sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Raidinho atualizado!
Depois de ficar quase 1 ano, sei lá, com o Raidinho tocando "Cristina Buarque e Henrique Cazes - vol 01 - Sem tostão...A crise nao é boato", chegou a vez de Cristina Buarque e Henrique Cazes - vol. 2 - Sem tostão...A crise continua
E os sambas e histórias de Noel continuam sendo cantadas e contadas...
Noel era malandro!!
PS.: o Raidinho tá começando na faixa 6 não sei porque. Mas o álbum está completo.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
O prato quebrou
O samba está de luto. Fecharam o blog Prato e Faca, principal fonte da maioria dos pesquisadores de samba de fora de São Paulo.
Talvez porque ele disponibilizava álbuns que estavam no auge da comercialização, ou álbuns que eram facilmente encontrados em qualquer esquina.
É porque o André Carvalho não gastou tempo nisso. Nem dinheiro. E o intuito dele era somente ferrar com as gravadoras. Ele nunca pensou em ajudar ninguém, em difundir a cultura brasileira.
Coisa que o ECAD faz muito bem. Coisa que a Sony tem orgulho em dizer. Coisa que a Continental tem em seu slogan. Coisa que a BMG tem como meta.
O fato é que ele foi fechado.
Agora falta fecharem o blog Um Que Tenha, o Instituto Moreira Salles, ........
Talvez porque ele disponibilizava álbuns que estavam no auge da comercialização, ou álbuns que eram facilmente encontrados em qualquer esquina.
É porque o André Carvalho não gastou tempo nisso. Nem dinheiro. E o intuito dele era somente ferrar com as gravadoras. Ele nunca pensou em ajudar ninguém, em difundir a cultura brasileira.
Coisa que o ECAD faz muito bem. Coisa que a Sony tem orgulho em dizer. Coisa que a Continental tem em seu slogan. Coisa que a BMG tem como meta.
O fato é que ele foi fechado.
Agora falta fecharem o blog Um Que Tenha, o Instituto Moreira Salles, ........
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Chico Santana na Portelinha
Pra mim, tudo começou em dezembro do ano passado, em Atibaia, no lançamento do cd Tuco e Batalhão de Sambistas, quando Fernando Paiva manifestou seu interesse em fazer uma homenagem a Chico Santana em 2011 pelo seu centenário. O "problema" é que tinha representantes de todos os outros grupos junto. Todos abraçaram a idéia. Mas isso já vem de pouco antes, ainda em Uberlândia, quando eles lá já tinham feito uma roda em homenagem ao mestre.
A primeira roda do evento nacional de 2011, envolvendo todos os grupos de, em princício, Uberlândia, São Paulo e Porto Alegre, foi em janeiro, em Uberlândia. Nunca vou esquecer daqueles dias.
Depois veio Glória ao Samba. Não fui, mas pelas fotos e vídeos, dá pra ver que foi algo pesadíssimo.
Terreiro de Mauá. Gripado e com febre, fui ver a homenagem. Emocionante. Fecharam a rua e tudo mais. E o coro das pastoras me deixou atônito.
Terra Brasileira. Não fui, mas vi todo mundo muito feliz nas fotos. Não nas fotos posadas, porque ali, todos ficam felizes. Mas nas fotos dos momentos espontâneos. Todos felizes.
Projeto Resgate. A alegria natural do pessoal do Resgate deu o tom da roda.
Nesse meio tempo, houve uma roda no Rio, com o Jequitibá de lá.
Eis que, dois dias depois do aniversário de 100 anos que Chico Santana faria se estivesse vivo, surge a tão esperada roda na Portelinha.
Em primeiro lugar, posso até arriscar imaginar que, desde meados da década de 60, que a Portelinha não se enchia de sambistas da mais alta estirpe e melhores pedigrees do cenário nacional, não se enchia de samba, emoção e lágrimas. Sim, teve gente que chorou!
24 de setembro de 2011 é mais um dia que eu nunca mais vou esquecer na minha vida, dentre alguns que eu já tive o prazer e honra de viver com esse pessoal, que em outro momento chamei de "uma nova sociedade". Esses grandes sambistas do cenário nacional são obviamente desconhecidos da população, como o grande mestre Chico Santana, gênio de pouca popularidade, foi traído e não traiu jamais.
24 de setembro de 2011 também foi o dia de uma das maiores amarguras da minha vida, ao ter chegado atrasado e não ter visto o primeiro bloco da homenagem com Projeto Resgate, Glória ao Samba e a turma de Uberlândia. Era pra eu estar lá! Nunca vou me perdoar.
