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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia - Eu tenho, e você?


Aviso aos navegantes!
Algumas pessoas já me perguntaram desse cd.
Então eu procurei o responsável e agora estou servindo de ponte para quem quiser comprar o cd do Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia, já que o cd parece que ainda não chegou em Floripa.
O melhor cd de 2010 e um dos melhores dos últimos tempos.

Mais sobre o cd, aqui.



Preciso de uma quantidade exata de cds para solicitar.
O preço? R$ 25.
Eu tenho e recomendo.
O cd tem encarte com todas as letras, umas fotos e um texto de apresentação.
São 10 faixas e 30 músicas, gravadas ao vivo.

Quem quiser o cd, deixe um comentário, que a mensagem vai diretamente para minha caixa de e-mails!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Samba em São Paulo

Terreiro Grande e Cristina Buarque fizeram um cd em homenagem ao Candeia.
O lançamento foi no Bar do Alemão, O Patriota, considerado por eles com o a segunda casa. E é.

E esse é o Alemão. Fiquei devendo uma foto com ele da outra vez. Ta aí!

O cd é um pedaço de qualquer coisa melhor do mundo.
A roda de samba deles é outro pedaço da mesma qualquer coisa.
Não há nada parecido. Nada!

Eu não tenho capacidade para demonstrar, em texto, a qualidade deles.
Tentei, mas ficou muito aquém do necessário.

Só posso dizer que os orixás me presentearam. Disseram assim: "Artur, não conhecestes os mestres daquela época. Não convivestes com eles. Não sentastes na mesa com um Nelson Cavaquinho, Chico Santana ou Francisco Alves. Não participastes de nenhuma roda de samba com Osmar Procópio, Velha ou Paulo da Portela. Não participastes de nenhuma roda de partido alto com Aniceto, Xangô ou Candeia. Não fostes a nenhuma Festa da Penha com João da Bahiana, Donga ou Ismael Silva. Nunca vistes uma batucada com Buci, Raul e Arnô Canegal. Não curtistes uma noitada com Brancura, Baiaco ou Noel Rosa. Então vamos criar o Terreiro Grande na tua época, pra compensar tudo isso. Temos certeza que irás gostar!"

Aqui, uma ediçãozinha meio mais ou menos da viagem.
Já mostrei pra alguns e ninguém entendeu, mas eu to no ônibus, indo pra SP. Interpretem com quiser.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Peso é peso!




Sabem o vídeo da postagem anterior?
Então... É Tuco e o Batalhão de Sambistas. Tuco também faz parte do Terreiro Grande.
Estou indo lá pra São Paulo, de novo, ver o show "Peso é peso" e a gravação do cd ao vivo do show.


E eu vou cantando: "Todos que pertencem ao samba do Rio te mandam um abraço. Paulicéia, Ô! Paulicéia, Ô!" (Cartola / Paulo da Portela)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

São Paulo em 3 tempos

A ida, A viagem e O Samba.

A ida
Foram algumas tentativas de sair de Florianópolis e curtir um samba lá fora.

A primeira tentativa foi para o Rio de Janeiro, na Rua do Ouvidor. O samba acontece quinzenalmente aos sábados. Avisei pro povo que eu iria, já tava tudo combinado, pousada, antes de voltar ia passar em Curitiba, etc. Curitiba não deu certo, então a volta já ia ser direto pra casa. Mas o pior foi que, pela primeira vez no ano, choveu no sábado que teve o samba e, consequentemente, pela primeira vez no ano, não teve o Samba da Ouvidor.

A segunda tentativa foi para São Paulo. Avisei pro povo que eu iria, tudo certo pra ir, passagem comprada, e no começo da semana fiquei gripado. "Dane-se!", pensei, "Vou assim mesmo". Na quinta de noite, vendo mapa do metrô com a mãe, recebo um e-mail dizendo que o samba tinha sido cancelado por motivos de força maior. Fui até a Rodoviária e troquei a passagem. Deixei em aberto.

A terceira e última tentativa foi de novo para São Paulo. Avisei pra minha chefe, pra minha mãe e pra dois amigos. Coincidências ou não, dessa vez eu consegui ir. Ainda assim, teve apagão na semana, peguei um acidente no caminho, que me deixou numa fila por duas horas, e alguns integrantes do grupo não foram. Mas foi demais!

A viagem
A viagem é sempre tranquila. Medo na BR pra que?

Logo no início da viagem, o meu chacra da região lombar sente um friozinho. Algo ruim que está por vir? Não. É o ar condicionado que está forte. Regulado o aparelho, a viagem segue.

