sábado, 5 de maio de 2007

Saudades de um saudosista

Seria então a maior saudade que alguém poderia sentir? Não. Apenas uma brincadeira com as palavras.

Estou com saudade de vocês, leitores. Morando sozinho, sem computador, e sem acesso às configurações do blog pela faculdade, não posso atualizar este Cantinho. Mas não pensem que estou sem escrever. O mural da sala, na faculdade, virou o meu blog real, enquanto o virtual descansa.

Aliás, muito bom. Escrever pra algo palpável é bom. Creio que até melhor do que internet. Pelo menos no meu caso a interação está sendo maior.
Eu, como saudosista, historiador, pesquisador, prefiro ter tudo guardado em papel. Muito mais seguro.

Por falar em saudosismo, segue um texto que muito provavelmente irá também para o "Espaço do Artur", nome do espaço que eu ganhei da curadora do mural, Kenni.


Há aquela história de que a criança pobre tem mais imaginação do que a criança rica. Isso porque a criança rica quando recebe um brinquedo, já recebe com ele pronto: ou é uma boneca já pronta ou um carrinho já pronto. A pobre não. Arranja um pedaço de madeira qualquer. Pode ser tanto um boneco, um carrinho, uma nave espacial, vai depender da imaginação da criança.

Baseado nisso é que eu fico pensando sobre aquele toca discos mágico: o MP3 player.

Eu não tenho um. Tenho um gravador que uso para fins profissionais e que também pode servir como o tal do walkman. Mas não preciso de um reprodutor de som comigo. Eu imagino uma música. Não escuto nada pronto.

Sorte a minha, pois sou compositor e músico-teimoso nas horas vagas. Então imagino qualquer música, melodia e crio meus sambas. E mais: não gasto com pilhas, não gasto meus ouvidos, só gasto imaginação. Mas creio que isso seja ingastável.

Coitado daquele que vive com um fio pendurado no ouvido. Preso à um mundo já pronto e que não cria, só reproduz.

Além do que é uma baita falta de respeito com as pessoas ao lado. Ponto de ônibus, dentro do ônibus, fila, etc. Logo aqui em Florianópolis, onde o povo é tão comunicativo. Ninguém conversa com ninguém. Porque além de estar sem imaginação, está ouvindo algo já pronto, com idéias prontas e vai ter os mesmos pensamentos prontos. Pronto. Ponto.

E o povo de Florianópolis ultimamente canta: "Se gritar 'pega ladrão', não fica um meu irmão, se gritar 'pega ladrão', não fica um" (Ary do Cavaco / Bebeto di São João)

quinta-feira, 1 de março de 2007

Policiamento

Dos textos que eu leio em jornal, revista, etc., mas principalmente em jornal, vejo muita coisa errada comparando com o que aprendemos em aula. Parece até que é normal o erro. Então de que adianta eu me matar de estudar, pra fazer um texto teoricamente perfeito, tirar nota 10, se em campo, eu vou fazer muita coisa errada? E vou. E você também.

Nossos professores, que também são jornalistas, têm parte de culpa no cartório. A parte da culpa deles é por ser jornalista.

Ora, se eu sou um médico e vejo um colega de trabalho fazer algo errado, eu tenho que denunciar, ou, dependendo da gravidade, apenas conversar com o médico. Na verdade deveria que ser assim com qualquer profissão: o policiamento. Um jornalista erro um dia, ninguém fala nada, outro erra outro dia e o primeiro não falo nada porque não falaram dele... e vira uma bola de neve. E o aluno quando erra, erra e é punido. Certo. Errei, estou aprendendo. Só aprendemos com punição. Multas de trânsito estão ai pra não me deixar mentir.

Deveria haver uma punição para o jornalista que erra.

Eu sinto saudade do revisor sem nunca ter trabalhado com um.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Licença poética

Hoje em dia é fácil errar um texto.
Inventaram a tal "licença poética" pra justificar vários erros.

Quando alguém erra e não tem argumento, nem coragem pra dizer que errou, se utiliza da tal licença poética. Então é perdoado.

A licença poética deveria ser aceitável somente quando for uma poesia, uma música, ou aqueles textos que o autor faz, alguém gosta e publica em jornais e revistas, sabe?
Mas todos esses 3 tem que ser de bom gosto.
Vejo muita poesia hoje mal escrita, sem nexo, sem rima, músicas sem inspiração, etc. Para estes casos não se pode usar da licença poética. Fica feio pra licença e pra música ou poema.

Mas mesmo que o autor faça um textinho qualquer, diga que tal erro é licença poética. Quem vai dizer que não?

