo tempo em que eu me divertia, prestava atenção na construção do texto dele, que era excelente.

Muitos humoristas usam do humor para afugentar seus medos, suas frustrações, suas angústias. Usam do humor como uma válvula de escape das suas dores.

Minha ex esposa costumava dizer que eu era um escritor visceral. Foi com ela que eu aprendi esse termo. Foi com ela que eu aprendi muita coisa. Inclusive, como não me portar em um casamento. Não em uma festa de casamento. Na instituição casamento.

Rodei nessa disciplina e fui expulso do colégio. Agora aguardo novo período de matrícula.

Todo texto precisa de alguém para o ler. Caso contrário, não faz nem sentido ser escrito.

Da mesma forma como fui impactado pelas histórias do humorista, espero que esse texto, artigo, conto, causo também impacte você de alguma forma.

Eu vim do setor de comunicação. Filho de professora de português, jornalista, ex músico e, atualmente, profissional do marketing. A comunicação me rodeia. Me persegue. Me maltrata. Me ensina. Me encaminha.

Foi com a comunicação, ou falta dela, que eu levei um dos maiores tombos da minha vida. Alguém esqueceu de me avisar de um buraco na calçada? Não. Eu que esqueci de avisar a quem andava comigo sobre várias coisas. As minha vísceras haviam se perdido em algum lugar do espaço/tempo.

Por falar em tempo, sinto que é tempo, espero que ainda em tempo, de encontrar minhas vísceras de volta.

Preciso me comunicar mais. A gente precisa se comunicar mais.

Onde foi que eu errei?

Mas a pergunta nem deva ser exatamente essa. Talvez eu não seja o culpado.

Assim como você, leitor(a), talvez não seja culpado(a) pelos seus erros. Pelo menos não sozinho(a).

Muitos erros aconteceram ao longo da minha vida. E por causa deles, e dos acertos também, que hoje eu sou assim, com essa consciência, com esse caráter, com essas atitudes. Dói? Bastante.

Onde foi que eu comecei a perder minhas vísceras? Sempre aprendi que ter suas vísceras expostas e/ou perdidas era um mal sinal. De morte.

E eu não quero morrer. Sei que vou. Mas não quero morrer agora. Quero viver.

Logo, preciso das minhas vísceras. É o primeiro pensamento lógico que me ocorre.

Coloco a mão na minha barriga. Elas estão aqui. Eu sinto. Fisicamente. Agora falta sentir as vísceras metafóricas do elogio que eu ouvia.

Sabe o que mais está dentro de mim? Meu orixá. É como eu chamo meu deus. Esse eu não consigo sentir fisicamente. O que não me impede de sentir sua presença.

E o que eu faço com essa informação de que minhas vísceras estão aqui? Dá tempo de fazer alguma coisa?

Sempre dá. Tem que dar. Já desisti de coisas antes que dariam tempo de serem recuperadas. Havia tempo. O que não havia, talvez, era entender que minhas vísceras estavam ali. Minha força estava ali. E que eu não usei. Não fui visceral quando deveria.

Mas tenho aprendido que dá tempo. Tenho aprendido que minhas vísceras estão aqui. Tenho força. Cansa. Mas eu tenho força. Dói. Dá medo. Mas eu tenho força. E preciso ir com medo mesmo. A dor a gente ameniza depois. A gente cura. O tempo cura.

Esse é o momento que eu começo a pensar em um elo para terminar o texto. Porque eu preciso terminar. E terminar bonito. É um texto. Alguém precisa lê-lo. Você está lendo. Precisa fazer sentido. Se não, não faz sentido escrever.

E a vergonha e o medo de alguém ler? Essa o tempo ainda vai me ensinar a lidar.

O Tempo que já brincou tanto comigo. Está na hora dele ser mais legal.

Já deu tempo. Já deu, Tempo!

Algo me faz escrever esse texto. E agora, no final, talvez você tenha descoberto o motivo.

Talvez eu só quisesse desabafar algo que está nas minhas vísceras.

Descobrirei com o tempo. Com o Tempo.

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Meu encontro com Paulinho da Viola

Meu encontro com Paulinho da Viola começa em meados de 1996.

Primeiro contato com Paulinho

Minha mãe tinha alguns CDs de samba. Um deles era Paulinho da Viola (Bebadosamba). Esse foi meu primeiro contato com Paulinho da Viola.

O começo do sonho

Lá pelos idos dos anos 2000 eu consegui um CD do Zeca Pagodinho (Ao vivo).

A partir desse disco eu comecei a estudar mais sobre o samba, os sambistas, compositores e surgiu um primeiro sonho: conhecer esses sambistas que eu estudava.

Instantes depois, questão de horas ou dias, me caiu uma ficha: não sou ninguém e moro em Florianópolis. Qual a chance de eu ter algum contato com Zeca, Beth, Martinho ou Paulinho?

