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segunda-feira, 24 de abril de 2023

Meu encontro com Paulinho da Viola

Meu encontro com Paulinho da Viola começa em meados de 1996.

Primeiro contato com Paulinho

Minha mãe tinha alguns CDs de samba. Um deles era Paulinho da Viola (Bebadosamba). Esse foi meu primeiro contato com Paulinho da Viola.

O começo do sonho

Lá pelos idos dos anos 2000 eu consegui um CD do Zeca Pagodinho (Ao vivo).

A partir desse disco eu comecei a estudar mais sobre o samba, os sambistas, compositores e surgiu um primeiro sonho: conhecer esses sambistas que eu estudava.

Instantes depois, questão de horas ou dias, me caiu uma ficha: não sou ninguém e moro em Florianópolis. Qual a chance de eu ter algum contato com Zeca, Beth, Martinho ou Paulinho?

Desencanei desse sonho.

O primeiro (quase) encontro

Em 2008, Paulinho fez um show em Florianópolis. Era uma chance de reviver esse sonho e de ter um contato com um desses sambistas que eu admirava.

Não lembro como eu soube desse show, mas tratei de divulgar a informação para o máximo de pessoas possível. Deu certo! O show lotou, não graças a mim, logicamente.

A parte triste é que eu não consegui comprar ingresso. Muitos amigos foram, o conheceram, tiraram fotos, e eu não.

Era o sonho se desfazendo novamente.

Até fiz uma carta cheia de mágoa, e com total despreparo, para desabafar. Está publicado aqui em meu blog e eu recomendo fortemente que ninguém leia.

Primeiro contato visual

Em 2012, Casquinha, da Velha Guarda da Portela, fez 90 anos. Organizaram um aniversário para ele na Portelinha. Era uma roda de samba com a presença do aniversariante. Eu fui. E pra surpresa de todos os presentes, Paulinho da Viola também.

Apareceu, cumprimentou a roda que acontecia naquele momento, deu um beijo no Casquinha e foi embora. Isso tudo não deve ter demorado mais do que 1 minuto.

Eu sei porque eu estava tocando na roda e não chegamos a terminar a música que estávamos.

Paulinho da Viola bateu palma para mim. Pelo menos gosto de pensar assim.

Quando Paulinho chegou, foi um alvoroço. Todos foram em sua direção. Pudera. Eu queria ter feito o mesmo, mas em respeito à roda e ao Casquinha, homenageado do dia, permaneci sentado, tocando, emocionado. E com tanta gente ao redor do Paulinho, não seria possível qualquer interação.

Tão perto, e ao mesmo tempo tão longe.

O sonho de encontrar com meu ídolo reapareceu e foi embora tão rápido quanto ele.

O não encontro

Em 2019, novamente outro show do Paulinho em Florianópolis. Por algum motivo que eu não lembro qual, não fui ao show. Talvez ainda magoado pela experiência de 2008. Realmente não consigo lembrar o motivo.

O encontro

O tempo passou. Muita coisa aconteceu.

O que era um sonho distante foi se tornando realidade aos poucos. Sem mais almejar alcançar o sonho, alcancei.

Ao longo desses anos, me encontrei e tirei fotos com Sérgio Cabral (o pai, jornalista), José Ramos Tinhorão, Monarco e Cristina Buarque. Teve outras pessoas, mas talvez essas citadas sejam as mais emblemáticas.

Eis que no começo de 2023, Paulinho da Viola anuncia sua turnê "80 anos". As cidades mais próximas eram: Porto Alegre e Curitiba.

Era a vida dando voltas e me dando mais uma oportunidade de encontrar com Paulinho. Talvez a última.

Comprei ingresso para o show em Porto Alegre, dia 15 de abril de 2023, no Teatro Araújo Viana.

Agora era preciso arquitetar um plano para entrar no camarim e ter um encontro com Paulinho da Viola.

Perguntei para minha amiga Milene, de Porto, alguma dica valiosa. Ela falou que pra entrar no camarim seria mais fácil eu falar com alguém da banda do que da produção.

Começa a saga por procurar alguém da banda para me ajudar a realizar o meu sonho: apertar a mão do Paulinho e chorar feito uma criança.

