Em homenagem a grandes cuiqueiros que eu vi em ação: Mestre Catonho, Seu Luiz, Dôga, Fabricio Gonçalves, Alfredo Castro, Gustavo Mariante, Brito, Bidu, Padeirinho, entre outros.
A invenção da cuíca é atribuída a João Mina, batuqueiro da Deixa Falar. Mas, como sempre, há controvérsia.
Segundo Sérgio Cabral, a cuíca já era usada há décadas anteriores, nos cordões carnavalescos.
Segundo outras diversas fontes, a cuíca é um instrumento de origem africana. Era um pouco diferente da que se usa hoje em dia, com a vareta, varão, bambu, do lado de fora.
Talvez a cuíca usada nos cordões seja uma mais rudimentar, sendo João Mina o primeiro a usá-la do modo como se usa hoje.
Seja como for, João Mina está na história também por ser parceiro de Noel Rosa no partido alto "De babado".
Mas a postagem é sobre cuíca, então lá vai.
Getúlio Marinho "Amor" fez um samba, "Molha o pano", em parceria com Cândido Vasconcelos, sobre o instrumento.
Gravação de Aurora Miranda.
Molha o pano
Pega na cuíca
Puxa certo e com cadência
Veja o samba como fica
Fui num pagode
A família deu um "não"
Aqui não se quer cuíca
Porque não é barracão
Fiquei sentida
"Coragem!" Gritou meu mano
Quem é rico paga orquestra
E quem é pobre molha o pano
É um abuso
E por demais autoridade
Fazer pouco em quem é pobre
Só por ter felicidade
Não fiz barulho
Porque me julgo decente
Tratei de molhar o pano
E gritei “vamos em frente"
Há este vídeo, de um filme feito em 1936. É o mesmo áudio de cima.
O mais interessante nisso é que quem está tocando cuíca, ao menos no filme, é o grande Bide! Uma imagem rara, talvez única, do Bide em vídeo.
Wilson Baptista também dá o seu recado. Neste samba, em parceria com Haroldo Lobo, ensinam "Como se faz uma cuíca".
Gravação de Anjos do Inferno, em 1944.
Um pedaço de pau
Um pedaço de couro
Numa barrica
É assim que se faz uma cuíca
Depois de tudo acabado
Tem outra observação
Arranje um pano molhado
Para fazer a marcação
Venham ver como é que o samba fica
O piano é de nobre
O instrumento de pobre é a cuíca
Cuíca, pra mim, é instrumento de molho. De acompanhamento.
Mas bato palmas pra Fritz Escovão!
Agora sim! Fritz Escovão!
Termino a postagem com este breve documentário, de 1978, sobre cuíca.
Grande dúvida que me corrói: instrumento de percussão ou de harmonia?
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sábado, 12 de janeiro de 2013
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Que baixo!
Retirado do Songbook Noel Rosa, de Almir Chediak. Texto de Sérgio Cabral.
Em entrevista cedida ao Diário Carioca (o entrevistador era o grande jornalista da música popular e do carnaval, João Ferreira Gomes, o Jota Efegê), em janeiro de 1936, Noel Rosa contou que Araci de Almeida não queria gravar esta marchinha, destinada a compor o outro lado do disco em que gravaria 'Palpite infeliz'. E explicou a razão: "Onde já se viu namorar pulga? E sem saber qual é o macho?"
Noel respondeu dizendo que se ela não queria gravar 'Que baixo!', não gravaria também 'Palpite infeliz'.
Araci de Almeida gravou, é claro.
Primeira gravação lançada em janeiro de 1936, por Araci de Almeida, em discos Victor.
Que baixo!
(Noel Rosa e Nássara)
Você cozinha, racha a lenha e eu não racho
Que baixo!
Que baixo!
Namora pulga sem saber quem é o macho
Que baixo!
Que baixo!
Você me diz que faz a gente de capacho
Mas eu não acho
Mas eu não acho
Planta dinheiro pra nascer dinheiro em cacho
Que grande baixo!
Que grande baixo!
Você cozinha, racha a lenha e eu não racho
Que baixo!
Que baixo!
Namora pulga sem saber quem é o macho
Que baixo!
Que baixo!
Você me diz que toca bem o contrabaixo
Mas eu não acho
Mas eu não acho
Você afina, parte a corda e eu me abaixo
Que grande baixo!