Mas cheguei a tempo de ver o que aconteceu depois. De ver as pessoas lá. Umas das mais importantes vivas na história da Portela. Monarco, Waldir 59, Tia Eunice, além de Áurea Maria, Tia Neide Santana, João Baptista M. Vargens, Carlos Monte e meu papa Sérgio Cabral. Quando Terreiro de Mauá, Terra Brasileira e o Jequitibá do Rio começaram o segundo bloco e eu me dei conta do que tava acontecendo, não me contive. Abraçei o Fernando Paiva incontrolavelmente. E a cada música executada, mais lágrimas vinham, até o pranto se tornar mais contido e passar a ser chorado interiormente.
O terceiro bloco foi imendado. Todos juntos. Marcelo Baseado me puxou pra dentro da roda, me entregaram um pandeiro e o Paiva puxou o bloco pra rua. Não desfilei no Pega o Lenço e Vai, em fevereiro, nem na Portela, na década de 30, mas agora posso imaginar como tenha sido. Saiu todo mundo da Portelinha, Estrada do Portela afora, cantando Chico Santana, relembrando pra Oswaldo Cruz os sambas que o bairro tanto ouviu outrora.
Foi de parar o trânsito. Umas 100 pessoas atravessando a rua e recebendo o carinho dos cariocas em carros e ônibus.
Logo a frente, o busto do professor. E ali, embaixo do monumento a Paulo da Portela e abaixo de uma chuva rala pra incomodar, que se seguiu mais um turbilhão de melodias.
Retornamos à Portelinha, parando o trânsito de novo, e entramos cantando. Depois de um tempo, alguém gritou: "Vamos pra mesa da Tia Eunice!" E lá fomos, capitaneados por Edinho, reverenciar uma das pastoras da Velha Guarda. Na mesa, Waldir 59, Tia Eunice e Áurea Maria. As primeiras atenções foram pra Tia Eunice, que se emocionou e levantava as mãos, como que abençoando todos.
Quem a acompanhava pediu: "Gente, ela precisa de espaço pra arejar um pouco. Ela tá muito emocionada. Cheguem um pouco pra trás!" "Não!", respondia ela no ouvido de quem a acompanhava. "Deixa eles", completou.
Depois de incomodar muito a Tia Eunice, no bom sentido, espero, nos viramos para Waldir 59, que estava muito feliz, acompanhava tudo que puxávamos. Aí ele resolveu puxar uns 2 sambas inéditos que nós não pudemos acompanhar, mas ouvimos com muita atenção e nos deliciamos. Sem muito tempo pra descanso, o cavaquinho revesava e o samba não parava.
Em pé mesmo, se arma outra roda. Áurea Maria chega também. A essas alturas já são passado das 22h. A Portelinha começa a se preparar pra fechar. Se foram repetidos 3 sambas durante o dia todo, foi muito. E 99% foram sambas da Portela.
Quando saímos, apagamos a luz. Uma parte foi pra tendinha da frente, fazendo samba, e outra ficou na calçada. E dá-le partido alto! Só caco velho. Loré, Edinho, Dinha, Tuco, Thiago, Wlademir, Dôga, Minas, e não lembro mais quem, ou não lembro os nomes. Perdão.
Quando todo mundo foi embora, sobrou a raspa do tacho: Ronaldinho, Minas, Thiago Candeia, Wlademir e Dôga, que com a participação de outros que eu não conhecia, continuamos a fazer samba na tendinha. E dá-le partido alto!
Não fui pro Rio de Janeiro pra dormir, Léo Careca! Às 4h, com ninguém mais aguentando cantar, ou tocar, encerra-se o samba. Dali, era só esperar amanhecer, pegar um ônibus e ir pro aeroporto. Do aeroporto pra casa, pra escrever essas mal traçadas linhas. Agora é dormir um pouco.
A impressão que me deu foi de que a Velha Guarda se sentiu realizada. O propósito deles de manter viva a história da Portela e dos sambistas de lá foi concretizado. A Velha Guarda estava feliz por saber que tem tanta gente disposta a respeitar a tradição e mantendo o nome dos compositores e sambistas no seu devido lugar. Eles estavam tranquilos em saber que sua luta não foi em vão.
Agora, mais do que nunca, o samba da Velha Guarda, não só da Portela, mas da Mangueira, Salgueiro, Império, da Velha Guarda de Pixinguinha, Donga, Bide, está bem viva.
É impossível contar tudo ou transmitir a emoção. Ainda bem que André Carvalho estava junto e vai contar a visão dele dessa história.
