domingo, 9 de março de 2008

Motivos que fazem uma casa de show fechar

Dia 18 de janeiro de 2008 eu fiz um texto com esse título.

Na época, me referia ao Bar 4 x 4, na Av. das Rendeiras, na Lagoa, onde o Número Baixo tocava.

Hoje eu me refiro ao Bar de Raiz, na Joaquina, onde o Jeisson, Mirela, e cia cantavam; O Manezinho, onde o Bom Partido tocava; a praça da Lagoa da Conceição, onde rola uma roda de choro e, depois, de partido alto, e a polícia manda fechar o bar, com cerca de 200 pessoas na maior paz de deus, à 00h;......

E a contagem continua................


E o povo canta: "...porque a Vila não quer abafar ninguém. Só quer mostrar que faz samba também!" (Noel Rosa)

quinta-feira, 6 de março de 2008

Ônibus


 
Fila única para um único guichê. Faz sentido.


Vocês já viram o semblante de quem anda de ônibus?

Hoje estava reparando na expressão das pessoas que transitavam pelo TICEN. São rostos fatigados, caras amarradas, faces tristes.

O sistema de transporte coletivo de Florianópolis é horrível! E não me interessa saber se em Joinville é pior, ou se em São Paulo é pior. Não vivo lá. E um erro não justifica outro.

No início de 2008 reformaram e ampliaram os guichês de atendimento da plataforma B, a única para comprar passe. De quatro, passaram para seis. Poderiam até ser oito.
Nos primeiros dias até que estava bom: de dois a três atendentes em cada lado. Hoje está como antes: um atendente.
De que adianta aumentar o número de guichês, se o número de atendentes é o mesmo???

Segundo relatos, os ônibus da plataforma C não desembarcam passageiros na rua, somente na calçada da plataforma. Por mais que tenha que esperar sair um ônibus que esteja estacionado.
Já os ônibus da plataforma B desembarcam os passageiros em qualquer lugar.
A falta de organização impera.
Os fiscais das empresas de ônibus dizem que os ônibus que chegam não podem esperar outros ônibus sair, pois se ficarem parados no meio da rua recebem multa da prefeitura.
E desembarcar passageiros na rua não recebe?
Custa criar um pouco de vergonha na cara e organizar melhor os ônibus de forma que, quando um chegue, tenha, pelo menos, uma vaga para desembarcar os passageiros??? Não é difícil. Pra isso existem os fiscais.

Mas é que o terminal foi tão bem projetado que não coube todos os ônibus da cidade. E não pensaram, sequer, no aumento de linhas.
É um Terminal Integrado que não integra nada com coisa nenhuma. Há linhas intermunicipais utilizando o Terminal Integrado, mas não são integrados.

Os condicionadores de ar são outro problema. Passamos o verão inteiro sem condicionadores de ar nos ônibus. Pior para quem vai pra Trindade, Itacorubi, etc. Alguns desses ônibus possuem as janelas totalmente vedadas, mas os condicionadores de ar estão desligados.

Os banheiros são limpos. Uma vez por dia. De madrugada. O resto do dia, horários de pico, fica ao "Deus dará".
Essa é Florianópolis!
Eu não quero falar mal. Só estou relatando os fatos. Se alguém acha que eu estou falando mal, então é porque a situação está realmente ruim.

E o povo canta: "Cidade, quem te fala é um sambista, ante-projeto de artista, teu grande admirador. Me confesso, boquiaberto, de manhã, quando desperto, com tamanho esplendor. Quando noto o infinito, apresenta tão bonito, trajando azul anil. Vai o sol lá nas alturas, dando maior formosura à mais linda dama do Brasil" (Paulo da Portela)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Floripa Ágil

Ganhei um espaço do Cleber lá no portal dele.
Agora estou, também, coluniando lá no Floripa Ágil.

Não será o mesmo texto. Se fosse, nem faria sentido ter outro espaço.

Pensei em algumas coisas:
Crio um pseudônimo pra assinar lá?
Falo sobre o mesmo tema com abordagens diferentes?
Mudo o foco deste meu blog?
Porque sempre olhamos para a caixa de som quando ouvimos alguma música?

Não tive resposta para nenhuma pergunta. Vou fazendo e ver no que vai dar.