Desencanei desse sonho.

O primeiro (quase) encontro

Em 2008, Paulinho fez um show em Florianópolis. Era uma chance de reviver esse sonho e de ter um contato com um desses sambistas que eu admirava.

Não lembro como eu soube desse show, mas tratei de divulgar a informação para o máximo de pessoas possível. Deu certo! O show lotou, não graças a mim, logicamente.

A parte triste é que eu não consegui comprar ingresso. Muitos amigos foram, o conheceram, tiraram fotos, e eu não.

Era o sonho se desfazendo novamente.

Até fiz uma carta cheia de mágoa, e com total despreparo, para desabafar. Está publicado aqui em meu blog e eu recomendo fortemente que ninguém leia.

Primeiro contato visual

Em 2012, Casquinha, da Velha Guarda da Portela, fez 90 anos. Organizaram um aniversário para ele na Portelinha. Era uma roda de samba com a presença do aniversariante. Eu fui. E pra surpresa de todos os presentes, Paulinho da Viola também.

Apareceu, cumprimentou a roda que acontecia naquele momento, deu um beijo no Casquinha e foi embora. Isso tudo não deve ter demorado mais do que 1 minuto.

Eu sei porque eu estava tocando na roda e não chegamos a terminar a música que estávamos.

Paulinho da Viola bateu palma para mim. Pelo menos gosto de pensar assim.

Quando Paulinho chegou, foi um alvoroço. Todos foram em sua direção. Pudera. Eu queria ter feito o mesmo, mas em respeito à roda e ao Casquinha, homenageado do dia, permaneci sentado, tocando, emocionado. E com tanta gente ao redor do Paulinho, não seria possível qualquer interação.

Tão perto, e ao mesmo tempo tão longe.

O sonho de encontrar com meu ídolo reapareceu e foi embora tão rápido quanto ele.

O não encontro

Em 2019, novamente outro show do Paulinho em Florianópolis. Por algum motivo que eu não lembro qual, não fui ao show. Talvez ainda magoado pela experiência de 2008. Realmente não consigo lembrar o motivo.

O encontro

O tempo passou. Muita coisa aconteceu.

O que era um sonho distante foi se tornando realidade aos poucos. Sem mais almejar alcançar o sonho, alcancei.

Ao longo desses anos, me encontrei e tirei fotos com Sérgio Cabral (o pai, jornalista), José Ramos Tinhorão, Monarco e Cristina Buarque. Teve outras pessoas, mas talvez essas citadas sejam as mais emblemáticas.

Eis que no começo de 2023, Paulinho da Viola anuncia sua turnê "80 anos". As cidades mais próximas eram: Porto Alegre e Curitiba.

Era a vida dando voltas e me dando mais uma oportunidade de encontrar com Paulinho. Talvez a última.

Comprei ingresso para o show em Porto Alegre, dia 15 de abril de 2023, no Teatro Araújo Viana.

Agora era preciso arquitetar um plano para entrar no camarim e ter um encontro com Paulinho da Viola.

Perguntei para minha amiga Milene, de Porto, alguma dica valiosa. Ela falou que pra entrar no camarim seria mais fácil eu falar com alguém da banda do que da produção.

Começa a saga por procurar alguém da banda para me ajudar a realizar o meu sonho: apertar a mão do Paulinho e chorar feito uma criança.

Por algum motivo que eu não sei qual, eu tenho o contato do Paulão 7 Cordas, a quem pedi ajuda para me indicar o nome de alguém que fosse da banda do Paulinho.

Por algum outro motivo, que eu também não sei qual, eu tenho o contato do Marcos Esguleba, que é da banda do Paulinho, a quem eu também pedi ajuda.

Ambos muito solícitos e me responderam a mesma coisa: é bem difícil falar com o Paulinho. Após o show ele não costuma receber ninguém. Mas o Esguleba deu uma dica: tentar algo durante a passagem de som.

Chego em Porto Alegre no dia 15, dia do show, pela manhã. Mandei mensagem incomodando Esguleba para saber que horas ele iria para o Teatro para passar o som. Sem resposta, por volta das 12h comecei a apelar para outros contatos.

Consegui o telefone da Cecília, uma das filhas do Paulinho, que também participa da produção. Enviei uma mensagem e não obtive retorno.

Já eram 16h. Resolvi ir para o Teatro por conta própria. O show era às 21h.

Chegando do lado de fora do Teatro, ouço a banda tocando, passando o som.

Questionei um segurança, como se eu não soubesse: "A banda tá passando som? Tenho um amigo tocando, e só queria dar um 'oi' pra ele". Ao que o segurança me respondeu de forma muito educada, sem ironia da minha parte: "Só posso deixar entrar se alguém da produção autorizar."