Fotos: Artur de Bem
Áudios: Vânia Carvalho - Pranto (Chico Santana)
Velha Guarda da Portela - Vida de fidalga (Chico Santana / Alvaiade)
A primeira roda do evento nacional de 2011, envolvendo todos os grupos de, em princício, Uberlândia, São Paulo e Porto Alegre, foi em janeiro, em Uberlândia. Nunca vou esquecer daqueles dias.
Depois veio Glória ao Samba. Não fui, mas pelas fotos e vídeos, dá pra ver que foi algo pesadíssimo.
Terreiro de Mauá. Gripado e com febre, fui ver a homenagem. Emocionante. Fecharam a rua e tudo mais. E o coro das pastoras me deixou atônito.
Terra Brasileira. Não fui, mas vi todo mundo muito feliz nas fotos. Não nas fotos posadas, porque ali, todos ficam felizes. Mas nas fotos dos momentos espontâneos. Todos felizes.
Projeto Resgate. A alegria natural do pessoal do Resgate deu o tom da roda.
Nesse meio tempo, houve uma roda no Rio, com o Jequitibá de lá.
Eis que, dois dias depois do aniversário de 100 anos que Chico Santana faria se estivesse vivo, surge a tão esperada roda na Portelinha.
Em primeiro lugar, posso até arriscar imaginar que, desde meados da década de 60, que a Portelinha não se enchia de sambistas da mais alta estirpe e melhores pedigrees do cenário nacional, não se enchia de samba, emoção e lágrimas. Sim, teve gente que chorou!
24 de setembro de 2011 é mais um dia que eu nunca mais vou esquecer na minha vida, dentre alguns que eu já tive o prazer e honra de viver com esse pessoal, que em outro momento chamei de "uma nova sociedade". Esses grandes sambistas do cenário nacional são obviamente desconhecidos da população, como o grande mestre Chico Santana, gênio de pouca popularidade, foi traído e não traiu jamais.
24 de setembro de 2011 também foi o dia de uma das maiores amarguras da minha vida, ao ter chegado atrasado e não ter visto o primeiro bloco da homenagem com Projeto Resgate, Glória ao Samba e a turma de Uberlândia. Era pra eu estar lá! Nunca vou me perdoar.
Mas cheguei a tempo de ver o que aconteceu depois. De ver as pessoas lá. Umas das mais importantes vivas na história da Portela. Monarco, Waldir 59, Tia Eunice, além de Áurea Maria, Tia Neide Santana, João Baptista M. Vargens, Carlos Monte e meu papa Sérgio Cabral. Quando Terreiro de Mauá, Terra Brasileira e o Jequitibá do Rio começaram o segundo bloco e eu me dei conta do que tava acontecendo, não me contive. Abraçei o Fernando Paiva incontrolavelmente. E a cada música executada, mais lágrimas vinham, até o pranto se tornar mais contido e passar a ser chorado interiormente.
O terceiro bloco foi imendado. Todos juntos. Marcelo Baseado me puxou pra dentro da roda, me entregaram um pandeiro e o Paiva puxou o bloco pra rua. Não desfilei no Pega o Lenço e Vai, em fevereiro, nem na Portela, na década de 30, mas agora posso imaginar como tenha sido. Saiu todo mundo da Portelinha, Estrada do Portela afora, cantando Chico Santana, relembrando pra Oswaldo Cruz os sambas que o bairro tanto ouviu outrora.
Foi de parar o trânsito. Umas 100 pessoas atravessando a rua e recebendo o carinho dos cariocas em carros e ônibus.
Logo a frente, o busto do professor. E ali, embaixo do monumento a Paulo da Portela e abaixo de uma chuva rala pra incomodar, que se seguiu mais um turbilhão de melodias.
Retornamos à Portelinha, parando o trânsito de novo, e entramos cantando. Depois de um tempo, alguém gritou: "Vamos pra mesa da Tia Eunice!" E lá fomos, capitaneados por Edinho, reverenciar uma das pastoras da Velha Guarda. Na mesa, Waldir 59, Tia Eunice e Áurea Maria. As primeiras atenções foram pra Tia Eunice, que se emocionou e levantava as mãos, como que abençoando todos.
Quem a acompanhava pediu: "Gente, ela precisa de espaço pra arejar um pouco. Ela tá muito emocionada. Cheguem um pouco pra trás!" "Não!", respondia ela no ouvido de quem a acompanhava. "Deixa eles", completou.