E o povo canta: "Pogréssio! Pogréssio! Nóis sempre escuito falá que o pogréssio vem do trabaio. Então amanhã mesmo nóis vai trabaiá" (Adoniran Barbosa / Oswaldo Moles / J. Belarmino Santos)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Retorno

Só pra não usar "feedback", expressão extrangeira.

Estou começando a gostar desse negócio de blog. Estou recebendo e-mails de retorno. Isso é legal. Mensagens concordantes ou desconcordantes, de conhecidos ou desconhecidos.
Aproveito pra dizer que qualquer comentário deixado no meu blog eu recebo por e-mail automaticamente. Só não sei qual é o e-mail da pessoa que comenta. Ou não há essa opção no Blogger, ou eu não sei mecher direito, mas meu e-mail é arturdebem@hotmail.com pra quem quiser ter conversas mais longas fora do blog. Estou à disposição.

E obrigado pela leitura.


E o povo canta: "...Pois no chão, bem perto do fogão, encontrei um papel escrito assim: Pode apagar o fogo, Mané..." (Adoniran Barbosa)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Reivindicações

Existe muita gente que é exigente.
O gaúcho tem a fama de reclamar por tudo, ser crítico e buscar os seus direitos. Estão certos.
João Gilberto tem a fama de reclamar da acústica dos lugares. Nada pra ele está bom.

Anuncio, com grande satisfação, que a próxima atração do Centro de Atendimento ao Idoso de São José (CATI) é o show nacional de João Gilberto cantando seus grandes sucessos.
(São três brincadeiras: não há show nenhum e não gosto das expressões "show nacional" e "cantando seus grandes sucessos")

Já imaginaram o João Gilberto no CATI?

Dia 17 de fevereiro houve a festa de aniversário de 4 anos do Restaurante Praça 11.
Tinha tudo pra ser uma grande festa. Várias atrações, sambistas de qualidade, público adorável, etc. Mas a tal da acústica fez todos irem embora com dor de cabeça.
Vi gente ir embora do evento e dizer: "Nunca mais venho aqui!"

Se eu fosse músico, faria o mesmo.
Aí os músicos vão me dizer: "Mas temos que ganhar dinheiro."
Concordo. Mas há outros lugares, e com acústica menos pior, pra se ganhar dinheiro.
Acho que está na hora dos músicos começarem a reivindicar melhores condições de trabalho. A começar pela acústica dos lugares.
Temos músicos de excelente qualidade que não combinam tocar em ambiente ruim.
Não há condições de mostrar seu trabalho, a música, num ambiente onde as pessoas não escutam a música, seu trabalho.
É o mesmo que um pintor expôr seus quadros numa sala sem luz.
Tem gente que sai de lugar com acústica ruim colocando a culpa na banda. E até provar que sapo não é jacaré......

Por falar em reivindicações de músicos, está tramitando na Câmara Federal um Projeto de Lei que disciplina o pagamento de couvert artístico. Mas isso é assunto pra outra postagem.


E os músicos cantam: "Nós iremos até Paris arrasar no Olympiá. O show tem que continuar!" (Luiz Carlos da Vila / Arlindo Cruz / Sombrinha)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

100ª publicação

Ninguém dá bola pra quem ganha 99 vezes, ou pra quem faz 999 gols, ou pra quem tem 99 anos.

Não sou muito fã de esperar números redondos para comemoração.
Qualquer aniversário e qualquer número deve ser comemorado. Qualquer momento é expressivo e deve ser celebrado.

Mas pra quem se interessar, esta é a publicação de número 100 deste blog.


E o povo canta: "Há quanto tempo eu não vejo uma nota de 100! Eu também!" (Eraldo Divagar / Crioulo Doido / Osmar Santos)

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Partido alto

Partido alto é a expressão mais autêntica do samba!

Samba de partido alto, em algumas formas existe uma grande semelhança com a música nordestina, com os repentistas nordestinos. Porque o samba de partido também tem aquela forma da improvisação. A improvisação que vai nascendo não só sobre o tema (refrão), mas também sobre o ambiente, sobre o clima que vai se criando aos poucos.

