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terça-feira, 16 de março de 2021

A periferia e a religião

A periferia é o lugar mais democrático do mundo. Até rico é bem vindo.

Só na periferia um umbandista pode conviver ao lado de uma evangélica.

E no último domingo passei a manhã ouvindo Ludmila de um lado e uma outra mulher gritando de outro. Pensei ser outro funk. Até que dei uma esticada no pescoço e entendi que se tratava de uma cantora gospel despejando toda sua emoção de louvor a deus. E era emoção.

Eu conheço algumas músicas de louvor também. Esse abaixo é um samba, mas também é usada nos templos, como forma de oração. Falando o bom português, é um ponto, cantado nos terreiros de umbanda.

De autoria de Getúlio Marinho Amor e uma gravação excelente do Morengueira, a história fala sobre um homem que apareceu em uma roda de pernada que o pessoal fazia antigamente, e derrubou todo mundo.

Era meia noite
(Getúlio Marinho Amor)

Era meia noite quando o malvado chegou

Quando o malvado chegou
Todo mundo ajoelhou
Todos tremiam de medo
Meu Deus do céu que horror

Apanhei o meu pandeiro
Fui saindo de fininho
Quando vi que era o malvado
Que vinha lá no caminho

Ele vinha tão zangado
E não quis saber de nada
Deu as ordens a todo mundo
Acabou a batucada

sábado, 12 de janeiro de 2013

Cuíca

Em homenagem a grandes cuiqueiros que eu vi em ação: Mestre Catonho, Seu Luiz, Dôga, Fabricio Gonçalves, Alfredo Castro, Gustavo Mariante, Brito, Bidu, Padeirinho, entre outros.

A invenção da cuíca é atribuída a João Mina, batuqueiro da Deixa Falar. Mas, como sempre, há controvérsia.

Segundo Sérgio Cabral, a cuíca já era usada há décadas anteriores, nos cordões carnavalescos.
Segundo outras diversas fontes, a cuíca é um instrumento de origem africana. Era um pouco diferente da que se usa hoje em dia, com a vareta, varão, bambu, do lado de fora.
Talvez a cuíca usada nos cordões seja uma mais rudimentar, sendo João Mina o primeiro a usá-la do modo como se usa hoje.
Seja como for, João Mina está na história também por ser parceiro de Noel Rosa no partido alto "De babado".
Mas a postagem é sobre cuíca, então lá vai.

Getúlio Marinho "Amor" fez um samba, "Molha o pano", em parceria com Cândido Vasconcelos, sobre o instrumento.
Gravação de Aurora Miranda.


Molha o pano
Pega na cuíca
Puxa certo e com cadência
Veja o samba como fica

Fui num pagode
A família deu um "não"
Aqui não se quer cuíca
Porque não é barracão

Fiquei sentida
"Coragem!" Gritou meu mano
Quem é rico paga orquestra
E quem é pobre molha o pano

É um abuso
E por demais autoridade
Fazer pouco em quem é pobre
Só por ter felicidade

Não fiz barulho
Porque me julgo decente
Tratei de molhar o pano
E gritei “vamos em frente"


Há este vídeo, de um filme feito em 1936. É o mesmo áudio de cima.
O mais interessante nisso é que quem está tocando cuíca, ao menos no filme, é o grande Bide! Uma imagem rara, talvez única, do Bide em vídeo.



Wilson Baptista também dá o seu recado. Neste samba, em parceria com Haroldo Lobo, ensinam "Como se faz uma cuíca".
Gravação de Anjos do Inferno, em 1944.


Um pedaço de pau
Um pedaço de couro
Numa barrica
É assim que se faz uma cuíca

Depois de tudo acabado
Tem outra observação
Arranje um pano molhado
Para fazer a marcação
Venham ver como é que o samba fica
O piano é de nobre
O instrumento de pobre é a cuíca


Cuíca, pra mim, é instrumento de molho. De acompanhamento.
Mas bato palmas pra Fritz Escovão!


Agora sim! Fritz Escovão!



Termino a postagem com este breve documentário, de 1978, sobre cuíca.


Grande dúvida que me corrói: instrumento de percussão ou de harmonia?