Logo em seguida, apareceu outro sujeito com um cavaquinho, na esperança de que o Paulinho o assinasse. No mesmo instante, apareceu Celsinho Silva, pandeirista do Paulinho. Ele disse ao sujeito que o Paulinho ainda não tinha chegado e que ele poderia esperar ali, tentar identificar o carro do Paulinho e ver se ele parava.

Ficamos eu e esse rapaz, com quem eu não troquei 1 palavra, do lado de fora esperando.

Enquanto isso eu pensava: "Sei que vou chorar e fazer um fiasco quando encontrar o Paulinho. Vai ser muito vergonhoso se esse estranho estiver junto. Vai estragar toda a magia do encontro."

Depois de umas 3 horas, já era quase hora do show. Esse sujeito foi embora e eu fui pedir mais alguma ajuda pro segurança. A dica dele foi de sair pela porta lateral do Teatro, que seria aberta minutos antes do show terminar.

Durante o show, por sinal, impecável, ainda tentei procurar a produção, mas os seguranças não tinham muitas informações.

Quando percebi que o show estava se encaminhando pro final, me levantei e fui em direção às portas laterais. No fim do BIS, saí.

Já do lado de fora, um soldado do Corpo de Bombeiros estava fechando o portão. Era o meu sonho indo embora novamente.

Ele disse que a saída era por outro lado, mas perguntou se eu estava sozinho. Respondi a ele que sim, e ele me deixou passar.

Estava eu, de novo, no mesmo lugar onde havia estado por 3 horas antes do show, como um fã enlouquecido de uma banda jovem qualquer.

Já tinha identificado o carro que o trouxe. Seria o mesmo que o levaria de volta.

Mais uns 30 minutos esperando, o povo todo saindo do Teatro pela porta certa. Ninguém perto de mim. Era o ambiente perfeito, como eu havia imaginado.

E vem o carro.

Era eu, o segurança que abria o portão, o portão e o carro.

Enquanto o portão abria, eu fazia sinais com as mãos de "por favor", "só um minutinho", quase me ajoelhando em frente ao carro.

O motorista já tinha me visto antes do show ali mesmo. Possivelmente me reconheceria.

O portão termina de abrir e o carro vem, lentamente.

Me afasto.

O vidro da janela do banco de trás se abre.

É ele. Paulinho da Viola. Sorrindo.

O diálogo foi curto. Eu consegui formular 2 frases completas. A primeira foi: "Paulinho, eu só queria apertar tua mão."

Apertei, beijei, encostei na testa como reverência e... chorei feito uma criança.

A partir daí, eu tenho uma vaga lembrança de tudo porque a vista ficou embaçada e eu estava muito nervoso.

Ele ainda sorrindo, mas um pouco espantado com a situação, perguntou meu nome. Respondi: "Artur". Ele repetiu meu nome.

A segunda frase completa que eu consegui pronunciar foi: "Posso tirar uma foto contigo?"

Ele prontamente aceitou e eu fui pegando o celular pronto para tirar uma selfie com ele ainda dentro do carro, pensando em não incomodar mais do que eu já estava. Mas ele fez questão de sair do carro para a foto.

Sua filha, que eu não olhei direito, mas acho que era a Cecília, se prontificou a tirar a foto.

Nesses poucos segundos de interação eu não consegui formular mais nenhuma frase completa. Lembro de ter dito coisas como: "Blerg...", "Crotz..." e "Flurd...". Ou algo assim.

A foto foi tirada. Eu agradeci. Ele foi embora. E eu, ainda chorando feito uma criança, também.

terça-feira, 16 de março de 2021

A periferia e a religião

A periferia é o lugar mais democrático do mundo. Até rico é bem vindo.

Só na periferia um umbandista pode conviver ao lado de uma evangélica.

E no último domingo passei a manhã ouvindo Ludmila de um lado e uma outra mulher gritando de outro. Pensei ser outro funk. Até que dei uma esticada no pescoço e entendi que se tratava de uma cantora gospel despejando toda sua emoção de louvor a deus. E era emoção.

Eu conheço algumas músicas de louvor também. Esse abaixo é um samba, mas também é usada nos templos, como forma de oração. Falando o bom português, é um ponto, cantado nos terreiros de umbanda.

De autoria de Getúlio Marinho Amor e uma gravação excelente do Morengueira, a história fala sobre um homem que apareceu em uma roda de pernada que o pessoal fazia antigamente, e derrubou todo mundo.

Era meia noite
(Getúlio Marinho Amor)

Era meia noite quando o malvado chegou

Quando o malvado chegou
Todo mundo ajoelhou
Todos tremiam de medo
Meu Deus do céu que horror

Apanhei o meu pandeiro
Fui saindo de fininho
Quando vi que era o malvado
Que vinha lá no caminho

Ele vinha tão zangado
E não quis saber de nada
Deu as ordens a todo mundo
Acabou a batucada

domingo, 14 de março de 2021

O subúrbio está é bom

O subúrbio, periferia, comunidade, como queiram chamar, é o melhor lugar do mundo!

