terça-feira, 27 de março de 2012

Aula de dança

Começando com algo leve...


Uma fonte diferente...


Um nível mais avançado, tocando e dançando ao mesmo tempo...


A brincadeira...


Salve, Luna! (O último a dançar)

sexta-feira, 23 de março de 2012

Portela registra a história! De novo!

Em 1973, a Portela não veio bem. Vários problemas durante o desfile. O pior deles foi a bateria, que desandou de forma feia e trágica, e a escola amargurou um quarto lugar.
Eis que Paulinho da Portela aparece com um samba e apresenta na quadra para animar o pessoal para o ano seguinte. Em 1974, a Portela ficaria em segundo.


Seu diretor de bateria
(Paulinho da Viola)

Seu diretor de bateria
Aquilo que eu disser não leve a mal
Agora que chegou a calmaria
Vamos esquecer o vendaval
Reúna nossos batuqueiros
Que eu já peguei meu violão
Pois esse ano a Portela vai sair pra definir
Aquela situação

Quem chorou, chorou
Quem sorriu, sorriu
O nosso destino é lutar
Portela não vai deixar cair
Aquilo que construiu

sexta-feira, 16 de março de 2012

Portela registra a história

Portela também registra a história através de samba!

Em 1952, Portela e Mangueira já haviam desfilado quando, durante o desfile do Império Serrano, caiu um temporal da peste. O Império se manteve firme e forte desfilando. Os jurados não.
Claro que o Império Serrano foi reclamar do fato. E com certa razão.
Resultado: nenhum. A apuração foi cancelada e não houve vencedor.
Quem venceria o carnaval de 1953 seria considerado o super campeão. Deu Portela.

Mas o fato é que a anulação do resultado do desfile acabou em samba. Uma provocação na rima, sem dizer quem seria o responsável pela anulação.
Esse samba foi cantado no esquenta da Portela para o desfile de 1953.


Não foi Portela que anulou
(Maneco)

Não foi Portela
Que anulou
Não foi Mangueira
Também não foi, não senhor
Essa escola, pra vocês é um mistério
Não digo o nome
Deixo isso a seu critério

Ainda uma chance eu vou lhe dar
Essa escola fica perto de Madureira
Saiu representando, em 52
Ana Néri, a corajosa enfermeira

Mais um samba que fala o ano do ocorrido, o enredo, as escolas que não foram responsáveis pela anulação, e, claramente, a escola que anulou o resultado.

Sensacional!!!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Mangueira registra a história

A Mangueira também tem fez um registro da história.

A classificação até o sexto lugar e os horários dos desfiles. Em 1967.



Tabela do Samba
(Geraldo Neves)

Em primeiro lugar:
Mangueira, não houve engano
Em segundo lugar:
Império Serrano
Em terceiro lugar:
Salgueiro em sem papel
Em quarto lugar:
Unidos de Vila Isabel
O carnaval é um jogo de sinuca
Em quinto lugar:
Unidos de Lucas
Não esquecendo o nome dela
Em sexto lugar:
A querida Portela

Às 9 horas da noite
Foi que o desfile começou
Somente às 4 horas da manhã
Foi que a Mangueira entrou
Na passarela da avenida
O povo gritava:
'Mangueira querida!'

quarta-feira, 7 de março de 2012

Salgueiro registra a história

Em 1953 quando no Morro do Salgueiro ainda haviam 3 escolas, a Azul e Branco, a Depois Eu Digo, e a Unidos do Salgueiro, o Geraldo Babão fez um samba falando sobre balançar a roseira, após o resultado do desfile onde nenhuma das 3 escolas conseguiu um bom resultado.
Nesse samba, Geraldo Babão propôs que se unissem as escolas para formar uma única, poderosa.

Em 1959, já com a união das escolas, a Acadêmicos do Salgueiro veio com um samba lindo, desfile bonito, todo mundo achava que dessa vez ia dar, mas não ganhou. Perdeu pra Portela.
Binha, compositor do Salgueiro fez esse samba, registrando o ocorrido e remetendo ao samba de Geraldo Babão.

Aos 1'46''


Em 59 balançamos a roseira
(Binha)

Em 59
Balançamos a roseira
Demos susto na Portela
Derrubando o Império e a Mangueira
Por 1 ponto e meio
Perdemos a grande vitória
Mas fomos vice-campeões
Com orgulho e glória

Salve
Academia do Salgueiro
Foi a vedete sem igual
No dia 8 de fevereiro
Representou com genial saber
Obras e vultos de Debret


O legal disso tudo é a letra espetacular! Além da melodia, também espetacular!
Ele conta o dia, mês, ano, as 4 primeiras posições, a diferença de pontuação, o enredo, faz uma referência a outro samba do Salgueiro e ainda exalta sua escola, mesmo perdendo.

Sensacional!!!