Um certo momento, já eram umas 3 da manhã, eu acordo e vejo que o ônibus está andando a cerca de 60Km/h. Meu ouvido está com aquela sensação de quando estamos subindo o Morro da Lagoa. Olho pela janela e vejo tudo embaçado, parece neblina. Percebo alguns focos de luz, mas não consigo identificar bulhufas. Só ouço carros passando pelo ônibus e o ônibus passando por caminhões, mas não percebo nenhum movimento contrário. Agora é descida. O ônibus mantém a velocidade. E eu continuo sem enxergar nada.

Lembro de não ter visto troca de motorista, como de vez em quando se faz em viagens longas. Como saímos às 21h30, faço um breve cálculo, sem chegar a terminar, e me pergunto se o motorista não está com sono. Preocupação pouca é bobagem.

Aí me vem uma luz: esfrego a mão no vidro, por consequência molho a mão, e tudo aquilo que me era embaçado, transforma-se, magicamente, em perfeita nitidez. Volto a dormir.

A estrada é cruel. Foto: Artur de Bem

Já em São Paulo, ou redondezas, 8h, ônibus parado. Os passageiros fazem algumas ligações e descobrem que aconteceu um acidente em uma obra à frente. Às 10h, retomamos nosso rumo.
Adentrando a cidade, sou recepcionado por um mundo laranja. Seja pelo chão e paredões barrentos, seja pelas casas de tijolo sem reboco. E é um negócio muito grande. Bom, toda São Paulo é muito grande. O que nós vemos aqui em Floripa, lá é três vezes mais.
Túneis, rodovias, passarelas, rio, poluição, carros, Rodoviária. Tudo no caminho, tudo muito grande.
Da Rodoviária para Tatuapé, local do samba, foi mais fácil do que chegar no Morro das Pedras, sul da ilha. Metrô rápido, placas de indicações, mapas, pessoas para informações. Claro que se eu morasse lá, possivelmente ia encontrar algo para reclamar, mas pra mim foi bom.

Chegando no bar O Patriota, bar do Alemão, pergunto: "Aqui é o bar do Alemão?". Ao que o Alemão responde: "Sou eu!". Era meio dia, o samba ia começar mais tarde, não tinha onde ficar, então fiquei no bar conversando com ele. O Alemão é demais! Melhor dono de bar! Me contou várias histórias! Super gente boa! Fiquei devendo de tirar uma foto com ele.

O Samba
O Samba começou a chegar por volta das 13h. Se apresentou como Eri, caixa de fósforo no grupo. Depois o Samba chegou com o nome de Jorge, um dos tamborins. Aí o Samba veio com o nome de Edinho, um dos cavacos. A partir daí, o Samba foi chegando por (quase) completo: Alfredo, cuíca, Pereira, um dos tamborins, Neco, reco-reco, Careca, um dos tamborins, Cardoso, 7 cordas, Luizinho, pandeiro, Wilson Miséria, prato e faca, Renato Martins, agogô, Lelo, 6 cordas e Marcelo Cabeça, garrafa, fazendo uma participação.
Cristina Buarque, Roberto Didio, Bocão e Tuco não puderam comparecer.

Eu não tive condições, nem tempo, de me sentir surpreendido por me encontrar com o Samba, porque o Samba me deixou super a vontade.
"Pô! Tu veio de Floripa só pra ver o Terreiro Grande?" era o que eu mais ouvia. Seguido de: "E não bebe?? Mais maluco do que eu pensei!"

Marcado para começas às 16h, só às 18h30, por intempéries, é que o violão começou os primeiros acordes. Mas juro que não fiquei chateado. A tarde estava muito boa. Todo o Terreiro Grande é legal. Conversas mil. E eu estava, como disse André Carvalho, parecendo criança com brinquedo novo.
Eu estava meio aéreo na verdade. Tudo aquilo que eu via pela internet, admirava, idolatrava salve salve, estava sentado comigo numa mesa de bar, conversando, falando besteira, contando piada, etc. Foi demais pra mim! Estava sem reação.

