Eu e meu amigo Dôga estamos com uma oficina de samba todas as terças-feiras, às 19h, no Arco Íris, na Travessa Ratclif, perto do Terminal antigo Cidade de Florianópolis.
E o que é uma oficina?
Segundo o dicionário Michaelis, oficina significa:
sf (lat officina) 1 Lugar onde se exerce um ofício. 2 Laboratório. 3 Lugar onde trabalham os oficiais e aprendizes de algum ofício ou arte.
E o que seria uma oficina de samba?
Lá a gente vai estudar um pouco de tudo. Percussão, cordas, levadas, prática em conjunto, estudo das vertentes do samba, diálogo sobre o samba e sua história, etc.
A oficina é gratuita e não há período de inscrição. Basta chegar, preencher o formulário e começar a participar.
Tragam seus instrumentos! Se não tiver, não tem problema. Venha mesmo assim!
Todas as terças, às 19h, no Instituto Arco Íris, na esquina da Travessa Ratclif com o calçadão da João Pinto.
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sexta-feira, 9 de maio de 2014
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Salve, Nelson Cavaquinho!
Texto magnífico do meu mestre Dôga, publicado originalmente no seu blog, em 29 de outubro, com o título "É feliz quem já viveu aflito..", que eu copio na maior cara de pau e assino embaixo.
e hoje tem a vida sossegada
Muita gente tem o corpo tão bonito mas tem a alma toda tatuada"
Hoje, dia 29 de outubro, comemoramos 99 anos do nascimento de um mito, um poeta, boemio, um excepcional compositor, que, na minha opinião, está entre os quatro maiores sambistas da história - e não é pelo fato de ele participar do disco "Os 4 grandes do Samba".
Falo de Nelson Antônio da Silva, o Nelson Cavaquinho.
Suas músicas me fascinam, me consomem, acho que pelo fácil entendimento e tamanha sintonia entre letra e melodia. Acho fantástico os temas utilizados pelo Mestre, como as coisas simples da vida, o passado, a saudade, o violão, o bar, mulheres, traição, solidão, botequins e, até mesmo a morte. Não há nada mais direto e realista do que suas letras.
E a simplicidade está também nas melodias, o que pra mim, é um grande exemplo do que é o gênero musical Samba, bom e verdadeiro.
Os Sambas de Nelson parecem brotar da alma, e refletem bem aquilo que ele sente (sentia, muitos diriam).
Nelson "melancólico" Cavaquinho é modesto e sem igual. É diferente de tudo e todos e sem dúvida muito importante para a história da nossa música.
Ele me fez entender meus pensamentos de que o Samba é "ralé", é comum e não precisa de frescuras mais. E que pra ser sambista não se precisa de quase nada ou nada, basta ser.
O saúdo hoje Mestre!! E meu hoje é todos os dias, principalmente os que não durmo.
domingo, 29 de agosto de 2010
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Batucada

A primeira vez que eu conheci a Verônica Kimura foi no De Raiz, na Joaquina. O Jeisson chamou ela pra dar uma canja e meu pré-conceito me fez desligar a câmera. Assim que ela começou a cantar, fui obrigado a ligar de volta e registrar. Além de cantar muito, o repertório dela matou a pau!!
Por conta de sua destreza, foi convidada a cantar no Dia Nacional do Samba.
Hoje ela fez uma festa e conseguiu reunir um pessoal incrível.
Cavaco, dois 7 cordas, um 6, bandolim e uma batucada de primeira, com mais pessoas do que mostra a foto abaixo.

Braços de Gu e Raphael Galcer. A cantora é a Iaiá Ferreira.
Foto: Penélope
Essa postagem, na realidade, é só pra mostrar eu, o Maestro Fabricio Gonçalves e meu mestre, Dôga. É um prazer inenarrável tocar com eles.
Fabricio, eu aprendi a tocar olhando vocês dois. Obrigado pelos elogios!
domingo, 27 de setembro de 2009
Depoimentos para posteridade - Dôga
Falou meu mestre!
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domingo, 25 de janeiro de 2009
Raphael Galcer
Foto: Gaia Petrelli
Wagner Segura foi, provavelmente, o responsável por existir choro em Florianópolis. Isso em meados de 80. Começou no bandolim e depois foi para o violão de 7 cordas, tornando-se um dos maiores violonistas de 7 cordas da cidade.