Por algum motivo que eu não sei qual, eu tenho o contato do Paulão 7 Cordas, a quem pedi ajuda para me indicar o nome de alguém que fosse da banda do Paulinho.

Por algum outro motivo, que eu também não sei qual, eu tenho o contato do Marcos Esguleba, que é da banda do Paulinho, a quem eu também pedi ajuda.

Ambos muito solícitos e me responderam a mesma coisa: é bem difícil falar com o Paulinho. Após o show ele não costuma receber ninguém. Mas o Esguleba deu uma dica: tentar algo durante a passagem de som.

Chego em Porto Alegre no dia 15, dia do show, pela manhã. Mandei mensagem incomodando Esguleba para saber que horas ele iria para o Teatro para passar o som. Sem resposta, por volta das 12h comecei a apelar para outros contatos.

Consegui o telefone da Cecília, uma das filhas do Paulinho, que também participa da produção. Enviei uma mensagem e não obtive retorno.

Já eram 16h. Resolvi ir para o Teatro por conta própria. O show era às 21h.

Chegando do lado de fora do Teatro, ouço a banda tocando, passando o som.

Questionei um segurança, como se eu não soubesse: "A banda tá passando som? Tenho um amigo tocando, e só queria dar um 'oi' pra ele". Ao que o segurança me respondeu de forma muito educada, sem ironia da minha parte: "Só posso deixar entrar se alguém da produção autorizar."

Logo em seguida, apareceu outro sujeito com um cavaquinho, na esperança de que o Paulinho o assinasse. No mesmo instante, apareceu Celsinho Silva, pandeirista do Paulinho. Ele disse ao sujeito que o Paulinho ainda não tinha chegado e que ele poderia esperar ali, tentar identificar o carro do Paulinho e ver se ele parava.

Ficamos eu e esse rapaz, com quem eu não troquei 1 palavra, do lado de fora esperando.

Enquanto isso eu pensava: "Sei que vou chorar e fazer um fiasco quando encontrar o Paulinho. Vai ser muito vergonhoso se esse estranho estiver junto. Vai estragar toda a magia do encontro."

Depois de umas 3 horas, já era quase hora do show. Esse sujeito foi embora e eu fui pedir mais alguma ajuda pro segurança. A dica dele foi de sair pela porta lateral do Teatro, que seria aberta minutos antes do show terminar.

Durante o show, por sinal, impecável, ainda tentei procurar a produção, mas os seguranças não tinham muitas informações.

Quando percebi que o show estava se encaminhando pro final, me levantei e fui em direção às portas laterais. No fim do BIS, saí.

Já do lado de fora, um soldado do Corpo de Bombeiros estava fechando o portão. Era o meu sonho indo embora novamente.

Ele disse que a saída era por outro lado, mas perguntou se eu estava sozinho. Respondi a ele que sim, e ele me deixou passar.

Estava eu, de novo, no mesmo lugar onde havia estado por 3 horas antes do show, como um fã enlouquecido de uma banda jovem qualquer.

Já tinha identificado o carro que o trouxe. Seria o mesmo que o levaria de volta.

Mais uns 30 minutos esperando, o povo todo saindo do Teatro pela porta certa. Ninguém perto de mim. Era o ambiente perfeito, como eu havia imaginado.

E vem o carro.

Era eu, o segurança que abria o portão, o portão e o carro.

Enquanto o portão abria, eu fazia sinais com as mãos de "por favor", "só um minutinho", quase me ajoelhando em frente ao carro.

O motorista já tinha me visto antes do show ali mesmo. Possivelmente me reconheceria.

O portão termina de abrir e o carro vem, lentamente.

Me afasto.

O vidro da janela do banco de trás se abre.

É ele. Paulinho da Viola. Sorrindo.

O diálogo foi curto. Eu consegui formular 2 frases completas. A primeira foi: "Paulinho, eu só queria apertar tua mão."

Apertei, beijei, encostei na testa como reverência e... chorei feito uma criança.

A partir daí, eu tenho uma vaga lembrança de tudo porque a vista ficou embaçada e eu estava muito nervoso.

Ele ainda sorrindo, mas um pouco espantado com a situação, perguntou meu nome. Respondi: "Artur". Ele repetiu meu nome.