Vista de fora do bar. O Samba ainda não tinha começado. Foto: Artur de Bem

Principal dúvida: fazer a roda aqui dentro ou aqui fora? Foto: Artur de Bem

Tinha uma Coca-cola na mesa. Era minha. Foto: Artur de Bem

Fala, Jorgera!!! Foto: Artur de Bem

Ai, ai (suspiro). Foto: Artur de Bem

Samba rolando, era só alegria.
Tentei de várias maneiras descrever o samba, juro que tentei, mas não consegui. Não dá.
Não é só pelo repertório, pelos instrumentos, pela forma de tocar, por todos cantando, pela dinâmica de grupo. É todo um clima que, somado a tudo isso, fez do Bar O Patriota (o bar do Alemão), pelo Terreiro Grande, as melhores 2 horas e meia de samba ainda não digeridas.
Eu ficava até sem jeito quando eles puxavam algum samba que eu não conhecia. Os caras são muito bons!!!

Só fiquei chateado porque tive que ir embora cedo pois já estava com passagem comprada. Até me passou pela cabeça de endoidar e só voltar domingo, mas achei melhor endoidar em uma outra oportunidade.
Tentei sair de forma discreta, mas o Jorge não deixou.

Outra coisa que me deixou chateado foi a última frase dita quando eu já estava na porta: "Vamos fazer um partido alto?"
Fingi que não ouvi, porque se eu ouvisse, ia querer ficar mais um pouco e tenho certeza que esse "mais um pouco" ia ser até hoje.

Gente! Eu conheci o Terreiro Grande!
Nem eu tenho a noção completa do que vivi.


Só sei que eu canto: "Juro que fiquei boquiaberto. Nunca me senti tão perto da Portela de tempos atrás" (Monarco)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Os "ismos" do Samba 2

Mais um texto do Renato Martins, integrante do grupo Terreiro Grande, retirado do blog do grupo.


Radicalismo e Tolerância Zero

Acho que jamais se ouviu falar tanto em radicalismo como se ouve hoje em dia. O que não significa que o radicalismo esteja, de fato, em alta nesses tempos, seja no samba ou seja em qualquer outro seguimento. Para falar a verdade não está.

Mesmo que qualquer pessoa pudesses ser radical em tudo, ou mesmo que alguém pudesse ser completamente condescendente em tudo, não vejo ainda razão plausível para a crítica estúpida e burra a um determinado grupo de pessoas que prefere caminhar, radicalmente ou não, da forma que quiser. É muito limitado pensar que o certo é não ser radical, ou vice-versa.

O que me assusta muito, é essa pregação desesperada a favor da moderação, do "me deixa que eu te deixo", do "fala bem de mim, que eu falo bem de você...". No samba isso tem se tornado uma verdadeira febre. É um furor de não-me-toque, irracional, sem razão de ser. Não se pode mais falar de nada, quando o que se tem a dizer, não é o que esperam. Dizer que não gosta, que prefere outro, que não ouve, que não canta, que não compra o disco, etc... Ou seja, o simples direito de se posicionar, virou radicalismo. Tem que dizer que adora, que ouve, que ama, ou então omitir-se e não dizer nada. Pois eu, prefiro pular do muro e que se foda se quebrar a perna. Melhor que ficar lá em cima, com medinho de pular, pendendo de um lado pro outro. Tô fora! Fazer o joguinho da boa vizinhança por conveniência, é um jogo que não queremos jogar, que não podemos jogar. O bom senso tá aí, pra todo mundo usar como quiser. Não confundam intolerância com radicalismo. São coisas completamente distintas. O intolerante é um sujeito que, sem argumento, prefere apelar para a baixaria. O radical é aquele que escolheu não se ausentar e, com sabedoria, diz o que pensa, sem média. Quem critica o radicalismo é radical às avessas, porque em contrapartida, discursa a moderação como uma forma de se dar bem no mundo cão. Papo muito furado, pra não dizer outra coisa.

Fico me perguntando, e acho que todos deveriam, a serviço de quem está esse discurso criticando o radicalismo? A quem interessa essa separação no samba, que não permite que todos possam fazê-lo da forma como acreditarem? Quando foi que o samba foi pautado pelo que a indústria arrota?
Vejo essa retomada, radical, pelo samba do passado, como uma busca do povo por algo desconhecido e, portanto, novo. Devemos achar normal que apenas uma parte da história torne-se pública? Devemos achar natural que o povo não conheça os gênios que criaram a sua música? Devemos nos conformar e deixar que apenas uma parte se pronuncie sobre o que é samba? Quem disse? Nunca!

No samba não tem certo e errado.Cada um é livre pra fazer o que quiser. Para ser radical, pra não ser, inclusive. Se todo mundo tivesse o espaço merecido, e não apenas meia dúzia de indivíduos, talvez o radicalismo não tivesse razão de existir. Mas ainda estamos longe de um cenário mais justo nessa indústria cultural vendida.