Existem diversas formas de partido alto, variando, entretanto, no número de versos: versos de quadra, versos duplos. Depois o partido se extendeu de uma tal maneira que ficou sendo o que hoje é considerado a primeira parte de um samba. Os sambas de antigamente não tinham segunda parte. Era uma espécie de partido: era uma só, a primeira, onde os versos eram improvisados.

Havia na Portela uma forma de partido muito diferente do que se tem feito hoje em dia, que, por sinal, não se faz mais: era um partido que se identificava pelo som de um cavaquinho, pelo instrumento de um prato, e se formava a roda de samba sem refrão. Era somente o cavaquinho fazendo aquela sonorização e os ritmos, que iam se aderindo ao espírito do trabalho que se pretendia fazer.

Nós tivemos no partido alto passos diversos: o miudinho, o amoladinho e uma forma de dançar o partido, com as mãos na cadeira. A cabrocha entrava na roda se requebrando, se rebolando com as mãos na cadeira.

(Antônio CANDEIA Filho)


A roda de partido é um momento de liberdade. O partideiro, mesmo, tira o verso de improviso como faziam João da Gente, Alcides, Aniceto do Império, Candeia e tantos outros. Hoje, como não há mais essa obrigação, qualquer um pode dizer seu verso, mesmo decorado.

Quando menino, eu via no partido uma forma de comunhão entre a gente do samba. Era brincadeira, a vadiagem, onde todo mundo participava como podia e como queria. A arte mais pura é o jeito de cada um. E só o partido alto oferecia essa oportunidade.

O samba tem, hoje, muitos compromissos, que reduzem a criatividade dos sambistas aos limites ditados pelo grande espetáculo. No partido, porém, tudo acontece de um jeito mais espontâneo. Por isso sempre haverá partideiros. E o verso, de improviso ou não, refletirá as verdades sentidas em cada um.

Vamos vadiar?

(Paulinho da Viola)

Textos retirados do documentário Partido Alto.


Baseado nisso eu os convido para irem na praçinha da Lagoa da Conceição, toda terça-feira, a partir das 21h.

Raphael Galcer e Bernardo fazem uma roda de choro com violão e flauta. Após a roda de choro tem início uma das melhores rodas de partido alto que eu já frequentei! Da forma como Candeia e Paulinho ditam: uma gostosa brincadeira entre os partideiros, feita no improviso, livre para qualquer um participar, do jeito que pode: versando, dançando, tocando, cantando apenas o refrão, enfim.


E o povo canta um dos partidos mais difíceis de se versar: "Ô limoreiro, ô limão. Ô limoeiro, ô limão. Tanta laranja madura limão, derramada pelo chão." (Manacéa)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Tempo

Meu blog não é diário. Não tem periodicidade. E o melhor: não tem chefe.

Gostaria de poder colocar um texto por dia, mas não tenho tempo. E as vezes nem assunto.

Agora começaram as minhas aulas. Isso pode ser sinal de um vácuo maior entre as postagens, ou o sinal de maior movimentação, com os trabalhos acadêmicos. Eu aposto na primeira opção.

Vou tentar manter, pelo menos, a freqüência de envio de e-mails que, por sinal, também não tem frequência.

Talvez o que possa acontecer é a diminuição de assuntos relacionados a samba e mais assuntos esmos.


Enquanto isso o povo continua cantando: "Sinhá, Sinhá, ora essa! Devagar também é pressa!" (Não encontrei o autor, mas o Mensageiros do Samba gravou)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

2 anos

Pra quem interessar, pra quem se importar com datas, hoje o Cantinho do Nermal faz 2 anos.


E o povo canta: "Parabéns pra você, nesta data querida. Muitas felicidades! Muitos anos de vida!" (Autor desconhecido por mim)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Elias Marujo


Elias agradece o público do Mercado Público, num show de seu CD

Grande compositor! Figuraça!

Pequena homenagem!

Não o conheço muito pra moldar algo a seu respeito. Por isso os convido a visitar seu site: http://www.eliasmarujo.mus.br/

Mestre, estou lhe devendo uma tarde de conversa e um cd. Marcaremos um dia!


E o povo canta: "Saudades da Velha Guarda. Quando a cuíca chorava e o velho sambista cantava. Lembranças de um grande amor, na noite enluarada. Poesia era flor da madrugada" (Elias Marujo / Zeca Swinguinho / Renato Demétrio)