"Noite de samba / Noite comum de novela / Ele chegou / Pedindo um copo d'água / Pra tomar um comprimido / Depois cambaleando / Foi pro quarto / E se deitou / Era tarde demais / Quando ela percebeu / Que ele se envenenou." (Paulinho da Viola)

Esse samba tem um erro. O certo seria "Ele se envenenara.". Ninguém percebeu. Só depois de algum tempo. Mas ninguém percebe. Pra esse caso (e em casos em que o erro é proposital) é concedido ao autor o uso da licença poética pra justificar o erro. Vejam, é concedido ao autor. Não é o autor quem pede nem o autor quem concede.

Vamos lá pessoal, deixar a preguiça de lado, deixar a licença poética para quem realmente mereça e vamos estudar a nossa querida língua portuguesa que é muito linda e rica.
Depois que vocês aprendem o certo, verão que é muito mais difícil errar do que acertar.

Mas enquanto isso não acontece, o povo continua cantando esse samba com licença poética até dizer chega, concedida ao autor: "Foi em Diamantina, onde naisceu JK, que a Princesa Leopoldina, arresolveu se casá..." (Sérgio Porto)

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Bandido atrás das grades? Não! Na frente da TV.

Não sei pra que mostrar tanta notícia de caso de polícia.

O povo não gosta de ver isso. Vê pra ter o que comentar na roda de conversa do dia seguinte.

Eu como futuro jornalista me sinto mal cada vez que eu vejo mais uma matéria de assalto, assassinato ou coisa assim.

Violência sempre aconteceu, só que agora os bandidos apostam entre si pra ver quem aparece mais vezes na televisão. E quem perde a aposta são as vítimas e o espectadores.
De vez em quando a mídia usa alguma dessas vítimas pra servir de exemplo. Nem é o caso de pessoas famosas ou filhos de desembargadores, são pobres, fudidos da vida. Ainda não achei outro motivo pra isso, se não pra sensibilizar a sociedade.
"Nossa! Tu viu o que aconteceu com aquela criança? Coitada da mãe!"
Pura bobagem. Tratam a gente como se fossemos ignorantes.

Tanta coisa bonita pra ser dita, pra estimular um pensamento mais profundo sobre tais assuntos, mas não, a mídia mostra logo o mais óbviu, mais inútil, que não trás nenhuma informação.

Pensar em falar sobre cultura, história do Brasil, samba, etc., eles não pensam. Alô TV Cultura, alô TV Futura!

Por falar nisso, vocês estão sabendo do Wagner Segura hoje no Teatro da Ubro, no centro, às 20:00? Não né, a mídia não fala.
Pra quem não sabe, Wagner Segura é o maior perpetuador do Choro em Santa Catarina e o mestre da metade dos músicos de Florianópolis. A outra metade são alunos dos alunos dele.
Mas não se preocupem, quando ele morrer vocês vão conhecê-lo melhor. Assim como o Seu Tião.

"Se quiser se distrair ligue a televisão, amor, comigo não..." (Candeia / Martinho da Vila)

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Filho, continuação dos pais

Eu vejo muito hoje em dia os pais definirem a profissão dos filhos.
Criam as crias desde pequenos para gostarem de tal área e seguirem carreira.


Isso acontece quando os pais não conseguem seguir tal área e se contentam em ver os filhos serem o que não conseguiram ou não puderam ser.

É uma tremenda responsabilidade para o filho. Vai que a criatura não consegue seguir a carreira do criador. Decepção dupla: O filho fica decepcionado por não conseguir seguir a carreira que aprendeu a gostar e fica decepcionado por não conseguir agradar o pai. O pai fica decepcionado por não conseguir seguir a carreira que quis, pelo filho não conseguir seguir a carreira que o pai quis e fica chateado pelo filho ficar decepcionado.

Eu não tenho filhos mas creio que uma boa forma de indicar uma boa profissão para o filho é deixá-lo com a mente aberta. Tirar os preconceitos que tu possa ter. Um dia o teu filho é que vai te ensinar.

Enfim...
Filhos: se vocês começarem a seguir a carreira dos pais de vocês, abram o olho.

Pais: por favor, não forçem a barra com seus filhos! Afinal de contas, eles é quem vão escolher o asilo de vocês.

Enquanto isso o povo continua cantando: "Meu nome é trabalho, mas eu to pregado, afim de um cascalho, vou pra todo lado, tem 5 pirralhos chorando um bocado, vê se quebra o galho doutor, tô desempregado, me arranja um trabalho doutor, tô desempregado" (Arlindo Cruz / Franco / Sombrinha)

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Adeus Seu Tião!