A segunda frase completa que eu consegui pronunciar foi: "Posso tirar uma foto contigo?"

Ele prontamente aceitou e eu fui pegando o celular pronto para tirar uma selfie com ele ainda dentro do carro, pensando em não incomodar mais do que eu já estava. Mas ele fez questão de sair do carro para a foto.

Sua filha, que eu não olhei direito, mas acho que era a Cecília, se prontificou a tirar a foto.

Nesses poucos segundos de interação eu não consegui formular mais nenhuma frase completa. Lembro de ter dito coisas como: "Blerg...", "Crotz..." e "Flurd...". Ou algo assim.

A foto foi tirada. Eu agradeci. Ele foi embora. E eu, ainda chorando feito uma criança, também.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Não quero mais amar a ninguém

Carlos Moreira de Castro, o Carlos Cachaça, certa vez, fez isso:

Não quero mais amar a ninguém
Não fui feliz
O destino não quis meu primeiro amor
Morreu como a flor ainda em botão
Deixando saudades que dilaceram o meu coração

Cartola ouviu e colocou uma segunda:

Semente de amor sei que sou desde nascença
Mas sem ter brilho e fulgor eis minha sentença
Jurei pela primeira fez um sonho vibrar
Foi beijo que nasceu e morreu sem se chegar a dar


Às vezes dou gargalhada ao lembrar do passado
Nunca pensei em amor, nunca amei nem fui amado
Se julgas que estou mentindo, jurar sou capaz
Foi simples sonho que passou e nada mais



A Mangueira desfilou com este samba em 1936.

Após o carnaval, o Zé da Zilda procurou o Carlos Cachaça com uma proposta de gravação e pediu pra ele assinar uma autorização. Carlos Cachaça ponderou que o Cartola também era autor do samba e devia ser consultado. Zé concordou.

De posse da autorização assinada pelo Carlos Cachaça, ele escreveu uma segunda parte



O que dou preferência hoje em dia
É viver com bastante alegria
E o sorriso que esperava esconder
Saudade que me faz sofrer

e registrou o samba no nome dele e do Carlos Cachaça. Aracy de Almeida gravou este samba em 09/09/1936, e no selo saiu "Não quero mais" (José Gonçalves/Carlos Moreira da Silva). Erraram o nome do Carlos Cachaça. Quando o Cartola soube da gravação foi falar com o Carlos Cachaça que explicou a história toda. Cartola não ficou magoado com o Carlos Cachaça, mas nunca mais falou com o Zé da Zilda.

Em 1973 quando o Paulinho da Viola gravou o samba com a letra original, a Zilda procurou o Paulinho dizendo que tinha direitos, que o Zé era parceiro da música, coisa e tal. O Cartola assinou uma cessão de direitos pra Zilda e nunca mais falou com ela também.

Hoje o Zé consta como autor do samba, mas não tem uma vírgula da autoria dele na letra com que o samba é cantado.
Não significa que o Zé seja encrenqueiro ou "comprositor". Zé tem obras belíssimas, inclusive em parceria com a Zilda, sua esposa.

Colaborou: Barão do Pandeiro

sexta-feira, 23 de março de 2012

Portela registra a história! De novo!

Em 1973, a Portela não veio bem. Vários problemas durante o desfile. O pior deles foi a bateria, que desandou de forma feia e trágica, e a escola amargurou um quarto lugar.
Eis que Paulinho da Portela aparece com um samba e apresenta na quadra para animar o pessoal para o ano seguinte. Em 1974, a Portela ficaria em segundo.


Seu diretor de bateria
(Paulinho da Viola)

Seu diretor de bateria
Aquilo que eu disser não leve a mal
Agora que chegou a calmaria
Vamos esquecer o vendaval
Reúna nossos batuqueiros
Que eu já peguei meu violão
Pois esse ano a Portela vai sair pra definir
Aquela situação

Quem chorou, chorou
Quem sorriu, sorriu
O nosso destino é lutar
Portela não vai deixar cair
Aquilo que construiu

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Samba do paranormal

Pressentimento
(Nermal)

Pressentimento

Em minha mente eu tenho demais
Sanidade que eu tinha, nunca mais
Depois daquele dia
Em que eu fui observador
Que a mulher que eu tanto via
Em vida me teve amor

Hoje ela pensa que estou alucinado
Mas é mentira
Já estou desesperado
Agora estou resolvido
A não enxergar mais ninguém
Porque se só eu vejo
Que graça tem?