Depois de incomodar muito a Tia Eunice, no bom sentido, espero, nos viramos para Waldir 59, que estava muito feliz, acompanhava tudo que puxávamos. Aí ele resolveu puxar uns 2 sambas inéditos que nós não pudemos acompanhar, mas ouvimos com muita atenção e nos deliciamos. Sem muito tempo pra descanso, o cavaquinho revesava e o samba não parava.
Em pé mesmo, se arma outra roda. Áurea Maria chega também. A essas alturas já são passado das 22h. A Portelinha começa a se preparar pra fechar. Se foram repetidos 3 sambas durante o dia todo, foi muito. E 99% foram sambas da Portela.
Quando saímos, apagamos a luz. Uma parte foi pra tendinha da frente, fazendo samba, e outra ficou na calçada. E dá-le partido alto! Só caco velho. Loré, Edinho, Dinha, Tuco, Thiago, Wlademir, Dôga, Minas, e não lembro mais quem, ou não lembro os nomes. Perdão.
Quando todo mundo foi embora, sobrou a raspa do tacho: Ronaldinho, Minas, Thiago Candeia, Wlademir e Dôga, que com a participação de outros que eu não conhecia, continuamos a fazer samba na tendinha. E dá-le partido alto!
Não fui pro Rio de Janeiro pra dormir, Léo Careca! Às 4h, com ninguém mais aguentando cantar, ou tocar, encerra-se o samba. Dali, era só esperar amanhecer, pegar um ônibus e ir pro aeroporto. Do aeroporto pra casa, pra escrever essas mal traçadas linhas. Agora é dormir um pouco.
A impressão que me deu foi de que a Velha Guarda se sentiu realizada. O propósito deles de manter viva a história da Portela e dos sambistas de lá foi concretizado. A Velha Guarda estava feliz por saber que tem tanta gente disposta a respeitar a tradição e mantendo o nome dos compositores e sambistas no seu devido lugar. Eles estavam tranquilos em saber que sua luta não foi em vão.
Agora, mais do que nunca, o samba da Velha Guarda, não só da Portela, mas da Mangueira, Salgueiro, Império, da Velha Guarda de Pixinguinha, Donga, Bide, está bem viva.
É impossível contar tudo ou transmitir a emoção. Ainda bem que André Carvalho estava junto e vai contar a visão dele dessa história.
Fotos: Artur de Bem
Áudios: Vânia Carvalho - Pranto (Chico Santana)
Velha Guarda da Portela - Vida de fidalga (Chico Santana / Alvaiade)
Atalho
Alvaiade,
Chico Santana,
Música,
Portela
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Centenário de Chico Santana
Dia 22 de setembro de 1911 nascia Francisco Felisberto Santana, conhecido como Chico Santana, ou Chico Traidor.
No país inteiro, desde janeiro, tem ocorridas rodas de samba em homenagem ao mestre: Uberlândia, São Paulo (Glória ao Samba, Terreiro de Mauá e Terra Brasileira) e Porto Alegre (com o Projeto Resgate). Participei de Uberlândia, Mauá e Porto Alegre.
Dia 24 de setembro, neste sábado, haverá a última roda, na Portelinha, sede da Velha Guarda da Portela, da qual Chico Santana fazia parte.
Em breve, publicarei algum material dele. Sambas inéditos, fotos e vídeos dessas homenagens todas!
Mais informações sobre o mestre Chico Santana, podem ser obtidas no Dicionário Cravo Albin.
Mas eu prefiro este texto, do meu amigo André Carvalho, publicado no seu blog O Couro do Cabrito sobre a primeira roda, em Uberlândia.
E salve Chico Santana! Foi traído e não traiu jamais!
Samba da traição
(Chico Santana)
Quem vê cara não vê coração
Um sorriso também pode ser uma traição
Cristo também foi traído
Por Judas fingindo seu amigo
Com tanta ternura um beijo na testa lhe deu
E por trinta dinheiros lhe vendeu
Com um sorriso Cristo recebeu o beijo de ironia
Dando a impressão que nada sabia
Judas estremeceu ao ouvir sua voz:
"Existe um traidor entre nós"
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Samba do paranormal
Pressentimento
(Nermal)
Pressentimento
(Nermal)
Pressentimento
Em minha mente eu tenho demais
Sanidade que eu tinha, nunca mais
Depois daquele dia
Em que eu fui observador
Que a mulher que eu tanto via
Em vida me teve amor
Hoje ela pensa que estou alucinado
Mas é mentira
Já estou desesperado
Agora estou resolvido
A não enxergar mais ninguém
Porque se só eu vejo
Que graça tem?
