domingo, 15 de junho de 2008

Terreiro

Pesquisa minha, feita por encomenda.

O samba Pelo Telefone, do sambista Donga e do jornalista Mauro de Almeida, considerado o primeiro samba gravado, em 1917, foi criado na casa da bahiana Tia Ciata[1]. Em sua casa, como nas casas de outras tias bahianas, eram realizadas festas históricas, que chegavam a durar dias. Na sala de visita da casa, Pixinguinha e outros músicos faziam seus bailes regados a choro, nos fundos da casa, quintal, se instalava o partido alto (uma vertente do samba, feito com versos improvisados, ou, na época, também como passo de dança), e no terreiro (terreno) reinava a batucada (toques afro). O som do choro, na parte da frente da casa, ajudava a encobrir o som da parte de trás da casa, proibido na época. As casas das tias bahianas eram centros de cultura negra. Lá, eram cultuados o samba, o candomblé, o choro e demais manifestações artísticas negras.

Com a legalização de algumas casas para que funcionasse a chamada macumba, graças a ajuda de políticos, o samba aproveitou a brecha. Era de conhecimento geral que os policiais não sabiam a diferença entre uma macumba e um samba, então os sambistas cantavam e dançavam o samba no fim dos cultos religiosos. Até a polícia aparecer.

Terreiro era o lugar onde surgiam os sambas e as escolas de samba. Nos fundos dos cortiços, nos terreiros, eram fundados os ranchos, os blocos e as escolas de samba. O termo “terreiro” foi usado nas escolas de samba até uma geração mais nova, que já nasceu em uma época quando as sedes das escolas não eram mais em terreiros, mas, sim, em locais maiores, específicos pras escolas. Alguns dessa nova geração, por respeito, talvez, ainda usava o termo “terreiro” se referindo às quadras.

Foi mais ou menos nessa época, por esse motivo, segundo algumas teorias, que pararam de usar o termo “samba de terreiro” e adotaram o “samba de quadra”. Outras teorias afirmam que o samba de terreiro ainda existe, porém em menor quantidade e menos difundido. O samba de terreiro seriam aqueles sambas despretensiosos, feitos com qualquer tema, para animar os terreiros, terrenos, quintais, etc. Já o samba de quadra seria feito nos moldes do samba de terreiro, porém, cantados nas quadras das escolas, com temas sempre voltados à agremiação.



[1] O samba era cantado nas festas da casa da Tia Ciata. Ninguém sabia quem era o autor. Donga registrou o samba na Biblioteca Pública como sendo dele. Os outros sambistas ficaram bravos com Donga, mas ele, talvez sem saber, estava começando a criar uma consciência nos sambistas, que era a de registrar seus sambas. O jornalista Mauro de Almeida fez uma paródia da letra,criticando o delegado da região, e publicou. A paródia ficou tão conhecida quanto o samba original. Hoje em dia se canta das duas formas e a autoria foi dividida entre os dois.



E o povo canta: "Vovó não quer casca de coco no terreiro. Vovó não quer casca de coco no terreiro. Pra não lembrar do tempo do cativeiro. Pra não lembrar do tempo do cativeiro." (Ponto de Umbanda, não sei o autor)

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