Samba original de Mijinha

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Opinião

Vou me redimir da postagem polêmica.

Mas primeiro queria dizer que esse blog é MEU. As opiniões expressas nesse blog são MINHAS.
Não são opiniões da minha mãe. Não são opiniões do meu chefe. Não são opiniões dos meus professores.
São as MINHAS opiniões.
Portanto, eu arco, única e exclusivamente, com os louros e, principalmente, com as consequências.
Se alguém divergir das MINHAS opiniões, ME mande um e-mail, ME telefone, ME consulte. ME procure e vamos conversar.
Pode ser que a gente não chegue num consenso. Nem sempre se chega. Mas vamos conversar, trocar opiniões, informações. Conversa puxa conversa e da conversa nasce a luz.

Eu converso com muitos músicos, desde antes da postagem polêmica. Divirjo de opiniões, frequentemente, mas nem por isso deixo de ser amigo do sujeito. As vezes, até fortalece, ainda mais, a amizade, pois eu sei a opinião dele, respeito, ele sabe a minha opinião e me respeita também.
A opinião sobre a musicalidade da pessoa não interfere na amizade. Posso não gostar do som que ela faz, divergir do estilo musical, mas posso gostar de estar com a pessoa, conversar com ela, beber com ela.


Agora a redenção.
Não me fiz entender muito bem na outra postagem.
Errei quando falei somente de um grupo. Concordo.

O cerne da discussão era pra ter sido a falta de estudo dos grupos de Florianópolis.
Eu falei somente daquele grupo, porque ainda é um dos únicos grupos da cidade que tocam um estilo musical que me agrada. Era um dos grupos que eu ainda depositava esperança de fazer o que eu julgo ser decente. Mas a decepção foi tão grande naquele sábado, que me levou a postar o que postei. Mas não falei nenhuma mentira.

Outro grupos se dizem de "samba raiz" (expressão infeliz), mas tocam pandeiro de nylon e tantã e não passam de aproveitadores grupos de samba moderno, nada "raiz", fazendo uma miscelânea de Maria Rita, Candeia, Mart'nália e Paulo César Pinheiro.
E nem vou falar disso. Alguém que diz que toca samba, mas tem Mart'nália, Arlindo Cruz ou Mauro Diniz como referência não merece mais linhas do que estas no meu blog. Só me façam um favor: não digam que tocam "samba raiz".

A mensagem principal continua, para todos: Gente!!! Vamos estudar!!!
Repertório novo!!! Técnicas de execução novas!!!
E isso eu já falei pra todo mundo com quem tenho contato. Desde os que tocam samba moderno quanto os que tocam samba bom. Falta de aviso não foi.



Não posso negar
(Paulinho da Viola)

Dizem que não tenho muita coisa pra dizer
Por isso eu quero, sem favor, me apresentar
Eu sou de uma Escola diferente
Onde todo mundo sente
Que vaidade não há
Em termos de arte negra, é comigo
Faço aquilo que posso fazer
Samba para mim não é problema
Se você me der um tema
Eu faço samba pra você

Você sabe que eu sou quilombola
E não posso negar
Quem não é do pagode
Comigo não deve brincar

Deixe de lado essa dor
Pára de me provocar
E mora no meu coração, Iaiá


Do álbum Zumbido.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Andar de madrugada

A noite é ilusionista.
A madrugada é mágica.

Andar na rua de noite é ótimo.
É possível pensar no que foi feito durante o dia, e no que pode ser feito para o próximo.

Andar na rua de madrugada é magnífico.
Em cada passo dado um novo mundo é descoberto.
A planta do pé consegue sentir cada imperfeição do chão, cada detalhe. É possível ouvir o impacto causado pelo pisar. E não precisa de força. É jeito. E de um jeito ou de outro, do seu jeito, ande!
Em certo estado de embriaguês, causado pelo álcool ou pela alegria, o chão se torna mero detalhe, imperceptível.