Dia 4/12 morre o dono do bar mais famoso de Florianópolis: Seu Tião.

Não tenho muito o que falar mas não posso deixar de comentar isso também.

Não tive o prazer de conhecê-lo mas sei da sua importância na história do Samba, Choro e Seresta em Florianópolis.

Seu enterro foi hoje (5/12) regado à samba.

Até pra sempre Seu Tião.


"Silêncio, o sambista está dormindo, ele foi mas foi sorrindo, a notícia chegou quando anoiteceu" (Geraldo Filme)

sábado, 2 de dezembro de 2006

Dia Nacional do Samba

Dia 2 de dezembro foi o Dia Nacional do Samba.
Dia 1º aconteceu o evento comemorativo desta data em Florianópolis. O show foi incrível.

Presenças do pessoal da Consulado, Velha Guarda da Copa Lord, Protegidos e da Portela.

Eu gostaria de agradecer aos intérpretes que cantaram no Mercado Público: Neném Maravilha, Sabará, André Calibrina, Vlademir Rosa, Jandira, Marú, Guilherme Partideiro, Rafael Leandro, Marçal do Samba, Thiago Pixaim, Jeisson Dias, Maria Helena e as participações especiais de Dagoberto (filho do Neném Maravilha) e Du (Kadência do Samba).
Todos esses subiram ao palco ao meu comando. É fraco o muleque? Mais um item pro meu curriculum: fiz parte da equipe de produção e organização do Dia Nacional do Samba.

Todos estavam lá: Bom Partido, Kadência do Samba, Número Baixo, pagodeiros de plantão, jornalistas amantes do samba, etc.

Show memorável!

Desculpem o atraso, mas eu tinha que comentar o show.

E dia 1º o povo cantou: "Não, não basta ter inspiração, não basta fazer uma linda canção, pra cantar samba se precisa muito mais, o samba é lamento, é sofrimento, é fuga dos meus ais" (Candeia)

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

1º de dezembro !!!

Dia 2 de dezembro Ary Barroso, que sempre exaltou a Bahia sem nunca ter pisado neste solo nordestino, fez sua primeira visita ao que Cabral chamou primeiramente de Porto Seguro.

Querendo homenagear Ary Barroso, um vereador de Salvador entrou com um projeto de lei tornando o dia 2 de dezembro como Dia Nacional do Samba.
Segundo a lenda, isso ocorreu na década de 1960.

Desde então, ocorrem festas em todo o país. Pelo menos onde há reincidência de samba.

Aqui em Florianópolis não é diferente. Pelo terceiro ano consecutivo, o vereador Márcio de Souza, juntamente com a Velha Guarda da Protegidos da Princesa, organizam o evento.
Este ano Guilherme Partideiro, integrante do Número Baixo, será o diretor musical. Nos outros anos os diretores foram Daniel Aranha e Gu, integrande do grupo Katendê.

O evento será dia 1 de dezembro, sexta feira, dividido em 2 locais: Terminal Integrado do Centro (Ticen) e Mercado Público.

No Ticen o evento começa de manhã cedo, cerca de 7 horas, quando o pessoal estiver indo trabalhar. O Grupo Bom Partido será o primeiro grupo a se apresentar, motivando a classe operária.
Perto do meio dia, o Grupo Número Baixo toma o comando do Ticen, animando os que estão em horário de almoço.

A partir das 18:00 começa o evento principal no Mercado Público. O Grupo Número Baixo acompanhará os maiores cantores de Florianópolis: Marú, Maria Helena, Jandira (BP), Vladimir Rosa, Thiago Pixaim, Nenem Maravilha, André Calibrina, Sabará, Jeisson Dias, Rafael Leandro (NB), Marçal do Samba (NB) e Guilherme Partideiro (NB).

Dia 2, que é o Dia Nacional do Samba, muito provavelmente haverá algo de especial no Praça XI.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Sou um compositor premiado!

Ai ai ai, me segurem!! Eu não posso comigo mesmo!

Fui premiado como compositor com um jingle pra um trabalho de faculdade do pessoal de publicidade da Unisul. O concurso foi da própria Unisul.

O trabalho do pessoal foi premiado e a minha música tava incluída.

E é só o primeiro passo. Na próxima postagem, estarei falando do meu samba que o Zeca Pagodinho gravou e que foi tocado para acordar o robô da NASA em Marte.