O Salgueiro veio a conquistar seu primeiro título em 1960, dividindo com a Portela, Mangueira, Império e Unidos da Capela. Em 1963, venceria sozinha.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Argemiro vs Chico e Vinícius


Certa vez apresentaram Argemiro Patrocínio a Chico Buarque e Vinícius de Morais.
Ao ser apresentado como compositor, Chico e Vinícius pediram que ele compusesse algo sobre uma garrafa de cerveja que estava em cima da mesa.
Seu Argemiro, no alto da sua simplicidade, disse que não poderia compor pois não sentia nada pela garrafa.

Passado o encontro, Argemiro estava em casa e compôs isso:



Minha inspiração
(Argemiro)

Quando ouvirem os meus sambas
Vão perguntar talvez
Vão querer saber do meu passado
Que as minhas letras são de apaixonado
Outro gênero não tem vez
Eu direi vocês estão enganados
Não faço sambas fabricados
Compreendendo vão me dar razão
Somente escrevo o que sinto
Falo a verdade e não minto
Culpada é a minha inspiração

Já procurei escrever de outro jeito
Nada saía perfeito
Porque não estava em mim
Não adianta forçar a minha natureza
Se o melhor do samba é a sua pureza
E eu forçando seria meu fim


Atualizado em 15/03
Com os cumprimentos de Edinho, que me passou esse novo áudio.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Depoimentos para Posteridade de luto!

O projeto Depoimentos para Posteridade está de luto. Morreu Seu Vidomar.


Membro da Velha Guarda da Copa Lord, um dos últimos contemporâneos da fundação da Copa Lord. Guardião de histórias inimagináveis, inenarráveis, de lembranças mil.
Benditos aqueles que puderam passar horas, dias, conversando com esse velho. Os velhos são os detentores da experiência da vida. Do conhecimento. E quanto conhecimento tinha Seu Vidomar.

Reza a lenda que ele estava junto com a equipe que fundou Os Garotos do Ritmo, em janeiro de 1955. Em fevereiro, quando da fundação da Copa Lord, Avez-vous teria sugerido o nome atual por achar que o nome antigo já não condizia com a idade deles à época. Seu Vidomar não consta - pelo menos na história do muro do Bar do Segundo - entre os fundadores.
Reza a lenda que Os Garotos do Ritmo continuaram se apresentando como um grupo de samba e dança pela cidade, mesmo após a fundação da Copa Lord. Avez-vous, Nego Quirido, Seu Vidomar, e outros eram os integrantes.

Tudo isso e outras histórias mil hoje rezam como lendas. Nada mais poderá ser confirmado com exata precisão. Toda a história dos sambistas do Morro da Caixa está enterrado no cemitério do Itacorubi com Avez-vous e Seu Vidomar. Dois ilustres que eu não pude entrevistar.

O projeto Depoimentos para Posteridade está de luto!

Adeus, Seu Vidomar!


Imagem retirada do documentário sobre o Nego Quirido, de Guilherme Lira.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Em defesa do x-salada



Porque falam tão mal do x-salada?
Fiz algumas análises e resolvi sair em defesa desta refeição sagrada da madrugada.

A começar pelo nome. X-salada. Salada! O que tem de errado em comer salada? Todos os médicos recomendam incluir salada em qualquer dieta. E alface e tomate não fazem mal pra ninguém.

Milho e ervilha. São encontrados a venda ou em buffet de restaurantes junto com as saladas. Então são saladas. Ou seja, saudáveis.

Pão, queijo e presunto. Meu avô viveu quase 80 anos comendo pão, queijo e presunto com café com leite às 18h. Além do que, pão tem carboidrato, que tem sua utilidade - tudo tem sua utilidade se souber dosar - e o queijo é derivado do leite, que possui proteína. Alguns leites possuem até ômega 3, que faz bem pro coração. Presunto é carne. Proteína.

Por falar em carne, ei-la. Frita na chapa, com óleo vegetal (salada), ou com manteiga ou margarina. Manteiga, derivado do leite. Mas é cara e nenhum lanche coloca manteiga pra fritar carne na chapa. É feita com margarina, que contem gordura vegetal (vegetal), e algumas são feitas de milho. Voltamos ao milho, salada.

A carne passada na chapa é uma das formas mais saudáveis de se cozinhar uma carne.

É possível acrescentar um ovo frito. Mais proteína, gordura, vitaminas e minerais.

Pra completar, o molho. Maionese e catchup. Não gosto de mostarda.

A maionese é feita de gema de ovo. Ovo. Saudável!
Algumas maioneses são misturadas com salsinha, cebolinha e alguns até hortelã. Saladas!

O catchup é feito a base de tomate. Salada!

Ou seja, tudo no x-salada é saudável! Isso tinha que ser recomendado pela OMS como alimento diário!
Já me adiantei. Como quase toda madrugada.

Foto: http://guiadafome.wordpress.com/

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Alcides Malandro Histórico da Portela

Alcides Dias Lopes, mais conhecido como Alcides Malandro Histórico da Portela.
Tem esse apelido por ser da época da fundação da Portela, ter conhecido todos os sambistas da época, inclusive de outras regiões do Rio e por conta de andar por muitos redutos, acumulava histórias desses locais todos e, claro, da sua Portela. Hoje, seu discípulo no quesito memória é o Monarco, que guarda com carinho muitas histórias do mestre Alcides, entre outras.