Voltei a morar aqui e já no primeiro dia estava no mercadinho do bairro, na fila do caixa, com uma distância de 2 metros, esperando a atendente terminar o atendimento de duas moças.

Enquanto ajeitavam suas sacolas, que teimavam em não enganchar nos dedos já ocupados por outras alças, elas riam e conversavam sobre algo que não ouvia, pela distância, e também porque não me interessa ouvir assunto alheio.

Até que uma delas fala uma frase que eu não captei o começo, mas ouvi o final: pomba gira.

Elas riram, terminaram de se ajeitar, e foram embora.

Foi tão natural a conversa delas, sem precisar falar baixinho, sem precisar olhar para os lados enquanto falava. Falaram como se tivessem falado a palavra "cadeira". E ninguém olhou para as moças de cara feia. Ninguém fez o sinal da cruz. Ninguém fez menção de se distanciar mais das moças por medo.

Em que outro lugar do mundo alguém falaria em uma entidade das religiões afro normalmente em um ambiente público?

O subúrbio, periferia, comunidade, como queiram chamar, é o melhor lugar do mundo!

E é possível sentir o calor humano nas ruas, mesmo em época de pandemia.

A periferia é movimento, energia, é vida.

Viva a periferia!

Já dizia Paulo da Portela:

Para que havemos de mentir?
O subúrbio está é bom
Venham ver, não é história
Se por ventura estou errado
Dou a mão à palmatória

segunda-feira, 1 de março de 2021

Candeia machista

Candeia era policial. E um dos brutos. Fazia cumprir a lei. Se não podia estar na rua sem documento, Candeia levava em cana.

Em uma das suas excursões, chegou em uma zona de meretrício. Todos correram. Menos uma senhora, que levou um tapa de Candeia pelo desaforo de não correr. Essa senhora lhe fez uma profecia de que ele iria cair.

Tempos depois ele leva um tiro e fica paraplégico.

A introdução foi só para incluir a palavra "profecia" no post, título de um dos seus sambas. E o título do post foi só para chamar atenção mesmo, confesso. Ainda sim, tem relação com o post.

A letra do samba A profecia, a princípio, é mais uma letra falando do quanto a mulher sofre com o término de um relacionamento.

Mas olhando com mais calma, percebe-se que na verdade é o homem quem sofre.

A profecia
(Candeia)

"Mais cedo ou mais tarde você vai voltar
Pedindo, implorando, para lhe perdoar."
Confesso que na hora sorri e zombei da sua profecia
Nos braços de Orfeu me perdi na orgia
Andei por aí, muitos sambas cantei
Só mais tarde me lembrei
Fiz do meu canto e o melhor dos meus versos, sua profecia
Mas o meu pranto correu quando nasceu o dia
Confesso que chorei pelas ruas da desilusão
Vagando com amor em meu coração
Pelas ruas da desilusão
Vagando com amor em meu coração

Dos amigos nem sequer me despedi
E a boemia deixa, resolvi
Guardei viola no saco e subi o morro pro nosso barraco
Bati na janela, chamei "Amorzinho,"
A vida é tão bela, então vamos viver.
Hoje é coisa rara alguém gostar tanto
Como gosto de você."
Assim falei
Meu amor abriu a porta
"Voltaste?"
"Voltei."

Tudo bem que no final o homem convence a mulher a aceitar seu regresso e ele para de sofrer, mas o que chama atenção é o começo da música:

"Mais cedo ou mais tarde você vai voltar
Pedindo, implorando, para lhe perdoar."

Num primeiro momento pode se pensar: 'Pronto... lá vem mais uma música do homem esculachando a mulher.'

Mas na verdade é a mulher falando para o homem.

E isso fica evidente na frase seguinte:

Confesso que na hora sorri e zombei da sua profecia

A música passa a ter um novo viés, uma nova perspectiva.

E antes que digam que o samba não tem nenhum artigo, e que poderia ser a mulher cantando isso para o homem, dizendo que ela guardou a viola no saco e subiu o morro pro barraco, eu já digo que tem razão.

Mas este post é meu, e eu interpretei como o homem cantando pra mulher.

O samba é uma beleza e a interpretação da Alcione deu mais vida ainda para a música.

Abaixo, uma das poucas (e nem por isso deixa de ser excelente) gravações.


sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Lançamento CD Peso é Peso com Tuco Pellegrino e Batalhão de Sambistas

O texto abaixo foi escrito em 15 de julho de 2011 e não publicado na época por algum motivo que não lembro. Ei-lo agora.