O clima da madrugada é ótimo. E pouco importa o clima. Ela espelha o clima que vem de ti. Se estais feliz, a madrugada está estasiante. Ela reflete de volta em ti e te deixa radiante. É uma das melhores parceiras. Quando se junta com a insônia, sua irmã, fica melhor ainda.
Não há pressa. Não há tempo. Não há movimento. Só o seu. Único e soberano reinando na madrugada.
Mas a madrugada não tem rei. A madrugada não tem dono. Ninguém consegue controlar. Nem o tempo. A madrugada pode durar quanto for preciso, imprecisamente, irresponsavelmente precisa. Ela é mágica.

Uma rua. Simples. Mas a madrugada a transforma no melhor lugar para se andar, comer, beber, namorar, até dormir, se for o caso. A madrugada te dá de bandeja tudo que lhe for merecedor. Respeite a madrugada e serás respeitado por ela e pelos bêbados, mendigos, e demais seres que nela habitam.
Entre na madrugada com paz e terás toda paz necessária.
Entre na madrugada com guerra e não serás bem vindo. Sofrerás todas as chagas que a madrugada reserva para espíritos mal intencionados.
Não existe problema em andar na rua de madrugada. Não existe problema na madrugada.

Andar na rua de madrugada é o melhor exercício.

Foram necessárias algumas madrugadas para poder escrever este texto. Apenas 3 para digitar.


E o povo canta: "Vou pelas minhas madrugadas a cantar, esquecer o que passou" (Candeia / Paulinho da Viola)

sábado, 8 de agosto de 2009

Hino da (falta de) comunicação



As outras duas músicas seguintes são de brinde...

A definição da música, no título, ouvi de Elton Medeiros, e concordo.
A música foi lançada em 1969. E como toda música boa, que não tem idade, essa é atual. E em 2044 continuará sendo atual.


Sinal Fechado
(Paulinho da Viola)

Olá, como vai?
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe...
Quanto tempo...
Pois é... quanto tempo...

Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe?
Quanto tempo...
Pois é... quanto tempo...

Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone
Eu preciso beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana...
O sinal...
Eu procuro você...
Vai abrir... (vai abrir... vai abrir...)
Eu prometo, não esqueço... (não esqueço... não esqueço...)
Por favor, não esqueça... (não esqueça...)
Adeus...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O ideal é competir


Um baita de um samba.
Estou ouvindo essa música há 53 minutos, desde que cheguei em casa.
Essa música me arrepia.

A começar pelos compositores: Candeia e Casquinha. Uma das melhores duplas de compositores.
A melodia se encaixando, de uma forma até grosseira para com as outras músicas, de tão bela, com a letra.
Depois, o arranjo maravilhoso feito pelo Paulinho.
Depois, a simplicidade de como ele é executado, magistralmente simples, no início: Cavaco, pandeiro, violão, tamborins e tantã.
A voz do Paulinho, limpa, tranquila, afinadíssima.
A Velha Guarda, entrando com tudo, com força toda, como se estivesse iniciando um dos desfiles épicos da Portela na Praça 11, tocando e cantando, com a voz da Surica sobressaindo sobre as outras.
"Seus cavaquinhos, seus pandeiros e suas cuícas", como diria Zé Keti.
A cuíca, na levada que só o Casemiro fazia, excelente.
O pandeiro do mestre Argemiro, dono de uma batida única.
Os tamborins de Monarco, Jair e Casquinha.
O Casquinha, um dos compositores, puxando um "quando chegou", para que o samba reinicie.

Demais! Perfeito! Absoluto! Soberano! Sensacional! Glorioso! Fenomenal! Impecável!



Mas eu queria me ater no 6 cordas do César Faria, pai do Paulinho, principalmente quando a música é retomada.
É de chorar!

Eu sempre ouvi e pensei que era um 7 cordas, mas ao ver o encarte e ler que o violonista de 7 cordas (Guaracy, da Velha Guarda) só aparece na segunda parte, e conhecendo o César Faria e o Guaracy como conheço, só posso presumir que seja o próprio César Faria, no 6 cordas, que faz esse chamamento.