Samba original de Mijinha
Samba original de Mijinha
Atalho
Artur de Bem,
Mijinha,
Música,
Paulinho da Viola
sábado, 10 de setembro de 2011
Ninguém quer essa vida, Zambi!
Esses dias, perto do meio dia, eu estava numa tendinha num morro - morro como qualquer outro, com escola, malandros e trabalhadores, muitos trabalhadores - e na tv passava uma reportagem sobre um caso policial envolvendo adolescentes de uma outra favela - favela como qualquer outra, com escola, malandros e trabalhadores, muitos trabalhadores.
Até o repórter informar de onde eram os adolescentes, não havia nenhuma manifestação estranha, além das "minha nossa" e "que barbaridade", já esperadas. Quando ouve-se a procedência dos autores, ouço um homem dizer: "Ahn... tinha que ser, mesmo!".
Como assim, "tinha que ser"? O fato dos autores do crime serem de uma favela não significa nada.
O que me espantou foi um, em princípio, morador de um morro, também favela, falar mal de outra favela, no caso, sem ser no morro.
Na teoria, o sujeito rouba por necessidade. É um problema social.
Na teoria, o sujeito que mora em uma favela carece de alguns itens de sobrevivência como saneamento básico, alimentação, água, energia elétrica...
Na teoria. Porque na prática não vive nenhum miserável que passe fome nessas localidades em especial.
Claro que o crime não foi impulsionado por uma questão de sobrevivência. Mais provável que tenha sido por uma questão de sobrevivência social. Eram jovens que praticaram os crimes provavelmente para se manter no ciclo de convivência deles.
Mas o comentário do homem sobre a reportagem foi de uma forma como se o morro onde ele estava fosse melhor - ou pior - do que a favela da reportagem. Lá tem moradores iguais aos do morro. Era o sujo falando do mal lavado.
Assim não, Zambi!
(Martinho da Vila)
Quando eu morrer
Até o repórter informar de onde eram os adolescentes, não havia nenhuma manifestação estranha, além das "minha nossa" e "que barbaridade", já esperadas. Quando ouve-se a procedência dos autores, ouço um homem dizer: "Ahn... tinha que ser, mesmo!".
Como assim, "tinha que ser"? O fato dos autores do crime serem de uma favela não significa nada.
O que me espantou foi um, em princípio, morador de um morro, também favela, falar mal de outra favela, no caso, sem ser no morro.
Na teoria, o sujeito rouba por necessidade. É um problema social.
Na teoria, o sujeito que mora em uma favela carece de alguns itens de sobrevivência como saneamento básico, alimentação, água, energia elétrica...
Na teoria. Porque na prática não vive nenhum miserável que passe fome nessas localidades em especial.
Claro que o crime não foi impulsionado por uma questão de sobrevivência. Mais provável que tenha sido por uma questão de sobrevivência social. Eram jovens que praticaram os crimes provavelmente para se manter no ciclo de convivência deles.
Mas o comentário do homem sobre a reportagem foi de uma forma como se o morro onde ele estava fosse melhor - ou pior - do que a favela da reportagem. Lá tem moradores iguais aos do morro. Era o sujo falando do mal lavado.
Assim não, Zambi!
(Martinho da Vila)
Quando eu morrer
Vou bater lá na porta do céu
E vou falar pra São Pedro
Que ninguém quer essa vida cruel
E vou falar pra São Pedro
Que ninguém quer essa vida cruel
Eu não quero essa vida não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi
Eu não quero as crianças roubando
A veinha esmolando uma xepa na feira
Eu não quero esse medo estampado
Na cara duns nêgo sem eira nem beira
A veinha esmolando uma xepa na feira
Eu não quero esse medo estampado
Na cara duns nêgo sem eira nem beira
Asbre as cadeias
Pros inocentes
Dá liberdade pros homens de opinião
Quando um nêgo tá morto de fome
Um outro não tem o que comer
Quando um nêgo tá num pau-de-arara
Tem nego penando num outro sofrer
Pros inocentes
Dá liberdade pros homens de opinião
Quando um nêgo tá morto de fome
Um outro não tem o que comer
Quando um nêgo tá num pau-de-arara
Tem nego penando num outro sofrer
Deus é pai, Deus é filho, Espírito Santo é Zambi
Eu não quero essa vida não Zambi
Clementina é filha de Zambi
Eu não quero essa vida não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi
Eu não quero essa vida não Zambi
Clementina é filha de Zambi
Eu não quero essa vida não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi
Atalho
Clementina de Jesus,
Martinho da Vila,
Música
domingo, 4 de setembro de 2011
Vou começar a cantar
Num certo fim de semana, eu estava com uma visita de São Paulo e visitei todos os pontos que pude da cidade que tocam samba, pra mostrar pra essa visita o que temos aqui.