Portanto, conversa fiada já teve seu tempo. Não adianta chiar, querer ser maior que o mundo. É o tempo que está clamando por um novo surgimento. É tudo em prol do samba que deve ser. Abaixo essa distribuição banal de títulos. O povo vai retomar o que é dele. Samba quem faz é o coletivo. Afinal, vai passar todo mundo. Ele vai ficar aí...

Até.

Renato Martins
Artur de Bem (assino embaixo)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Os "ismos" do Samba

Texto de Renato Martins, integrante do grupo Terreiro Grande, retirado do blog do grupo.


A discussão está lançada! Está nas ruas a campanha “ABAIXO O RADICALISMO NO SAMBA”. O aviso em todos os cantos diz: “Cuidado com o que fala Mas, como esse espaço não tem absolutamente nada a perder porque nunca se pautou pela recompensa que eles estão interessados em dar, ele segue cumprindo o papel de dizer o que bem entende, com radicalismo ou não, e tomando sempre muito cuidado. Mas não o cuidado proposto pela regra da boa convivência, mas o cuidado de atingir sempre, quem julgar necessário. E nesse intento, ele tem sido bem fiel à sua proposta inicial.

“Ismo” nº 1Saudosismo.

Esse, é praticamente a causa de toda a discussão. Existe uma leva, que não é pequena, de pessoas que simplesmente não se conformam com o fato de alguém ter mais apreço pelas coisas do passado.


No samba, o foco são as músicas antigas que algumas pessoas declaram preferência. E mesmo que o samba não tivesse pouco menos de cem anos – comparado com a música clássica européia, o samba é um bebê engatinhando, nem por isso vê-se chamar os maestros de orquestras de saudosistas -, mesmo que Noel não tivesse morrido em 37 e suas músicas não fossem tão atuais como são, mesmo que Pixinguinha não tivesse se tornado estudo obrigatório em várias universidades de música no mundo até HOJE, mesmo que não tivessem sido completados apenas pouco mais de 30 anos da morte do criador do surdo e revolucionário do ritmo, essa discussão ainda assim seria inútil. Porque música boa não é perecível, é eterna. Assim como são eternos, João da Bahiana e Mozart. E é mais absurdo se pensarmos que os atingidos por essas críticas ao saudosismo, são em sua imensa maioria, jovens que sequer tiveram o prazer de sentar-se com Bide pra tomar um chope, ou varar a noite num butiquim com o Nelson Cavaquinho, ou ouvir o Cartola lançar rabugices contra o barulho em sua casa... São jovens que sem nada disso, sentiram, com o mais puro desinteresse, a respiração da boa música, sem pensar se essa música tinha cinco ou cinqüenta anos. Porque isso jamais teve mais importância do que o necessário.

Mas, existe e sempre existiu, uma leva de pessoas que propõem a renovação como regra, como se o samba, ou qualquer música, não se renovasse naturalmente. E mais que isso, falam dessa renovação com entusiasmo revolucionário, de olhar futuro, de necessidade incontrolável em seguir os novos tempos. Besteira! Esses nem sequer pararam pra olhar a renovação transformando tudo em silêncio e naturalmente, sem que nenhum intruso precisasse propor nada.

Quem chama alguém de saudosista, tem o olho torto, como aquela trupe de intelectuais que chamou o Candeia de ultrapassado, quando este propôs mudanças radicais no curso da Escola de Samba. E nem precisou de tantos anos pra ficar claro o quanto ele estava certo.

Chamar esse pessoal de saudosista, é uma forma covarde de tentar forçar as pessoas a seguirem alguma “tendência”. Assim como é covarde dizer que ser saudosista é negar o novo. Mentira! Isso é mudar o foco da verdadeira história. E a verdadeira história diz que o novo está em todo o lugar, querendo surgir, querendo um espaço. Porém, o novo está à mercê de uma dúzia engravatada que não quer mudanças. Não querem ver o novo surgir. Não querem mudar o time, porque acham que o time tá ganhando. Então, é muito mais fácil chamar de saudosista, quem não se molda ao estilo que eles querem manter.

Por isso é que ninguém tem que ser chamado de saudosista, pejorativamente, e ficar quieto. Porque atrás desse “apelidinho” está bem mais do que a intenção de criticar. Está, sim, a nítida intenção de segregar um pessoal que, admitamos, está fazendo bastante barulho ultimamente.

Até!



Clap, clap, clap, clap, clap.....