Respeito, admiração, louvor e gratidão. É assim que o samba é tratado por Tuco e o Batalhão de Sambistas, expoentes da atual cena do samba da Paulicéia.

Formado por sambistas que cultuam a tradição do samba de terreiro, mas que bebem na escola do choro e amam e valorizam os grandes sambas da Era de Ouro da nossa música popular, o Batalhão, capitaneados pelo excelente intérprete Tuco, se prepara para lançar seu primeiro CD, “Peso é Peso”, gravado ao vivo nos dias 27 e 28 de fevereiro e que contou com as luxuosas participações de Monarco, Nelson Sargento e Cristina Buarque.

Fernando Pellegrino, o Tuco, foi fundador do extinto Morro das Pedras e também do Terreiro Grande, onde atua como cantor e cavaquinista. Foi nas rodas de samba que aprendeu a cantar em alto e bom som, no gogó, como se fazia no passado com nomes como Ventura, Noel Rosa de Oliveira e Jamelão. Suas interpretações também nos remetem a grandes nomes das rádios dos anos 30 e 40 como Francisco Alves, Roberto Silva e Ciro Monteiro.

Criado neste ambiente informal, foi pelas rodas de samba da vida que conheceu os outros integrantes do Batalhão, todos sambistas estudiosos que aprendem com muito afinco o que os mestres do samba deixaram.

“Peso é Peso”, o primeiro disco de Tuco, é fruto de anos de muita pesquisa e dedicação. Foram anos passados em sebos, rodas de samba, convivendo com alguns dos maiores nomes do ritmo mais tradicional do Brasil: Monarco, Nelson Sargento e Cristina Buarque foram importantes fontes para o repertório do disco.

Assim como do acervo de José Ramos Tinhorão, disponível para consulta no Instituto Moreira Salles, vieram outras “brasas” pouco conhecidas. Um disco com tantos sambas inéditos de nomes como dos portelenses Paulo da Portela, Manacea, Aniceto da Portela, Mijinha, Licurgo, Antônio Caetano, Picolino, Monarco, Chatim, Lincoln e Alberto Lonato; de sambistas da turma de Mangueira de estirpe de Zé Ramos, Nelson Sargento, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito; e de imperianos do quilate de Antenor do Império e Silas de Oliveira, é mais do que um simples registro fonográfico, é um documento histórico.

E se a história se faz pelos fatos de um passado que já foi presente e que é justamente o que estamos vivendo agora, este documento musical não poderia ter músicos tão bem escolhidos. O respeito aos antigos compositores, intérpretes, instrumentistas e arranjadores do passado faz com que arranjos das músicas, feitas por Tuco e João Camarero, sempre privilegiem sua roupagem original, sem limitar a criatividade e improviso dos músicos envolvidos nesta obra.

O álbum deverá ser lançado no início de setembro e os shows de lançamento contarão com a presença de Monarco e Nelson Sargento e Cristina Buarque participantes ilustres do disco.

Ficha Técnica: Direção Musical: Tuco e João Camarero Produtor Fonográfico: Tuco Produtora Executiva: Noeli Pellegrino Voz: Tuco Violão 7 cordas: João Camarero Violão 6 cordas: Junior Pita Cavaco: Lucas Arantes Surdo: Donga Pandeiro: Beto Amaral Pandeiro, caixa , agogô, tamborim e reco-reco: Rafael Toledo Tamborim e agogô: Jorge Garcia Cuíca, tamborim, agogô: Alfredo Castro Coro masculino: Rafael Loré, Fernando Paiva e Janderson Buiú Coro feminino: Cristina Buarque, Francineth, Keila Santos Participações especiais: Monarco, Nelson Sargento e Cristina Buarque.

O Grupo Batalhão de Sambistas foi formado por amigos com o mesmo gosto musical. Por serem músicos de grande versatilidade e amantes do samba, seja ele “samba de quadra” ou dos “salões”, exaltam em suas apresentações os grandes mestres deste gênero musical. Eles também priorizam sempre o formato original das canções, buscando dessa forma tratar cada samba apresentado, com toda reverência e o respeito que o samba merece.

Apesar de se tratar de um grupo que canta sambas antigos, pouco conhecidos ou até mesmo inéditos desses ilustres compositores, não significa que não tenham olhos e ouvidos para o presente. Mas a lição do passado é sempre a mais forte diretriz, já que foram eles que escreveram a história. Sendo assim, o grupo Batalhão de Sambistas e o cantor Tuco procuram manter a melhor forma possível de preservar e enaltecer a verdadeira essência do que se faz.

Cada integrante na sua particularidade tem uma história musical, são diversas fontes e gêneros da boa música. Entre eles, a vertente principal é representada pelo samba e seus grandes mestres instrumentistas, tais como: Bide, Marçal, Ismael, Jorginho do Pandeiro, Buci Moreira, Raul Marques, Dino 7 Cordas e Canhoto. Os inúmeros registros das velhas-guardas das escolas como Portela, Mangueira, Estácio, Salgueiro e outros. Com isso, transparece de forma harmônica a perfeita sintonia entre eles, desde o apito inicial até a última marcação.