Mas não é dele que eu quero falar. Não agora.
A introdução foi para dizer que Wagner Segura, chorão, é um dos maiores e toca 7 cordas.
Raphael Galcer é chorão e toca 7 cordas. Mas a coincidência não termina aí. Raphael Galcer tem se tornado um dos maiores violonistas da cidade. Tanto quanto Wagner. Tive o privilégio e o prazer de gravar uma roda de choro com os 2 no violão. Segundo Raphael, até onde ele lembre, foi a primeira vez que eles tocaram juntos.
Raphael (com ph) é chorão, sambista, compositor, estudioso, esforçado, dono de um bom e rápido ouvido, cantor, e um dos maiores violões de 7 cordas.
O ver tocar é um prazer muito grande. O som é maravilhoso, as baixarias são certeiras, a levada é completa, o dedilhado é hipnotizante.
Ele até erra. Mas só pra dizer que é humano.
Seu nome consta na lista de músicos indicados deste blog, no canto inferior direito.
Raphael organizava uma roda de choro na praçinha da Lagoa, às terças-feiras. Tudo improvisado, sem aparelhagem de som, descontraído. Era ótimo!
Cavacos, violões, flautas, acordeãos, pandeiros, clarinetes, todos juntos, felizes, animados, animando, culturando os transeuntes. E não eram poucos. A praçinha inteira parava pra ver. Saiu até no jornal. E, óbviu, no Youtube.
Raphael não está tocando essa música, mas está ao lado do 7 cordas, conversando.
Claro que a ignorância fez com que proibissem a manifestação artística e cultural. A polícia aparecia, mandava fechar a tendinha e pedia para o pessoal ir embora.

Hoje Raphael retorna às terças na Lagoa, um pouco mais a frente, no bar
Varandas, no começo da Avenida das Rendeiras. Integrando o Grupo Ginga do Mané, Raphael Galcer (violão de 7 cordas), Fabrício (pandeiro), Bernardo Sens (flauta), Fernanda da Silveira (cavaco) e Thiago Larroyd (bandolim) organizam uma roda de choro a partir das 22h. A entrada é de R$5.
QUEM FOR MÚSICO NÃO PAGA!
Por tudo isso e mais um pouco ele é digno de uma postagem só dele.
Raphael Galcer é, hoje, um dos maiores expoentes do Choro.
E o povo canta: "O amor que floresce em paz resiste ao tempo. E o tempo até é gota que escorre pela flor que cai num rio que já não volta mais" (Raphael Galcer / Dôga)
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Dôga

O autor e Dôga
O samba é feito por pessoas. Apesar das mortes de Xangô da Mangueira e de Casemiro, fico tranquilo e feliz porque existe Dôga, porque ele mora em Floripa e, tenho o orgulho de dizer, porque ele é meu amigo!
Esta douta figura é a minha âncora. Se eu não aprendi tudo com ele, foi quase tudo. E ainda aprendo.
Profundo conhecedor do samba. Se eu já falei isso de alguém aqui no blog, esqueçam. Nesta cidade, ninguém se compara ao Dôga.
Sempre que eu tenho a oportunidade de citar seu nome, o faço com muito gosto. Estranhamente ainda não tinha ocupado uma postagem inteira com ele. O faço agora.
Quando algum jornalista quer fazer uma matéria sobre samba e me pede alguém pra entrevistar, ele é o primeiro da lista (inclusive consta na lista de músicos indicados deste Cantinho).
Aliás, ele é o meu primeiro da lista em tudo.
Meu parceiro de composições (nem precisa, pois ele compõe tudo, melodia e letra, muito bem), de boemia, de conversa, de samba.
Os outros amigos que me desculpem, mas eles vão concordar: ter Dôga na roda é fundamental! Sua presença dá um ânimo nos ambientes mais fúnebres.
Sair com o Dôga é sempre mágico. Nada de ruim acontece. Pelo contrário. Dá tudo certo. Ônibus na hora, inspiração pra compor, e os males que por ventura acontecem vem pra muito melhor!
O Dôga, encontrado no meio da percussão, chega a quase ser um desperdício. Seu conhecimento na percussão é tamanho, que é uma pena vê-lo tocar 1 instrumento só por vez. Mas cada instrumento fica feliz quando ele o toca. Eu também ficaria. Imaginem a felicidade do instrumento ao ver Dôga abdicar de todo o resto para dar atenção única e exclusiva para ele.
Tamborim, cuíca, conga, surdo, agogô, saco plástico, pandeiro, prato e faca, repique de anel, garrafa, ganzá, cinzeiro, e o que mais existir de instrumento de percussão ele é sabedor.
Ele conhece minunciosamente cada parte do instrumento. Do tipo de material usado na porca que segura os parafusos dos intrumentos, até o tipo de ração dada para o cabrito para que a pele fique boa. Além, claro, do conhecimento na arte de tocar. Porque quando ele toca é uma obra ímpar e de número primo.
Dôga é um iluminado!
Além de tudo isso que foi citado, ele é lindo! hehe...
Asé O! (acertei, Dôga?)
E o povo canta: "Passo o dia em claro e do despertar me separo só pra encontrar você" (Artur de Bem / Dôga)
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Morreu Casemiro da Cuíca

Uma das melhores levadas de cuíca foi levada.
Eu lembro que ano passado eu falei pro Dôga que ia desfilar na cuíca com a levada do Casemiro. Ele ia mandar fazer uma estátua de mim se eu fizesse isso.
Não dá de ve-lo, mas é possível ouvir. Provavelmente uma das últimas gravações da cuíca dele. Essa cuíca que aparece no começo é ele. Documentário do Paulinho da Viola.
E o povo canta: "Roncou, roncou. Roncou de raiva a cuíca roncou de fome" (João Bosco / Aldir Blanc)
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