Que grande baixo!
Atalho
Almir Chediak,
Araci de Almeira,
Jota Efegê,
Música,
Nássara,
Noel Rosa,
Sérgio Cabral
sábado, 6 de dezembro de 2008
Raidinho - Buci Moreira
Há pessoas que não merecem ouvir este raidinho. E provavelmente não seja justo com quem mereça. Não é querer ser egoísta, mas certas informações não podem ser repassadas para qualquer um.

Mesmo assim publico o áudio do programa Ensaio, do pesquisador Fernando Faro, com Buci Moreira.
Abaixo trecho do livro "As Escolas de Samba do Rio de Janeiro" vol.2 (minha bíblia), de Sérgio Cabral (meu papa). Porque ninguém melhor que Sérgio Cabral, maior pesquisador de samba, para falar sobre Buci.
Buci Moreira (1909-1984) foi um sambista completo, não tivesse ele, neto da famosa tia Ciata, o sangue azul da música popular brasileira.
Compositor e ritmista profissional, foi autor de sambas dotados de um balanço extraordinário, desses que fazem a alegria dos cantores cheios de bossa, mestres na arte de interpretar um bom sincopado. Uma pena que Buci tenha morrido sem que o cinema e a televisão tenham documentado o seu talento para dançar o samba. Não conheci outro homem que executasse tão bem os passos do samba e que exibisse com tanta graça o sapateado ou a dança do miudinho.
Nascido no Rio de Janeiro, estudou na Escola Benjamim Constant, na Praça Onze, desfilou pelo Bloco Deixa Falar e atuou durante alguns anos como diretor de harmonia da Escola de Samba Vê se Pode, do Morro de São Carlos. Foi um dos compositores de samba descobertos por Francisco Alves, que, em fins de 1929, promoveu a sua estréia como compositor, cantor, ocupando o lugar que era, anteriormente, de Baiaco.
Autor de "Não põe a mão", "Quem pode, pode", "Não precisa pagar" e de tantas outras músicas, foi integrante de um grupo de compositores que, nos anos 30 e 40, fazia ponto nos botequins da Praça Tiradentes para vender os seus sambas. Eram autores pobres que, muitas vezes, passavam adiante verdadeiras obras-primas em troca de trocados que os libertassem de certas aflições. Ele, Wilson Batista e Raul Marques eram os mais destacados membros desse grupo.
Foto: Arquivo Walter Firmo
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Sérgio Cabral, meu Papa!
Retirado do site da Folha:
Documentário retrata jornalista carioca Sérgio Cabral
Luiz Fernando Vianna
da Folha de S. Paulo
Documentário retrata jornalista carioca Sérgio Cabral
Luiz Fernando Vianna
da Folha de S. Paulo
Quando a imprensa pede a pessoas que citem o nome de um protótipo de carioca, é comum a resposta ser "Sérgio Cabral". A relação com a cidade natal do jornalista, pesquisador musical, produtor de discos, boêmio, vascaíno, político e, agora, pai de governador é o eixo do documentário "Sérgio Cabral - A Cara do Rio".
Mas o filme, que tem direção de Fernando Barbosa Lima, Dermeval Netto e Rozane Braga, não é de interesse restrito a cariocas. Cabral, por exemplo, participou de momentos importantes da música brasileira, como a organização das atrações do histórico bar Zicartola, entre 1963 e 1965, e a produção de grandes discos de sambistas (Cartola, Dona Ivone Lara e outros) nos anos 70.
Também foi ele, ao lado do compositor Zé Keti, que criou a alcunha Paulinho da Viola para Paulo César Baptista de Faria, nome sem muita ginga para um sambista. É o próprio Paulinho quem conta a história no filme.
Martinho da Vila e Nelson Sargento são alguns dos outros amigos que participam.
Com Ziraldo, a conversa é sobre os tempos de "O Pasquim", jornal que os dois ajudaram a fundar e que lhes custou meses de cadeia durante a ditadura. Sem ousadias formais, o documentário é simples e divertido, como o personagem que retrata.
Sérgio Cabral - A Cara do Rio
Quando: hoje (20), às 20h30
Onde: Canal Brasil
Classificação indicativa: livre
Quando: hoje (20), às 20h30
Onde: Canal Brasil
Classificação indicativa: livre
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