Dentre os gêneros comentados anteriormente, o choro também tem uma forte influência junto ao Batalhão, pois quase metade dos seus integrantes, fazem parte dessa escola, formando um “regional” firme, na junção das harmonias e batucadas, uma cadência que se transforma em uma ardente chama para que Tuco entoe o seu canto.

Senhoras e senhores: Tuco Pellegrino e Batalhão de Sambistas!



PS.: No encarte deste disco há um agradecimento para mim. Queria registrar isso, pois é um grande orgulho para mim ter meu nome citado em um dos melhores discos lançados nos últimos anos.

sábado, 26 de outubro de 2019

A difícil tarefa do jornalista nos dias de hoje

"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade." (George Orwell)

Dito isso, o jornalismo acabou no mundo. E já faz tempo. Ninguém questiona nada no mundo atual. As perguntas "por que?" e "será?", que sempre moveram os jornalistas, deixaram de ser feitas.
Com isso, muitos jornalistas migraram para o marketing, ou marketing digital, que está na moda hoje em dia, e é um ramo dentro da comunicação. Os que tiveram sorte, conseguiram entrar na parte de geração de conteúdo da área do marketing. Estão escrevendo. Os mais "azarados", no quesito gerar conteúdo, tiveram que ir para o designer, por exemplo.

Eis que no marketing, ou marketing digital, o jornalista se depara com uma porção de expressões, nomes pomposos, nomenclaturas conhecidas mas com outro significado, e tem que dar alguns passos para trás:

  • Lead, que ele aprendeu, não é mais o início da matéria. É um potencial consumidor de um produto;
  • Saber para quem se escreve hoje é chamado de persona;
  • Escolher palavras-chave em títulos, intertítulos e em pontos chave do texto, que jornalista sabe de cor e salteado, ou deveria, hoje se chama SEO.

E esse SEO parece ser algo que as agências de marketing dão muito valor. Existem diversos aplicativos, programas, plugins para gerenciar isso. Um dos mais conhecidos é o Yoast SEO. Esse plugin do WordPress te diz quantas palavras você tem que usar, quantas ainda faltam, quantas palavras devem ser colocadas em cada intertítulo, quais palavras faltam, onde elas devem ser colocadas.

As pessoas não querem ler muito. Querem ver figurinhas e ver vídeos. Mas esse mesmo plugin, e todas as referências de ranqueamento do Google, diz que temos que ter muito texto, muito conteúdo. Conta muito ponto pro SEO.

E com esse plugin, ou similar, Você só precisa de um macaco que saiba ler e escrever e esse plugin. Pronto! Você tem um gerador de conteúdo.

Outra mudança notada pelos jornalistas é que substantivos comuns, sem ser nomes próprios, ganharam caixa alta na primeira letra, independentemente de onde eles estejam. Isso chama mais a atenção do leitor. E a gramática que vá para a segunda página do resultado do Google.

O marketing não é culpado disso. Nem o público leitor. Nem o pobre jornalista. Se tem algum culpado disso é o tempo. Os tempos modernos estão deixando pra trás todo um conhecimento adquirido, toda uma história, toda uma literatura, toda uma identidade de cada escritor.

É triste ver que o mundo está ficando cada vez mais burro, imerso em uma máquina que encaixota tudo, deixando todos iguais, com direitos diferentes. Mas isso já é assunto pra outro artigo.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Casquinha - Musicografia completa

Seguindo o programa, dessa vez disponibilizo todo o material do Casquinha que eu pude juntar, entre informações de biografia, música e letras. Sempre com ajuda dos amigos, incontáveis para citar aqui.

Alguns sambas não encontrei o áudio, mas tá citado na relação.

Se tiver algum erro, por favor, me informe.

Quem tiver cadastro, link do 4shared: https://www.4shared.com/folder/Z6cDq_yo/Casquinha.html
Caso contrário, há o link do Mega: https://mega.nz/#F!N11HjKBQ!mbKthtJHLWXprvA5X4G25Q

Casquinha fará 95 anos ida 1º de dezembro de 2017 agora. 



Compositor. Cantor.
Filho de imigrante alemão.
Nasceu no subúrbio de Oswaldo Cruz, onde desde cedo teve contato com o samba.
Inicialmente começou compondo para um bloco carnavalesco do bairro onde morava.
Aos 26 anos, ingressou para a Ala dos Compositores do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Portela.
Exerceu várias profissões, como pintor de paredes e contínuo do Banco Mercantil de Descontos.
Tocava vários instrumentos de percussão, destacando-se o tamborim.
Segundo Sérgio Cabral Casquinha foi um grande jogador de futebol. Segundo só Sérgio Cabral não, segundo praticamente todo mundo que o viu jogar. Foi o melhor jogador da várzea, inclusive nível de jogadores profissionais que jogaram até na seleção.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Formação do Bloco Contestado


Convidamos todos para participar do primeiro encontro pra formação do Bloco Contestado.

