segunda-feira, 12 de maio de 2008

Carlos Antônio Gerlach - Seu Catonho

O Mestre Catonho da Cuíca não goste que eu chame ele de "Seu Catonho", porque "Seu" é coisa de velho, segundo ele. Mas eu vou chamar de "Seu Catonho" sempre, como forma de reverência. E "Mestre" porque o velho é foda!

O músico e ex-presidente da Ordem dos Músicos do Brasil - Santa Catarina, não se considera músico, mas toca uma das mais belas cuícas da Grande Florianópolis. A cuíca exata, no lugar certo, na hora própria. É a cuíca mais-que-perfeita na conjugação das cuícas.
É, também, o mais antigo músico de São José. Não é à toa que seu apelido na ala de cuíca das escolas de samba é "Experiência".

Mestre Catonho é iluminado, mora em um lugar mágico, com uma família especial!
Entrar na sua casa é entrar na história de São José e da música mundial.
Mestre Catonho é um historiador que dá inveja para muitos historiadores, incluindo o autor dessas linhas.
Possui um acervo de mensagens, de várias partes do mundo, escritas em todas as peles de cuícas que já usou, desde a primeira, guardadas com muito zelo; partituras de choros, valsas, sambas, várias inéditas, nunca nem interpretadas em palcos ou rodas; instrumentos musicais feitos à mão especialmente para sua pessoa especial; viniis, cds, livros; e o mais importante: histórias guardadas na memória! Tudo isso catalogado com um carinho tamanho, como se cada parte disso tudo fosse único. E é. Assim como Catonho.

Seu Carlos Antônio Gerlach é de família tradicional de São José. Seu pai foi dono do famoso bar na Praça de São José. Em qualquer acervo fotográfico da época é possível ver um bar cheio de garrafas na parte de trás e um senhor recepcionando os clientes. Este senhor é seu pai.
O Cine York também é de sua família. Hoje o Bar Cine York é comandado por um de seus filhos.

Carlos Antônio Gerlach foi dono do bar de seu pai, funcionário da Biblioteca Pública, diretor do Teatro Adolpho Mello e é criador de canário. Vencedor de prêmios. Sua casa é dividida em música e canários. São dezenas de gaiolas tratadas indivualmente, diariamente, com um carinho e uma paciência incrível.

As festas promovidas em sua casa são inenarráveis. É um dos poucos lugares que eu frequentei e não filmei. Não tive coragem. O que se ve lá dentro é único. Privilégio de quem é convidado para entrar em seu recinto. Não devia sair de lá e ser exposto para qualquer um. Não são todos que merecem apreciar. Não são todos que iriam entender.

As festas não são festas sem a sua presença. O samba não é samba sem a sua cuíca. A alegria não é alegria sem seu sorriso. As histórias não são histórias sem a nostalgia proveniente de suas lembranças.


Mestre Catonho da Cuíca, estas lágrimas que eu derramo enquanto escrevo isso são para você.

Texto inspirado nesta foto (Bidu, MESTRE CATONHO, Dôga e Artur de Bem):
Era uma vez...

12 de abril de 2008


E o povo canta: "Eu abro meu peito, o mundo perfeito não passa de um sonho. Porém melhor fica ouvindo a cuíca do irmão Catonho" (Guilherme Partideiro)

3 comentários:

Artur de Bem disse...

Óbviu que falta falar muita coisa, mas não ia caber. E algumas coisas eu esqueci. Como o Sambatuque, seu amigo Luiz Henrique Rosa, etc, etc e etc.

Mas um dia eu faço o histórico dele certinho.

A idéia nem era fazer um histórico, mas foi saindo, saindo, e saiu isso.

Dôga disse...

:~~~~~~
Catonho meu mestre!!!
Sempre no meu coração :D

Dôga disse...

to que é um surfista nessa foto!!