Alcides era uma das vozes da Portela, no tempo em que as segundas eram improvisadas. Ele, João da Gente e Ventura eram os mestres de canto da Portela.

Nos vídeos, ele fala sobre o primeiro torneio de escolas de samba, na casa de Zé Espinguela (ou Espinguele), quando a Portela (Vai Como Pode) foi vencedora, mas o Zé teve que dar prêmio pra Estácio (Deixa Falar) e pra Mangueira (Estação Primeira), pra não haver briga.



No outro vídeo, o mestre improvisando.


Crédito para que esses vídeos viessem à tona: Barão do Pandeiro!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Vida de músico

Só queria pedir a compreensão de uns e outros que ainda dizem que músico é vagabundo, que só vive na madrugada, só vive de bar em bar, vive fazendo música, etc. Isso tudo é verdade - menos a parte do vagabundo. Mas é um serviço. Um emprego. Um trabalho. Enquanto dormes, ele trabalha. Enquanto o músico dorme, trabalhas. Não há diferença nenhuma.


Então o sujeito resolve ser músico.

Passa horas em casa escutando músicas. Não por prazer. Muitas vezes por obrigação. Pra escutar com detalhes cada parte da música. Se é cantor, dá mais atenção à letra, melodia e interpretação do cantor daquela música. Se tem mais uma gravação, ouve-se as outras gravações pra conhecer os outros arranjos e outras interpretações.
Se é músico de harmonia, dá mais atenção à melodia, interpretação do cantor e em todos os instrumentos de harmonia. Principalmente no seu. Se tem mais uma gravação, idem.
Se é percussionista, melodia, interpretação do cantor e em todos os instrumentos de percussão. Principalmente no seu. Se tem mais uma gravação, idem.

Lá se vão algumas horas de estudo.

Sim. Estudo. Pois quando um músico ouve música não é somente por prazer. Dependendo do vício do músico pelo trabalho, todas as vezes que escuta uma música qualquer, tira algum proveito, faz alguma crítica pessoal sobre a música.

Depois há os ensaios com o grupo.
Gasta-se com passagem de ônibus, ou gasolina, dependendo do local do ensaio. E cansa. Geralmente, o tempo empregado no ensaio costuma ser o mesmo de uma apresentação. Lá se vão mais algumas horas de estudo.

Sim. Estudo. Pois quando o grupo se encontra, não é somente por prazer. O intuito não é sentar e tomar uma cerveja ou cachaça. Por mais que isso aconteça, há estudo. Ensaio. Pra todos terem em mente o que fazer exatamente na hora da apresentação.

E aí chega a hora de apresentação.
Digamos que o show seja às 22h.
O músico tem que estar no local, pelo menos, às 21h pra passar o som. O músico chega no local, descarrega todos os instrumentos, monta o que tem que montar, passa cabo, levanta pedestal, arrasta caixa de som do retorno, etc. Equaliza os instrumentos, volume, voz, do grupo todo, pra que o público ouça a música com a maior perfeição possível. Sem um instrumento mais alto que o outro, atrapalhando a harmonia do grupo.

Aí vem a apresentação.
Veja bem. Até agora o público não ouviu a música. E o músico já teve certo trabalho.
Quando o músico não tem roadie, ele passa o show inteiro preocupado com o som que o público está ouvindo. O som que o público ouve muitas vezes não é o mesmo som que ecoa no palco.

Enquanto o público está no seu momento de lazer, o músico está trabalhando. E por vezes o músico não está com vontade de tocar. Mas toca por obrigação. É seu ganha-pão. Se não tocar, não recebe.
Ou vai dizer que o leitor tem vontade de ir trabalhar todo dia, por mais que seja sentadinho numa sala com ar condicionado na frente de um computador?

Quando acaba o show, as vezes o público pede mais um. Um sinal de valorização do trabalho. E lá vai o músico tocar mais uma música em respeito ao público.
Findado o show, por volta de meia noite, 1h da manhã, o público vai embora. O músico não.
Depois de 2h, 3h de show, o músico ainda fica para comer, beber, quando a casa oferece - algumas casas vendem -, receber o salário e fazer o serviço inverso do palco. Desmontar pedestal, mesa de som, cabos, guardar instrumentos, etc.

Por vezes o dono do estabelecimento vem com uma conta na mão das águas, refris e cervejas que o músico usou durante o show.
Descontados daqui e dali, não é incomum sobrar míseros R$ 60. E não conheço nenhum músico que toque todos os dias do mês. No máximo, quatro vezes por semana. Façam os cálculos se quiserem.
Músico é autônomo mas tem chefe. São os donos dos estabelecimentos que o contratam.

Diante disso tudo, lhes peço: Por favor, mais respeito com o músico!

Obrigado.