É uma aula magna sobre a Guerra do Contestado com o professor Paulo Pinheiro Machado, da UFSC; e com Marcia Paraíso, diretora do documentário "Terra Cabocla".

O Bloco Contestado, homônimo da Guerra por coincidência, surge como um bloco estritamente cultural. Seu ideal é cantar as história de lutas por uma sociedade mais justa, mostrando que o nosso povo sempre lutou e continuará lutando. O Contestado não pleiteia dinheiro, avenida, luxo. Somos do povo e para o povo. Nosso cortejo é na rua!

E como primeira ação do Bloco, estamos organizando esse encontro de 2 dos grandes conhecedores da Guerra do Contestado, tema do Bloco pro Carnaval de 2018, para explanar sobre o assunto e ajudar a divulgar o tema, que é pouco falado, e até evitado em alguns locais do setor público.

Vamos falar de João Maria, José Maria, Teodora, Maria Rosa, Adeodato, e outros tantos "Pelados" heróis do povo catarinense, e quiçá brasileiro.

Dia 03/10, terça-feira, 19h, no Instituto Arco-Íris (Travessa Ratclif, esquina com calçadão da João Pinto). GRATUITO!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Monsueto - Musicografia completa

Segue link com a obra completa (que eu pude juntar) do Monsueto:
https://www.4shared.com/folder/foLFI9iZ/Monsueto.html
Caso você não tenha cadastro no 4shared, pode baixar aqui também: https://mega.nz/#F!5s80UYxL!41Bk2qW6iRw8f-xCxQStXg

No link tem um PDF com foto, um apanhado do histórico dele que está na internet, e todas as letras das músicas que foram possíveis encontrar. Tem também, e logicamente, todos os áudios que puderam ser encontrados.

Algumas letras não estão completas porque o áudio não estava muito bom em determinadas partes. Qualquer correção, por favor, entre em contato.

E cabe aqui um agradecimento especial à Verônica Menezes, filha do Monsueto, que me ajudou muito no levantamento completo da obra do pai.


Nasceu na Gávea e foi criado no Morro do Pinto. Com menos de três anos ficou órfão de mãe e pai e foi criado pela avó e por uma tia. Na adolescência, trabalhou como guardador de carros no Jockey Club.

Estudou até o quinto ano primário. Aos 15 anos, já tocava em baterias de escola de samba e aos 17 começou a trabalhar como baterista free lancer em bailes de gafieira e cabarés. Prestou serviço militar no Forte de Copacabana e ao sair casou-se com Maria Aparecida Carlos, indo morar em Vieira Fazenda, subúrbio carioca. Lá, abriu uma tinturaria, a exemplo de seu irmão Francisco, que também fora proprietário de uma tinturaria na qual chegou a trabalhar. Apesar de ter seu próprio negócio, continuou tocando na noite, frequentando os pontos de encontro de músicos, principalmente nas redondezas do Teatro João Caetano. Teve seis filhos.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Alberto Lonato - Musicografia completa

Fiz um apanhado das informações e músicas de Alberto Lonato que estão na internet, compilei tudo em um arquivo PDF e juntei suas músicas.

Aqui estão todas as músicas compostas por Alberto Lonato, da Velha Guarda da Portela.

https://www.4shared.com/folder/AkNfQ4zM/Alberto_Lonato.html

Pra quem não tem cadastro no 4shared, pode baixar nesse outro link: https://mega.nz/#F!Q19QUISA!f5iE-jOqdyGiBrDKPRhQ2g 

Caso tenha algum erro no texto, a fonte da pesquisa está ali para ser confrontada. Nada que não possa ser corrigido, acrescentado ou removido.

Qualquer erro na letra, por favor, fique a vontade para me avisar para que possa ser corrigido.