Enquanto isso, o povo continua cantando: "Foi em Diamantina, onde naisceu JK, que a Princesa Leopoldina, arresolveu se casá..." (Sérgio Porto)

domingo, 19 de novembro de 2006

20 de novembro, Dia da Consciência Negra

Como eu sou branco e não tive tempo para preparar nenhum grande texto, vou publicar apenas um pequeno texto sobre Zumbi do Palmares para não deixar passar esta data em branco.


Zumbi dos Palmares: Símbolo de coragem e resistência à opressão

Em 20 de novembro o Brasil celebra o Dia da Consciência Negra, data que homenageia o herói negro Zumbi dos Palmares. O assassinato do último líder do Quilombo dos Palmares - no dia 20 de novembro de 1695 - marcou uma das maiores e mais sangrentas lutas contra o escravismo no Brasil, a luta de resistência dos escravos nos quilombos.

Entregue como presente ainda recém-nascido a Antônio Melo, um padre da Vila de Recife, Zumbi foi batizado como Francisco e educado pelo padre que lhe ensinou a ler e escrever em português e latim. Criado como filho do pároco, no entanto, aos 15 anos já não suportava mais ver os outros negros sendo humilhados e mortos em praça pública e resolveu fugir para seu lugar de nascimento, o Quilombo dos Palmares, o maior de todos, localizado na Serra da Barriga, no atual estado de Alagoas. Ao chegar no quilombo recebeu uma nova família e o nome de Zumbi.

Devido a sua resistência perseverante, a situação do Quilombo dos Palmares estava se tornando constrangedora para a coroa de Portugal. Neste momento os senhores de engenho ofereceram um acordo para Ganga Zumba, na época o rei do quilombo, de que se desfizesse o quilombo, que inspirava outros a resistir, e todos os escravos fugidos sairiam livres. Zumbi ficou desconfiado e não quis aceitar, mas Ganga Zumba, que possivelmente era seu tio de sangue, acabou cedendo ao acordo. Logo Ganga Zumba foi capturado e morto pelos senhores de engenho, então Zumbi, rapidamente, reestruturou o quilombo.

Zumbi se destacava por seu conhecimento e coragem e, aos 17 anos, se tornou o general de armas do Quilombo dos Palmares, cargo semelhante ao de ministro de guerra nos dias de hoje. No cargo, mostrou-se um excelente estrategista militar, podendo ser comparado a outros grandes estrategistas da História ocidental. O quilombo era uma espécie de arraial militar e núcleo habitacional onde os escravos foragidos podiam se refugiar e se defender dos escravocratas e da coroa portuguesa.

O Quilombo dos Palmares resistiu até 1694 sob a liderança de Zumbi, quando uma expedição comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho o exterminou. Zumbi conseguiu escapar junto a outros sobreviventes do massacre e se refugiou na Serra de Dois Irmãos, então terra de Pernambuco.

Lá ficou foragido por quase um ano, quando, em 20 de novembro de 1695 foi traído por um de seus principais comandantes, Antonio Soares, que recebeu a liberdade em troca da delação do rei Zumbi. Após muita tortura, o bandeirante Jorge Velho decapitou Zumbi e deixou sua cabeça exposta na Praça do Carmo, em Recife, onde ficou por anos até a sua completa decomposição.

Em 14 de março de 1696 o então governador de Pernambuco Caetano de Melo e Castro escreveu ao rei de Portugal: "Determinei que se pusesse a cabeça (de Zumbi) em um pau no lugar mais público desta praça a satisfazer os ofendidos e justamente queixosos em atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam o Zumbi imortal, pelo que se entende que nesta empresa se acabou de todo com os Palmares".

Zumbi dos Palmares é hoje, para todo o povo brasileiro, um símbolo da resistência contra a opressão e, em 1995, a data de sua morte foi adotada como o Dia da Consciência Negra.

ALEXANDRE SOUZA
www.horadopovo.com.br


Especialmente hoje o povo tem que cantar:
Kizomba, Festa da Raça
(Rodolpho de Souza / Jonas Rodrigues / Luiz Carlos da Vila)

"Valeu Zumbi!
O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a abolição

Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jongo e Maracatu
Vem menininha prá dançar o Cachambú (BIS)

Ô ô ô ô, Nêga Mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ô ô ô ô, Clementina
O Pagode é o partido popular

Sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Nesse evento que congraça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Essa Kizomba é nossa Constituição (BIS)

Que magia!
Reza, Ajeum e Orixás
Tem a força da cultura
Tem a arte e a bravura
E o bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais

Vem a lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é a nossa sede
De que o apartheid se destrua"