Na foto, ao lado do pandeirista.
Deve ser foto de divulgação do Conjunto Época de Ouro, da época. Não sei a autoria.
A data da foto não deve ser muito longe da data da gravação, 1996. Mesmo velho pra caramba, tocava muito! César Faria era o melhor violão de 6 cordas de todos os tempos.

domingo, 9 de novembro de 2008

De Artur de Bem para Paulinho da Viola

Querido Paulinho,

infelizmente não pude ir ao seu show aqui em Florianópolis, dia 7, na UFSC. Os ingressos haviam se acabado.

Quando eu soube que irias fazer um show na minha cidade, tratei de divulgar a informação. Mandei e-mail para a minha rede, relativamente boa, coloquei a notícia em meu blog, relativamente bem lido na cidade, e no site Agenda Samba-Choro, do Paulo Eduardo Neves, que deves conhecer, o maior site de informações de samba do país, do qual eu tenho acesso.
Fui buscar informações sobre o ingresso. Depois de 14 ligações para a UFSC, em uns 4 dias, soube que iriam começar a vender no dia 3, mesma semana do show. Como a minha mãe é professora da UFSC, pedi para ela ir comprar os ingressos. Para nossa surpresa, no mesmo dia em que começaram a vender, já haviam se esgotado (acabaram em 4 horas).

Começou o meu desespero. Liguei para a IMK, empresa que fez o anúncio, para a superintendência do Banco do Brasil, patrocinadora do show, e para a sua produção. Infelizmente não obtive sucesso.

O que me deixa triste é que o pessoal que foi ao seu show não gosta de samba. Se gostasse, também teria lotado o show do Monarco, no mesmo lugar. Mas no show do Monarco havia metade do público. Se gostasse, iria ver os shows de samba que ocorrem todos os dias da semana em Florianópolis, com uma qualidade elogiada por músicos cariocas e paulistas.
O pessoal que foi ver teu show não conhece 1/10 do que eu conheço de ti. Sendo que o que eu conheço de ti não deve chegar a 1/10 do todo.
O pessoal que foi ver teu show deve ter cantado somente Foi um rio que passou em minha vida. E nem deve ter cantado o samba completo.
O público que foi ver o teu show não tem nem idéia de quem seja Cristina Buarque, Celsinho Silva ou o sobrenome Rabello.
O público que foi ver o seu show pensa que Casquinha é apenas aquela parte crocante do sorvete. Que Chatim é o diminutivo de chato, no sotaque florianopolitano. Que Candeia é um trecho do samba que o Zeca Pagodinho canta. Que Bide é aquela peça de banheiro. Que Padeirinho é apenas aquele que faz pão. Que Zé com Fome é nome de mendigo ou de exu. Que Xangô da Mangueira é algum orixá carioca. Que Cartola só compos As rosas não falam. Que Pixinguinha só compos Carinhoso. E que Paulo da Portela será o novo puxador da escola em 2009.

Vários sambistas e chorões de nossa cidade não puderam ir ao teu show. Várias pessoas que entendem de samba não puderam ir ao teu show. Aquele que, muito provavelmente, foi o responsável por avisar mais da metade de quem foi ao teu show, eu, não pode ir ao teu show.
Agora eu mais ou menos sinto na pele o porque de Candeia ter fundado a Quilombo.

Quando eu começei a gostar e entender de samba, o que me deixava frustrado era o fato de que eu nunca iria conhecer os sambistas do Rio e São Paulo. Com sorte já consegui conversar com Monarco, 2 vezes, com Luiz Carlos da Vila, e outros sambistas, que não são da linhagem antiga.

Tu esteves em minha cidade e não pudemos nos encontrar.
Sabe-se lá quando haverá outra oportunidade.
Quem sabe um dia.
Até mais.


De seu fã,

Artur de Bem


-- 
Felicidades, um forte abraço e um grande beijo.

Artur de Bem
http://arturdebem.blogspot.com

E o povo continua cantando: "Foi em Diamantina / Onde nasceu JK / Que a Princesa Leopoldina / Arresolveu se casá..." (Sérgio Porto)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Paulinho da Viola em Florianópolis amanhã

Paulinho da Viola fará um show na UFSC, amanhã, às 21h.

Os ingressos acabaram no primeiro dia de vendas.

