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sexta-feira, 30 de junho de 2017

Noel Rosa - Faz Vergonha

Nas batalhas de confete da Tijuca, Vila Isabel e Andaraí, principalmente na mais famosa delas, que era a da Rua Dona Zulmira, os blocos do Salgueiro sempre faziam bonito, marcavam a sua presença. Era tempo de corda, que impedia a invasão de estranhos e permitia que todos brincassem despreocupados e à vontade. Mas, sem dúvida, havia uma grande pinimba entre os blocos dos outros lugares e os do Salgueiro, isso porque, na hora em que era preciso, o pessoal do morro se juntava para enfrentar o adversário comum. Em Vila Isabel havia um bloco muito temido, o Faz Vergonha, no qual saíam Noel Rosa, Henrique Foréis Domingues (Almirante), Carlos Alberto Ferreira Braga (João de Barro), Álvaro de Miranda Ribeiro (Alvinho), Nássara e outros rapazes da mesma turma. Consta que foi em janeiro de 1935, numa batalha da Rua Dona Zulmira, que Noel Rosa, de pura implicância, saiu no Faz Vergonha cantando o seguinte samba:


Oswaldo Cruz, Morro da Mangueira
Favela, Estácio de Sá
Vamos acordar o Salgueiro
O mundo inteiro
Quer ouvir o seu cantar

Os brios salgueirenses foram feridos. Os integrantes dos blocos foram contar o sucedido ao diretor do Azul e Branco, Antenor Santíssimo de Araújo, o famoso Antenor Gargalhada, que estava na tendinha do seu Candinho tomando umas e outras com a rapaziada. Quando tomou conhecimento do assunto, quem assistiu diz que ele pediu 500 réis de cachaça, deu pro santo, tomou, deu uma cusparada para o lado e quando voltou já veio com a resposta pronta:


Uma resposta em cima da hora
Temos o prazer e glória em citar
O Salgueiro não está adormecido
Quem é a Vila pra nos acordar?


Trecho retirado do livro "Salgueiro: academia do samba", de Haroldo Costa. No livro constam as partituras das músicas. Escrevi em um programa de editor de partituras e criei o áudio da melodia.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Salgueiro registra a história

Em 1953 quando no Morro do Salgueiro ainda haviam 3 escolas, a Azul e Branco, a Depois Eu Digo, e a Unidos do Salgueiro, o Geraldo Babão fez um samba falando sobre balançar a roseira, após o resultado do desfile onde nenhuma das 3 escolas conseguiu um bom resultado.
Nesse samba, Geraldo Babão propôs que se unissem as escolas para formar uma única, poderosa.

Em 1959, já com a união das escolas, a Acadêmicos do Salgueiro veio com um samba lindo, desfile bonito, todo mundo achava que dessa vez ia dar, mas não ganhou. Perdeu pra Portela.
Binha, compositor do Salgueiro fez esse samba, registrando o ocorrido e remetendo ao samba de Geraldo Babão.

Aos 1'46''


Em 59 balançamos a roseira
(Binha)

Em 59
Balançamos a roseira
Demos susto na Portela
Derrubando o Império e a Mangueira
Por 1 ponto e meio
Perdemos a grande vitória
Mas fomos vice-campeões
Com orgulho e glória

Salve
Academia do Salgueiro
Foi a vedete sem igual
No dia 8 de fevereiro
Representou com genial saber
Obras e vultos de Debret


O legal disso tudo é a letra espetacular! Além da melodia, também espetacular!
Ele conta o dia, mês, ano, as 4 primeiras posições, a diferença de pontuação, o enredo, faz uma referência a outro samba do Salgueiro e ainda exalta sua escola, mesmo perdendo.

Sensacional!!!

O Salgueiro veio a conquistar seu primeiro título em 1960, dividindo com a Portela, Mangueira, Império e Unidos da Capela. Em 1963, venceria sozinha.