quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Dia Nacional do Samba comentado

O show nem havia começado e ouço a primeira reclamação: "Meu nome não consta como autora de um dos sambas!" Era uma compositora que havia visto, sem querer, a relação das músicas que iriam ser entregues aos músicos, onde, de fato, não havia necessidade de constar autoria.

As outras reclamações só vieram quando terminou o show: Faltou o Número Baixo, Novos Bambas, Um Bom Partido, Sambatuque, Molho Madêra, Portal do Choro, Rancho do Neco, Coisa da Antiga, Marú, Rachel Barreto, Mirela, Raphael Galcer, uma maior participação das escolas de samba, o evento poderia ter sido em local aberto, cantores desafinaram.

Eu fui um dos que ajudou a ampliar a lista de reclamações, apesar de estar na organização do evento, como assessor do vereador Márcio de Souza, co-organizador do evento, junto com a Galeria da Velha Guarda da Protegidos.
Por esse motivo posso responder algumas reclamações.

Pra começar, já de início, tivemos uma ré do Tribunal Regional Eleitoral, que proibiu qualquer tipo de liberação de verbas pela Prefeitura, por ser ano eleitoral. Como o evento era "patrocinado" pela Prefeitura (subvenção social), tivemos que correr e recorrer para apoio privado.

Semanas antes do dia 2 de dezembro acontece a maior catástrofe natural da história do Brasil. Primeiros questionamentos: fazer ou não fazer? Pensei comigo: A tradição africana manda cantar de qualquer maneira.
Depois: Mercado Público? Mas o clima está ruim. E o clima também. E se chover? Tenda? Se chover não tem público. Onde fazer? Centro Sul? Não tem acústica. TAC? CIC? Não há dinheiro.
Nos últimos dias, conseguimos o Clube 12.
O evento até foi anunciado precipitadamente como sendo no Mercado Público pela mídia especializada. Teve que refazer a informação.

Isso é o que eu posso responder.

Questões musicais (arranjo, repertório, etc), das quais eu discordo em partes, devem ser feitas com Wagner Segura, diretor musical, contratado para esta parte. Foi escolhido a dedo, portanto, homem de confiança. O trabalho foi bem realizado, a questão em questão é gosto pessoal.
Questões de convidados, das quais eu também discordo em partes, devem ser questionadas com Beloni, da VG da Protegidos e Márcio de Souza.

As escolas de samba foram convidadas. Só elas podem responder o motivo da ausência.

O que me deixa irritado é a falta de participação dos outros músicos que fazem samba o ano inteiro e não foram convidados para cantar. Mesmo não tendo sido convidados, poderiam muito bem ter ido prestigiar o evento.

Considerações finais (até pra não ficar mais extenso): não foi o meu melhor Dia Nacional do Samba. E eu acompanhei todos os cinco. Os dois primeiros foram apenas como espectador.

Destaque para Paulinho Carioca. Não conhecia o lado cantor dele. Matou a pau.

2 comentários:

Willian Tadeu disse...

Bom, vou fazer meu papel de "cara chato que comenta em blogs de samba", que é o papel que faço questão de incorporar (acho que vou criar um próprio blog chato de caras chatos, se um ou dois chatos amigos meus toparem).
1. Não fui ao evento. Virei a noite anterior terminando algumas coisas para o projeto no qual trabalho na universidade, venho de semanas de muito pouco sono e meu corpo não agüentou.
A PARTIR DAQUI, O QUE INTERESSA, HEHE:
2. As pessoas adoram reclamar de repertórios, arranjos, etc, sem pensar nas dificuldades de tudo isso. Entretanto, quando em alguns eventos super-mega-hiper-estruturados de escolas de samba se reproduz sem qualquer reflexão a mediocridade de só cantar os sambinhas mais recentes, de só cantar aquelas marchinhas-de-enredo sem vergonhas que fizeram algum sucesso mais recente no Rio, de só cantar aquelas coisas batidíssimas, ninguém fala nada. Minto, eu falo... e, em geral, sou voz solitária, rebatida com argumentos pífios e, às vezes, ridicularizada.
3. Lidar com vaidade de sambista, meu caro Nermal, é um negócio difícil, como você retrata logo de cara na postagem.
4. Seria muito interessante se todos os que reclamam se dispusessem a colaborar na organização desse tipo de evento.
5. Paulinho Carioca, meu parceiro e mais novo mestre (vc não imagina o quanto se aprende compondo com o cara), canta muito! Aliás, foi intérprete até poucos anos atrás. Cantou na avenida clássicos como o "Na boca da noite", junto com Maguila na Coloninha em 1985, por exemplo.
No mais, parabenizo aos envolvidos na organização desse sempre emocionante evento que é aguardado anualmente. Espero poder voltar a prestigiar em 2009, bem como todoso aqueles que não foram esse ano (convidados ou não), sabe-se lá por quê. Talvez se fosse no Floripa Music Hall...
Abraços!

Dôga disse...

é...
da pra ver q nao conversamos sobre.
haiauihauiauhiaui

minhas criticas sao supeitas
;)