Paulinho trás a banda completa (o que é muito importante):
Beatriz Rabello - coroLink
Cristina Buarque - coro
Muiza Adnet - coro
Celsinho Silva - percussão
Marcos Esguleba - percussão
Hercules Nunes - bateria
Cristóvão Bastos - piano
Dininho Silva - baixo
João Rabello - violão
Mário Sève - sopros
Eu ia colocar os mais importantes em negrito, pra ressaltar, mas, se todos ficarem em negrito, nenhum ficaria ressaltado.


E depois de amanhã tem oficina de pandeiro com Celsinho Silva e oficina de choro com Mário Sève,
no Baiacu de Alguém, Santo Antônio de Lisboa.
Mais informações:
Gabriela - 8405-4128 ou Fabrício - 9934-4540.

sábado, 18 de outubro de 2008

Paulinho da Viola em Florianópolis


Foto: Wilton Montenegro/Divulgação

Acabaram os ingressos no mesmo dia em que começaram a vender.

Apesar de não ter nenhuma divulgação, soube do show e divido graciosa informação com vocês.

O Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante traz a Florianópolis show de
Paulinho da Viola, com repertório do CD/DVD MTV Acústico, no dia 7 de novembro, às 21hs, no Teatro do Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina, como parte das comemorações 200 anos do Banco do Brasil.

Paulinho trás a banda completa (o que é muito importante):
Beatriz Rabello - coro
Cristina Buarque - coro
Muiza Adnet - coro
Celsinho Silva - percussão
Marcos Esguleba - percussão
Hercules Nunes - bateria
Cristóvão Bastos - piano
Dininho Silva - baixo
João Rabello - violão
Mario Seve - sopros
Eu ia colocar os mais importantes em negrito, pra ressaltar, mas, se todos ficarem em negrito, nenhum ficaria ressaltado.

Paulinho da Viola
Quando: 07 de novembro
Onde: Teatro do Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina
End: Campus Universitário - Trindade
Horário: 21h.
Ingressos (valor): R$ 15,00 e R$ 7,50, no caso de meia-entrada para clientes BB, estudantes e terceira idade. Serão vendidos a partir do dia 3, na UFSC.
Mais informações:
IMK Relações Públicas


E o povo canta: "Tinha eu 14 anos de idade quando meu pai me chamou. Perguntou-me se eu queria estudar filosofia, medicina ou engenharia. Tinha eu que ser doutor. Mas a minha aspiração era ter um violão para me tornar sambista" (Paulinho da Viola)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Conselho de Cultura de Florianópolis

Dia 2 de setembro, terça-feira, às 14h30, no 1º andar da Câmara, será realizada uma reunião para formar o Conselho de Cultura de Florianópolis.

Há informações, não-oficiais, de que os músicos não estão sendo chamados para compor este Conselho.

Sendo assim, pra desencargo de consciência, e por via das dúvidas, convido todos que são ligados à cultura, inclusive música, seja samba, choro, ou qualquer outra manifestação musical, para participar desta reunião. É aberta.


Segue informação retirada do site da Câmara Municipal de Florianópolis:

Audiência Pública debate reativação urgente do Conselho Municipal de Cultura

A lei que criou o Conselho de Cultura existe há 21 anos mas, na prática, ele não existe, não está em funcionamento. Este foi o debate dos agentes culturais na audiência pública realizada na Câmara Municipal na última terça-feira (19). Com a ausência do Conselho Florianópolis está perdendo convênios e verbas disponíveis no Ministério da Cultura.

Estiveram presentes representantes da Fundação Franklin Cascaes, Associação Catarinense de Artistas Plásticos, além de estudantes e atores.

Os representantes do movimento cultural pediram que o Conselho seja reativado com urgência, para que depois seja remodelado, se necessário.

A produtora teatral Marisa Marcolin alertou que o Conselho já foi apontado com prioridade na Conferência Municipal de Cultura.

Segundo o representante da Fundação Franklin Cascaes a Lei foi mal formulada e está defasada. Para ele, a solução é apresentar emendas para atualizá-la: "é preciso uma proposta de melhoria da Lei adequada a nossa realidade".

Na audiência pública ficou definida reunião para o dia 02 de setembro na sala de Comissões na qual serão discutidas novas propostas para a reativação do Conselho Municipal de Cultura.


E o povo canta: "Há muito tempo escuto esse papo furado dizendo que o samba acabou. Só se foi quando o dia clareou" (Paulinho da Viola)