Depois de visitar uns 7 lugares, cheguei a uma conclusão: Vou começar a cantar na noite!
Não sou afinado. Mas e daí? Parece que isso não é uma exigência pra se cantar aqui.
Nem ter ritmo. Nem seguir a melodia das músicas.
Interpretação é isso.
Foi fiel à melodia, com uma divisão e entonação perfeitas.
Mudança de melodia, de ritmo, avacalhação com a música é isso.
Não consegui perceber, nas noites de Floripa, nenhuma preocupação em estudar as músicas que se canta, a intenção do autor, o estilo da música (se é samba de roda, canção, partido alto). As tardes de Floripa estão safas da crítica. Baseado no que eu vi, basta ter vontade de cantar. Saber cantar é apenas um mero detalhe.
Foram apresentações pífias. Mesmo as músicas banais, que se cantam há 318 anos, são interpretadas de forma inexpressiva. Aliás, não há interpretação. Há uma mera exposição da música.
Aguardem! Em breve estrearei meu show!
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Falar sozinho
Sempre falei comigo mesmo. Discuto, respondo... tudo entre eu e eu mesmo.
Certa vez, tive uma discussão feia e fiquei alguns dias sem falar comigo.
Falar consigo mesmo é bom. Se não há com quem desabafar, desabafe só. Melhor ainda pros esquizofrênicos, autistas, bipolares, que podem se auto consolar, com palavras de conforto.
Quem fala sozinho é considerado maluco. Os incompreensíveis são considerados malucos. Os gênios também são considerados malucos. Muitos dos gênios que conhecemos falavam sozinhos e eram incompreensíveis.
Esses dias passei por uma pessoa desacompanhada, séria, passos firmes, trajando roupas com tamanho adequado ao corpo, limpas, completa, falando sozinha. Após um breve recesso, como quem estivesse ouvindo a resposta, tornou a falar. Percebi que as respostas não eram bem aquilo que ela desejava ouvir, pois sua expressão e tom de voz mudavam constantemente. Sempre na linha do séria. Acompanhei-a pela rua até o fim de sua conversa. Ela estava no celular, usando um fone de ouvido. Ou seja, não falava sozinha.
Aquele sujeito que você encontra pela rua, aparentemente sempre feliz, com passos irregulares, não estranho se exalar um odor de açúcar em estado sólido natural depois de fermentado, com roupas de tamanho geralmente menor do que o corpo, doadas por algum varal, já sujas, um pé com sapato e o outro descalço, costumeiramente acompanhado de um cachorro, de vez em quando fala sozinho. Ou com o cachorro, quando o acompanha. Por vezes, ouvimos somente aquilo que desejamos ouvir. A resposta que ele obtém, dele mesmo, dessa conversa aparentemente solitária deve ser satisfatória pois ele continua falando.
Esses sujeitos são profetas! Falam sozinhos e são incompreensíveis. Gênios!!
A vida ensina. E esses, por viverem somente na rua, são PHDs na vida. Sabem de tudo. Passíveis de palestrar em qualquer ambiente. Não compreendem um funcionamento da bolsa de valores, de uma faculdade ou de um computador. Mas quem disse que precisamos? Compreender a vida é e vale muito mais que isso.
Todos falam sozinhos. Ou deveriam. É um bom exercício.
Vergonha é poder roubar e não poder carregar.
Não compreendeu o texto?
Sou um incompreensível.
Certa vez, tive uma discussão feia e fiquei alguns dias sem falar comigo.
Falar consigo mesmo é bom. Se não há com quem desabafar, desabafe só. Melhor ainda pros esquizofrênicos, autistas, bipolares, que podem se auto consolar, com palavras de conforto.
Quem fala sozinho é considerado maluco. Os incompreensíveis são considerados malucos. Os gênios também são considerados malucos. Muitos dos gênios que conhecemos falavam sozinhos e eram incompreensíveis.
Esses dias passei por uma pessoa desacompanhada, séria, passos firmes, trajando roupas com tamanho adequado ao corpo, limpas, completa, falando sozinha. Após um breve recesso, como quem estivesse ouvindo a resposta, tornou a falar. Percebi que as respostas não eram bem aquilo que ela desejava ouvir, pois sua expressão e tom de voz mudavam constantemente. Sempre na linha do séria. Acompanhei-a pela rua até o fim de sua conversa. Ela estava no celular, usando um fone de ouvido. Ou seja, não falava sozinha.
