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sábado, 12 de janeiro de 2013

Cuíca

Em homenagem a grandes cuiqueiros que eu vi em ação: Mestre Catonho, Seu Luiz, Dôga, Fabricio Gonçalves, Alfredo Castro, Gustavo Mariante, Brito, Bidu, Padeirinho, entre outros.

A invenção da cuíca é atribuída a João Mina, batuqueiro da Deixa Falar. Mas, como sempre, há controvérsia.

Segundo Sérgio Cabral, a cuíca já era usada há décadas anteriores, nos cordões carnavalescos.
Segundo outras diversas fontes, a cuíca é um instrumento de origem africana. Era um pouco diferente da que se usa hoje em dia, com a vareta, varão, bambu, do lado de fora.
Talvez a cuíca usada nos cordões seja uma mais rudimentar, sendo João Mina o primeiro a usá-la do modo como se usa hoje.
Seja como for, João Mina está na história também por ser parceiro de Noel Rosa no partido alto "De babado".
Mas a postagem é sobre cuíca, então lá vai.

Getúlio Marinho "Amor" fez um samba, "Molha o pano", em parceria com Cândido Vasconcelos, sobre o instrumento.
Gravação de Aurora Miranda.


Molha o pano
Pega na cuíca
Puxa certo e com cadência
Veja o samba como fica

Fui num pagode
A família deu um "não"
Aqui não se quer cuíca
Porque não é barracão

Fiquei sentida
"Coragem!" Gritou meu mano
Quem é rico paga orquestra
E quem é pobre molha o pano

É um abuso
E por demais autoridade
Fazer pouco em quem é pobre
Só por ter felicidade

Não fiz barulho
Porque me julgo decente
Tratei de molhar o pano
E gritei “vamos em frente"


Há este vídeo, de um filme feito em 1936. É o mesmo áudio de cima.
O mais interessante nisso é que quem está tocando cuíca, ao menos no filme, é o grande Bide! Uma imagem rara, talvez única, do Bide em vídeo.



Wilson Baptista também dá o seu recado. Neste samba, em parceria com Haroldo Lobo, ensinam "Como se faz uma cuíca".
Gravação de Anjos do Inferno, em 1944.


Um pedaço de pau
Um pedaço de couro
Numa barrica
É assim que se faz uma cuíca

Depois de tudo acabado
Tem outra observação
Arranje um pano molhado
Para fazer a marcação
Venham ver como é que o samba fica
O piano é de nobre
O instrumento de pobre é a cuíca


Cuíca, pra mim, é instrumento de molho. De acompanhamento.
Mas bato palmas pra Fritz Escovão!


Agora sim! Fritz Escovão!



Termino a postagem com este breve documentário, de 1978, sobre cuíca.


Grande dúvida que me corrói: instrumento de percussão ou de harmonia?

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Alberto Ribeiro

Alberto Ribeiro da Vinha nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 27 de agosto de 1902. Iniciou sua carreira musical compondo para o bloco de carnaval Só tanga do qual era integrante. O samba Água de coco, em parceria com Antônio Vertulo, de 1923, marcou o início de sua produção editada. Estudou engenharia, mas formou-se em medicina, em 1931, vindo a abraçar o ramo da Homeopatia, porém jamais abandonando a música, sua grande paixão.

No bairro do Estácio conheceu o compositor Bide, com quem logo estabeleceu parceria. Em 1929, criou o Grupo dos enfezados, quarteto do qual faziam parte Mesquita e Sátiro de Melo, no violão, Nelson Boina, no cavaquinho, e o próprio Alberto, como cantor. Com esse grupo gravou dois discos, em 1930, pela gravadora Odeon. Em 1933, lançou As Brabuleta pelo selo Columbia, com interpretação própria. A marchinha Tipo sete, em parceria com Nássara - primeira colocada em um concurso organizado pela Prefeitura do Distrito Federal - foi gravada pela Odeon em 1934, na voz de Francisco Alves.

Com o compositor Braguinha, seu grande parceiro, Alberto Ribeiro compôs, em 1935, Deixa a lua sossegada, gravada por Almirante, Seu Libório, por Vassourinha, Yes! Nós temos bananas e Touradas em Madrid, também por Almirante, em 1938, China pau, por Castro Barbosa, em 1943, e Copacabana, gravada por Dick Farney, em 1946, entre outros grandes sucessos. Em 1945, com a parceria de Radamés Gnattali, compôs o choro Olha bem pra mim e Saudade, vai dizer a ela, samba- canção de 1962.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 10 de novembro de 1971.


Fonte: Catálogo de partituras da Petrobás 2005, da Fundação Museu da Imagem e do Som (RJ).


Não há de que
(Bide / Alberto Ribeiro)
Gravação de Tuco no cd 'Peso é peso'

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Seu Waldomiro Tomé Pimenta e o tamborim de couro de gato

Não se sabe ao certo a origem do tamborim ou quem inventou o tamborim.

Alcebíades Barcelos, o Bide, um dos docentes do Estácio, inventor do surdo, dizia não saber se inventou o tamborim também, mas lembra de tocar desde pequeno. Ele nasceu em 1902.

Pois meu amigo Vilmar, do Projeto Resgate de Porto Alegre, me apresentou esse vídeo do possível cara que inventou o tamborim de couro de gato.

A matéria não fala nada sobre a criação do tamborim, mas que ele descobriu isso há 43 anos.

Supondo que a matéria seja de 1970, a descoberta do mangueirense seria de 1927. Em "miados" de 1927, um ano antes da fundação da Deixa Falar no Estácio, Bide já tinha 19 anos e já tinha passado da infância.

Na infância Bide não devia tocar tamborim de nylon, mas de couro. Possivelmente couro de gato, até se descobrir que o couro de cabrito era mais resistente.

Não desmerecendo o vídeo, que é interessante, muito menos Seu Waldomiro Tomé Pimenta, um dos maiores Mestres de Bateria da Mangueira, que tem conhecimento de causa, mas eu fico com Bide!