quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Dia do Samba comentado III

A participação das escolas de samba poderia ser mais limitado.

Elas já possuem uma semana inteira de espaço na mídia e no povo pra mostrar seus sambas, lá por fevereiro. O Dia Nacional do Samba é para expressar as outras vertentes do Samba: partido alto, samba canção, samba de terreiro, samba de quadra, etc.
O samba enredo tem um andamento rápido. Isso confunde muita gente pensando que isso anima.
Me anima muito mais ouvir um samba bem interpretado, por mais que seja lento pra dedéu, mas que tenha sentimento, letra, melodia, do que ouvir um samba enredo.

Pro ano que vem é esperar que o poder público dê mais atenção ao Dia Nacional do Samba.

No Rio de Janeiro, o Dia é comemorado nos trens. São 4 trens. Cada trem tem 8 vagões. Em cada vagão uma perdição.
Os trens saem da Central e param em Oswaldo Cruz (terra da Portela). Lá há mais 4 palcos e 83 rodas de samba espalhadas pelo bairro.

Aqui em Floripa, cidade pequena, pensamento pequeno.................

7 comentários:

Willian Tadeu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Willian Tadeu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Willian Tadeu disse...

Bom, por partes, para ser mais didático e não me confundir:

1. Acredito que deve ser incluído o máximo de vertentes possível, inclusive samba de enredo.

2. O grande problema é que as escolas priorizam algumas porcarias recentes - não que tudo seja porcaria, claro... - em detrimento de seus clássicos, o que faz com que a participação nesse tipo de evento perca o sentido. Creio que até você, Nermal, concorde que seria muito mais válido se as escolas apresentassem grandes sambas de sua história.

3. Quanto ao andamento, é um problema do samba-enredo. Essa confusão entre correria e animação, entre aceleração do andamento e eficiência da evolução. Conceitos confundidos, misturados, deturpados. Tente argumentar com alguma das muitas pessoas que dizem que "tem que ser assim", que samba-enredo tem que ser padronizado, que o andamento tem que ser corrido... enfim, que tem que ser tudo igual. Essas pessoas raramente têm argumentos ou, quando os têm, eles caem depois de 2 ou 3 contra-argumentações. São idéias repetidas insistentemente sem qualquer reflexão. Uma mentira (ou equívoco) muita vezes repetida... vira verdade!

4. Como compositor, acho triste que as pessoas não se questionem antes de reproduzir conceitos, não reflitam antes de fazer certas afirmações. Na Consulado, em 2007, por exemplo, levamos a várias reuniões nossa idéia de que o andamento "afrevado" (usei esse termo) estava atrapalhando o samba, mesmo sabendo que isso geraria antipatias, retaliações, etc... não deu em nada e o samba foi para a avenida num andamento inadequado, na minha opinião.

Enfim, adoro comentar por aqui porque aqui há espaço pra questionamentos, contestações. Para expor alegrias e tristezas, contentamentos e revoltas... para todas as "vertentes" do samba, pelo que percebo. Isso é muito positivo. Entretanto, vejo que a maioria prefere ler e não dar a cara a tapa... mas cada um sabe de si, de seus interesses e confortos.

Willian Tadeu disse...

E tem mais: samba-enredo também pode ter "sentimento, letra, melodia". Vários não tem, assim como várias coisas das outras "vertentes do samba" também não têm. Mas, é claro, a crítica automática é ao samba-enredo... o resto do samba é "imaculado". É muito mais fácil quando você toma uma posição em que qualquer coisa que você faz é "de raiz" e fica protegida de qualquer crítica por esse tipo de "bandeira". Ou seja, qualquer coisa, mesmo que seja uma porcaria, se assumir a tal da "raiz" - que é uma idéia construída e muitas vezes falsa -, fica isenta de qualquer crítica. E "sentimento" é muito relativo. Por exemplo, "Na subida do morro" carrega um discurso absurdo, machista, violento... mas o samba expressa um sentimento com perfeição. Tudo se casa num só discurso muito bem coordenado, forma uma só expressão, um só "clima". Enfim, é tudo muito relativo... seria interessante o debate. Mas ninguém quer debater, hahahaha!

Artur de Bem disse...

Willian,

mas tu querer discutir andamento das escolas de samba hoje em dia é suicídio...
As escolas de samba não vão voltar a cantar sambas mais cadenciados. É um fato!

Agora, discordo sobre a blindagem do samba de "raiz".

Existe samba "de raiz" que não tem melodia, letra nem sentimento.
Confesso que não lembro de nenhum agora. Mas deve ter.
Pensando bem, não. Porque os sambas eram feitos pela vontade de se fazer um samba, contar uma história, desabafar um causo, qqer coisa assim. Não havia a vontade de ser comercial. Podia haver a vontade de vender, pra pagar uma conta de bar, um hotel, um cafetão, qqer coisa, mas o samba ainda era bom. Ainda tinha sentimento.
Qual é o sentimento de um compositor de escola de samba? Estou falando de situações reais, não das ideais.
E a briga não é nem do "samba" contra o "samba enredo", é só pra te provocar mesmo... :)

O exemplo em questão, Na subida do morro, pode até ter discurso machista, mas na época não havia isso de machismo, feminismo, racismo. O discurso disso tudo veio agora.

É a mesma coisa que discutir "a coisa aqui tá preta", do Chico. Na época não havia a conotação racista. Hoje tem. Mas não faz sentido discutir hoje.

Artur de Bem disse...

PS.: Não gosto da expressão "samba de raiz".

Existem algumas vertentes do samba: samba de partido alto, partido alto, samba canção, samba enredo. Samba de raiz não é uma dessas vertentes.

Então dizer que é um "samba que tem raiz"? Fica menos pior.
Até porque todo samba que se preze respeita a sua raiz, respeita a tradição. É dizer que o samba tem a sua raiz lá em antigamente, ligado ao passado, às suas raízes, cariocas, bahianas, até africanas, pq não?

Mas não é "samba de raiz", nem "samba que tem raiz". É samba! Aí sim, de partido alto ou maxixado ou etc...

Sandro disse...

Acabei de conhecer o blog e achei interessante a discussão! Com razão Willian qdo afirma que as pessoas não querem dar a cara ao tapa para discussões. Até mesmo pq não sei se as pessoas estejam preparadas para um bom debate sem associar a uma dscussão pessoal! O certo é que sem debate, qualquer coisa é colocada "goela abaixo" do povo como sendo algo bom e necessário! O exemplo está nos sambas que serão apresentados pelas escolas de samba no RJ. Que safra horrível, onde a "regra" é correr! Vivi um tempo onde as letras dos sambas-enredos eram recheadas de sentimentos e que levavam o componente a desfilar verdadeiramente emocionados e vibrantes. Letra e melodia motivavam. Hoje em dia o que movimenta é a correria da bateria e o componente mal consegue assimiliar o que quer dizer a letra e mal se envolve com a melodia! As vertentes do samba, inclusive o samba-enredo precisam, sim, serem mostradas no dia do samba, pois até mesmo as escolas de samba tem espaço limitado na cidade!