Os primeiros contatos com o samba aconteceram por volta de 1916, na casa de Madalena Xangô de Ouro, na Rua Quintão, ainda em Quintino. Dessas reuniões também participavam outros portelenses que se tornariam famosos, além de personalidades que já faziam sucesso no Centro da cidade, como Pixinguinha e Brancura. Esses encontros, lembrados com saudade por quem participava deles, serviram de escola para o jovem Alberto.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Noel Rosa - Faz Vergonha

Nas batalhas de confete da Tijuca, Vila Isabel e Andaraí, principalmente na mais famosa delas, que era a da Rua Dona Zulmira, os blocos do Salgueiro sempre faziam bonito, marcavam a sua presença. Era tempo de corda, que impedia a invasão de estranhos e permitia que todos brincassem despreocupados e à vontade. Mas, sem dúvida, havia uma grande pinimba entre os blocos dos outros lugares e os do Salgueiro, isso porque, na hora em que era preciso, o pessoal do morro se juntava para enfrentar o adversário comum. Em Vila Isabel havia um bloco muito temido, o Faz Vergonha, no qual saíam Noel Rosa, Henrique Foréis Domingues (Almirante), Carlos Alberto Ferreira Braga (João de Barro), Álvaro de Miranda Ribeiro (Alvinho), Nássara e outros rapazes da mesma turma. Consta que foi em janeiro de 1935, numa batalha da Rua Dona Zulmira, que Noel Rosa, de pura implicância, saiu no Faz Vergonha cantando o seguinte samba:


Oswaldo Cruz, Morro da Mangueira
Favela, Estácio de Sá
Vamos acordar o Salgueiro
O mundo inteiro
Quer ouvir o seu cantar

Os brios salgueirenses foram feridos. Os integrantes dos blocos foram contar o sucedido ao diretor do Azul e Branco, Antenor Santíssimo de Araújo, o famoso Antenor Gargalhada, que estava na tendinha do seu Candinho tomando umas e outras com a rapaziada. Quando tomou conhecimento do assunto, quem assistiu diz que ele pediu 500 réis de cachaça, deu pro santo, tomou, deu uma cusparada para o lado e quando voltou já veio com a resposta pronta:


Uma resposta em cima da hora
Temos o prazer e glória em citar
O Salgueiro não está adormecido
Quem é a Vila pra nos acordar?


Trecho retirado do livro "Salgueiro: academia do samba", de Haroldo Costa. No livro constam as partituras das músicas. Escrevi em um programa de editor de partituras e criei o áudio da melodia.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Quem não é ouvido não é lembrado - Bernardo França

Seguindo a linha editorial do programa, de exaltar os famosos anônimos, segue a segunda edição do programa "Quem não é ouvido não é lembrado", dessa vez com Bernardo de França da Silva. Um grande percussionista e que sabe cantar muito bem!

Pode ser ouvido no player abaixo, no player lateral do blog, ou clicando nesse link. Também há uma versão com menor qualidade rolando no zapzap.

Sem mais delongas, senhoras e senhores, Bernardo!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Quem não é ouvido não é lembrado

Está no ar a primeira edição do programa "Quem não é ouvido não é lembrado - o programa que vai cair no esquecimento". É um programa de entrevistas com os famosos anônimos do samba, aqueles que são conhecidos entre as pessoas do meio musical, mas que não estão na grande mídia.

Não há uma periodicidade fixa do programa. Ele vai ao ar sempre que possível.

É possível fazer o download para ouvir em outro momento ou guardar no computador, basta clicar aqui no link do soundcloud.

O primeiro programa é com o violonista Cleber dos Santos.

Ouçam!

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

100 anos de samba! Primeiro samba gravado!

Sempre falei que essa história de primeiro samba gravado em 1917 só serve para fins didáticos. De uma gente que quer ter uma data para início das coisas.

Uma breve pesquisa na internet já faz cair por terra os 100 anos de samba, ou que "Pelo telephone" tenha sido o primeiro samba gravado.

Antes dele, não necessariamente em ordem cronológica, temos:

Em casa de baiana (Alfredo Carlos Brício) - 1913
Não encontrei a música.

Joaquina (Pedro Bifano) - 1913


A viola está magoada (Catullo da Paixão Cearense) - 1913 ou 1914
Gravada pelo mesmo Bahiano, que gravou "Pelo telephone".


Catimbó (Antônio R. de Jesus) - Não sei a data. Se não foi antes do "Pelo telephone", foi contemporâneo. Também não encontrei a música.

Há, ainda os compositores Lourival de Carvalho e Louro, que tiveram sambas gravados antes do Donga. Não encontrei as músicas.

E deve ter muitos outros sambas. Qual foi o primeiro? Não sei. Mas como o intuito dessa postagem não é fazer uma dissertação de mestrado, mas mostrar exemplos de gravações de samba antes do "Pelo telephone", creio que tá bom.

E porque cargas d'água então se fala do "Pelo telephone"? Porque fez sucesso.

E se disserem que isso tudo não é samba, mas maxixe ou outro gênero musical, o primeiro samba, no formato como conhecemos hoje, só seria gravado em 1928, com os compositores do Estácio. De qualquer forma, não seria em 2017 o centenário do samba. Ou 2016, ano de registro do "Pelo telephone" na Biblioteca Nacional.

Me faz carinhos (Ismael Silva) - 1928
Registrado em nome de Francisco Alves, mas é do Ismael.


Encerro por aqui!