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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Que baixo!

Retirado do Songbook Noel Rosa, de Almir Chediak. Texto de Sérgio Cabral.

Em entrevista cedida ao Diário Carioca (o entrevistador era o grande jornalista da música popular e do carnaval, João Ferreira Gomes, o Jota Efegê), em janeiro de 1936, Noel Rosa contou que Araci de Almeida não queria gravar esta marchinha, destinada a compor o outro lado do disco em que gravaria 'Palpite infeliz'. E explicou a razão: "Onde já se viu namorar pulga? E sem saber qual é o macho?"
Noel respondeu dizendo que se ela não queria gravar 'Que baixo!', não gravaria também 'Palpite infeliz'.
Araci de Almeida gravou, é claro.
Primeira gravação lançada em janeiro de 1936, por Araci de Almeida, em discos Victor.

Que baixo!
(Noel Rosa e Nássara)

Você cozinha, racha a lenha e eu não racho
Que baixo!
Que baixo!
Namora pulga sem saber quem é o macho
Que baixo!
Que baixo!
Você me diz que faz a gente de capacho
Mas eu não acho
Mas eu não acho
Planta dinheiro pra nascer dinheiro em cacho
Que grande baixo!
Que grande baixo!
Você cozinha, racha a lenha e eu não racho
Que baixo!
Que baixo!
Namora pulga sem saber quem é o macho
Que baixo!
Que baixo!
Você me diz que toca bem o contrabaixo
Mas eu não acho
Mas eu não acho
Você afina, parte a corda e eu me abaixo
Que grande baixo!
Que grande baixo!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Saudosismo

Publicado no Song Book sobre Braguinha, de Almir Chediak.

Utilizando todo o charme nostálgico da marcha-rancho, Braguinha rememora o ingênuo encanto dos carnavais de outrora e o compara com a realidade bem diferente dos novos tempos, arrematando filosoficamente: "Então repito a pergunta / que o tempo não respondeu: / o que teria mudado? / o meu carnaval ou eu?...". Saudosismo foi gravado pelo compositor, firme em seus então 75 anos, com o acompanhamento do conjunto Coisas Nossas, em dezembro de 1982.
(Texto de Jairo Severiano)


Saudosismo
(João de Barro)

Onde andará a Colombina
Que o carnaval esqueceu
Com seu olhar de menina
Travessa que Deus lhe deu?

Onde andará a Colombina
Onde andará seu Pierrô?
Sempre à procura de um sonho
Que nunca realizou

Hoje o carnaval está mudado
E o palhaço vai ao baile de "blu-jim"
O Arlequim não muda de bermuda
E a Maria Antonieta nua é o fim

Não há mais lança perfume
Nem serpentinas no ar
Meu carnaval se resume
Em ver a escola passar

Então repito a pergunta
Que o tempo não respondeu
O que teria mudado?
O meu carnaval ou eu?
(grifo meu)



Aos 7'20"