Aquele sujeito que você encontra pela rua, aparentemente sempre feliz, com passos irregulares, não estranho se exalar um odor de açúcar em estado sólido natural depois de fermentado, com roupas de tamanho geralmente menor do que o corpo, doadas por algum varal, já sujas, um pé com sapato e o outro descalço, costumeiramente acompanhado de um cachorro, de vez em quando fala sozinho. Ou com o cachorro, quando o acompanha. Por vezes, ouvimos somente aquilo que desejamos ouvir. A resposta que ele obtém, dele mesmo, dessa conversa aparentemente solitária deve ser satisfatória pois ele continua falando.
Esses sujeitos são profetas! Falam sozinhos e são incompreensíveis. Gênios!!
A vida ensina. E esses, por viverem somente na rua, são PHDs na vida. Sabem de tudo. Passíveis de palestrar em qualquer ambiente. Não compreendem um funcionamento da bolsa de valores, de uma faculdade ou de um computador. Mas quem disse que precisamos? Compreender a vida é e vale muito mais que isso.
Todos falam sozinhos. Ou deveriam. É um bom exercício.
Vergonha é poder roubar e não poder carregar.
Não compreendeu o texto?
Sou um incompreensível.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
O o o o... o Noel voltooo !!!
E o Bar do Noel reabre as portas!
Depois de um longo e tenebroso inverno de uma semana sem samba, o Bar do Noel reabre, sob nova direção, e já estão sendo retomadas as atividades semanais de samba.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Noel Rosa morreu! E nem completou 26 anos!
Tudo na vida tem começo, meio e fim.
Pelé foi um gênio porque, além de jogar um futebolzinho mais ou menos, era inteligente. Soube, inclusive, a hora de parar, no ápice de sua carreira, pra fechar com chave de ouro.
Ninguém é insubstituível.
Todo mundo pode ser trocado por qualquer coisa. Ainda mais no mundo de hoje, onde os itens de valor estão cada vez mais se tornando dispensáveis, meros detalhes.
Sempre falei que o Bar do Noel era o melhor ambiente da cidade e que o samba feito lá, aos sábados, era a melhor, se não única, e que nem por isso deixaria de ser a melhor, roda de samba da cidade.
O clima do buteco era muito bom. O clima da roda era muito bom. Tudo era muito bom.
Nem tudo, óbvio. Mas alguma coisa era até relevada.
Em todo lugar existe as pessoas boas e os chatos. No Noel não era diferente.
Sempre gostei dos undergrounds que andavam por lá. Até porque, desde que eu conheço aquela região (Ratclif, João Pinto), eles sempre dominavam o espaço. E o samba que era executado aos sábados é underground. Não só pelo repertório, mas pela instrumentação, o clima, a confraternização, tudo. É algo fora dos padrões, fora da moda, fora de qualquer possibilidade de entendimento das mentes sãs.
Infelizmente, com o passar do tempo, os undergrounds nativos foram deixando de frequentar naturalmente, sem desrespeito. Até aí, nada de mais.
O problema é que, recentemente, surgiram vários "donos" do espaço. Não só do bar, mas da Travessa, do samba, do sábado...
Não sei cozinhar, mas sei que se duas pessoas mexerem na mesma panela, a comida desanda.
Com grandes poderes, surgem grandes responsabilidades. Ser "dono" de um grupo musical, por exemplo, significa, praticamente, ser dono de uma empresa, onde os outros integrantes do grupo são os funcionários que fazem a empresa ir para frente. Apesar de ser um trabalho gratificante, deve-se saber administrar, pois um erro pode levar ao fim do grupo (empresa), e a consequente demissão dos integrantes (funcionários). Imagina, então, ser dono de uma empresa onde acontece semanalmente a apresentação de um grupo musical.
Devemos, sempre, respeitar os mais velhos, aqueles que chegaram primeiro. Quem é do samba, tem isso incrustrado nas veias.
Nunca se começa nada do marco zero. Primeiro, porque o tempo é cíclico. As coisas sempre se repetem. E segundo, porque sempre há uma história antecedendo a sua, e que não deve ser ignorada.
Obrigado, Seu Edson! Que reabriu o antigo Petit, ou apenas mudou de nome (não sei bem ao certo), e teve vontade, coragem, peito e responsabilidade ao iniciar algo que virou história na cidade, com o grupo Bom Partido. Uma história que respeitou o passado e deve ser respeitada no futuro.
O Bar do Noel cerrou as portas. Por tempo indeterminado. Mesmo sabendo que um dia ia acabar, assim como se sabe que depois da vida há a morte, a gente fica triste. Mesmo imaginando que o bar volte um dia, assim como volta um amigo de viagem, a gente está triste. Mesmo que o samba volte, assim como reatam os namorados, não será como era antes. Nunca é. E eu fico triste por isso.
Por isso, e pela falta de sensibilidade de alguns em não conseguir vislumbrar toda beleza que havia lá. Toda a magia. Toda a história.
Mas tudo bem. Ainda temos ar nos nossos pulmões, sangue em nossas veias, samba em nossa alma. Devemos agora lembrar dos tempos bons que passamos lá. Esquecer o passado ruim e nos reencontrarmos. Em algum samba por aí.
A gente era feliz. E sabia!
Pelé foi um gênio porque, além de jogar um futebolzinho mais ou menos, era inteligente. Soube, inclusive, a hora de parar, no ápice de sua carreira, pra fechar com chave de ouro.
Ninguém é insubstituível.
Todo mundo pode ser trocado por qualquer coisa. Ainda mais no mundo de hoje, onde os itens de valor estão cada vez mais se tornando dispensáveis, meros detalhes.
Sempre falei que o Bar do Noel era o melhor ambiente da cidade e que o samba feito lá, aos sábados, era a melhor, se não única, e que nem por isso deixaria de ser a melhor, roda de samba da cidade.
O clima do buteco era muito bom. O clima da roda era muito bom. Tudo era muito bom.
Nem tudo, óbvio. Mas alguma coisa era até relevada.
Em todo lugar existe as pessoas boas e os chatos. No Noel não era diferente.
Sempre gostei dos undergrounds que andavam por lá. Até porque, desde que eu conheço aquela região (Ratclif, João Pinto), eles sempre dominavam o espaço. E o samba que era executado aos sábados é underground. Não só pelo repertório, mas pela instrumentação, o clima, a confraternização, tudo. É algo fora dos padrões, fora da moda, fora de qualquer possibilidade de entendimento das mentes sãs.
Infelizmente, com o passar do tempo, os undergrounds nativos foram deixando de frequentar naturalmente, sem desrespeito. Até aí, nada de mais.
O problema é que, recentemente, surgiram vários "donos" do espaço. Não só do bar, mas da Travessa, do samba, do sábado...
Não sei cozinhar, mas sei que se duas pessoas mexerem na mesma panela, a comida desanda.
Com grandes poderes, surgem grandes responsabilidades. Ser "dono" de um grupo musical, por exemplo, significa, praticamente, ser dono de uma empresa, onde os outros integrantes do grupo são os funcionários que fazem a empresa ir para frente. Apesar de ser um trabalho gratificante, deve-se saber administrar, pois um erro pode levar ao fim do grupo (empresa), e a consequente demissão dos integrantes (funcionários). Imagina, então, ser dono de uma empresa onde acontece semanalmente a apresentação de um grupo musical.
Devemos, sempre, respeitar os mais velhos, aqueles que chegaram primeiro. Quem é do samba, tem isso incrustrado nas veias.
Nunca se começa nada do marco zero. Primeiro, porque o tempo é cíclico. As coisas sempre se repetem. E segundo, porque sempre há uma história antecedendo a sua, e que não deve ser ignorada.
Obrigado, Seu Edson! Que reabriu o antigo Petit, ou apenas mudou de nome (não sei bem ao certo), e teve vontade, coragem, peito e responsabilidade ao iniciar algo que virou história na cidade, com o grupo Bom Partido. Uma história que respeitou o passado e deve ser respeitada no futuro.
O Bar do Noel cerrou as portas. Por tempo indeterminado. Mesmo sabendo que um dia ia acabar, assim como se sabe que depois da vida há a morte, a gente fica triste. Mesmo imaginando que o bar volte um dia, assim como volta um amigo de viagem, a gente está triste. Mesmo que o samba volte, assim como reatam os namorados, não será como era antes. Nunca é. E eu fico triste por isso.
Por isso, e pela falta de sensibilidade de alguns em não conseguir vislumbrar toda beleza que havia lá. Toda a magia. Toda a história.
Mas tudo bem. Ainda temos ar nos nossos pulmões, sangue em nossas veias, samba em nossa alma. Devemos agora lembrar dos tempos bons que passamos lá. Esquecer o passado ruim e nos reencontrarmos. Em algum samba por aí.
A gente era feliz. E sabia!
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