A cada quinzena eu vou criar um vídeo para acompanhar minha coluna no Jornal O Carona, distribuído quinzenalmente às terças nos terminais de ônibus de Floripa.
Esse primeiro vídeo é um piloto, pra ver se dá certo.
A coluna dessa semana é essa:
terça-feira, 16 de abril de 2013
sábado, 13 de abril de 2013
Nelson Cavaquinho e Noel Rosa
Taí uma combinação que nunca me passou pela cabeça.
Mas pensemos:
Noel Rosa nasceu em 1910.
Nelson Cavaquinho nasceu em 1911.
Noel Rosa era amigo de Cartola.
Nelson Cavaquinho era amigo de Cartola.
Noel Rosa andava muito em Mangueira.
Nelson Cavaquinho andava muito em Mangueira.
Noel Rosa fez samba junto com Cartola.
Nelson Cavaquinho fez um samba junto com Cartola.
E coincidentemente, o único samba de parceria de Nelson com Cartola, "Devia ser condenada", era cantado lá no Morro de vez em quando. Em uma das idas de Noel por lá, ele ouviu e gostou.
Eis a história do Noel.
Eis a história do samba.
E eis o samba completo que recebeu elogios de Noel Rosa, na voz do Nelson. A primeira do Nelson e a segunda do Cartola.
Sabe-se lá de qual autoria o Noel ficou sabendo. Se somente do Nelson, enquanto só havia a primeira; Nelson e Cartola; ou Nelson e o outro policial.
Devia ser condenada
(Nelson Cavaquinho / Cartola)
Devia ser condenada ou crucificada pois juraste falso
Beijaste a cruz do Senhor e dissesses que me tinha amor
Quando eu ouço as baladas do sino daquela igrejinha
Julgo-me ainda feliz e que és toda minha
E quando vejo a torre bem alta daquela linda catedral
Fujo da tua amizade infernal
Eu vivo tão magoado
Não sei viver mais ao teu lado
Só peço a Deus que me dê coragem
Eu preciso esquecer
Da tua grande mentira
Que me faz sofrer
(Me faz sofrer)
Só faltou uma parceria Nelson e Noel.
Mas pensemos:
Noel Rosa nasceu em 1910.
Nelson Cavaquinho nasceu em 1911.
Noel Rosa era amigo de Cartola.
Nelson Cavaquinho era amigo de Cartola.
Noel Rosa andava muito em Mangueira.
Nelson Cavaquinho andava muito em Mangueira.
Noel Rosa fez samba junto com Cartola.
Nelson Cavaquinho fez um samba junto com Cartola.
E coincidentemente, o único samba de parceria de Nelson com Cartola, "Devia ser condenada", era cantado lá no Morro de vez em quando. Em uma das idas de Noel por lá, ele ouviu e gostou.
Eis a história do Noel.
Eis a história do samba.
E eis o samba completo que recebeu elogios de Noel Rosa, na voz do Nelson. A primeira do Nelson e a segunda do Cartola.
Sabe-se lá de qual autoria o Noel ficou sabendo. Se somente do Nelson, enquanto só havia a primeira; Nelson e Cartola; ou Nelson e o outro policial.
Devia ser condenada
(Nelson Cavaquinho / Cartola)
Devia ser condenada ou crucificada pois juraste falso
Beijaste a cruz do Senhor e dissesses que me tinha amor
Quando eu ouço as baladas do sino daquela igrejinha
Julgo-me ainda feliz e que és toda minha
E quando vejo a torre bem alta daquela linda catedral
Fujo da tua amizade infernal
Eu vivo tão magoado
Não sei viver mais ao teu lado
Só peço a Deus que me dê coragem
Eu preciso esquecer
Da tua grande mentira
Que me faz sofrer
(Me faz sofrer)
Só faltou uma parceria Nelson e Noel.
Atalho
Cartola,
Música,
Nelson Cavaquinho,
Noel Rosa,
vídeo
quarta-feira, 3 de abril de 2013
A turma do Estácio
Esse documentário chegou às minhas mão sabe-se lá como. Em alguma transação de troca de arquivo com amigos, provavelmente.
O vídeo tava perdido numa pasta sem muita importância, até que eu resolvi abrir.
Reza a lenda que isso seria uma produção da Rede Globo, num tal Super Sexta que eles tinham nas décadas de 1970 e 80.
No documentário, depoimentos importantes e valiosos de pessoas como Ismael Silva, Bucy Moreira, Raul Marques, Morengueira, Roberto Martins, entre outros que não foram identificados, além de imagens raras de músicos como Doutor e Marçal, o bailado de Bucy e Raul, os versos de improviso de Alcides Malandro Histórico da Portela, a Velha Guarda da Portela, entre outras belezuras.
O vídeo tava perdido numa pasta sem muita importância, até que eu resolvi abrir.
Reza a lenda que isso seria uma produção da Rede Globo, num tal Super Sexta que eles tinham nas décadas de 1970 e 80.
No documentário, depoimentos importantes e valiosos de pessoas como Ismael Silva, Bucy Moreira, Raul Marques, Morengueira, Roberto Martins, entre outros que não foram identificados, além de imagens raras de músicos como Doutor e Marçal, o bailado de Bucy e Raul, os versos de improviso de Alcides Malandro Histórico da Portela, a Velha Guarda da Portela, entre outras belezuras.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Roda no Bar do Noel dia 23!
O grupo Um Bom Partido volta a tocar no Bar do Noel!!
Será uma apresentação única! SOMENTE ESTE SÁBADO, dia 23, às 14h!!
Estamos torcendo para que voltemos a tocar lá regularmente, mas a princípio haverá roda somente neste sábado dia 23!!!
Quem nunca foi e quiser saber como era o samba, é oportunidade única!!
E pra quem tá com saudades, relembrar os tempos de outrora!!
O Bar do Noel fica na esquina da Rua Tiradentes com a Travessa Ratclif, no Centro.
A roda é de graça, no calçadão da Travessa.
Atalho
Bar do Noel,
Samba em Floripa,
Um Bom Partido
segunda-feira, 11 de março de 2013
100 anos e 248 músicas de Wilson Baptista
Esse ano Wilson Baptista faria 100 anos se estivesse vivo.
Segundo o próprio Wilson, ele tem umas 700 músicas. Existem umas 500 catalogadas. Eu to disponibilizando 248.
Não tenho a pretensão de distribuir todas as músicas do Wilson. Até porque eu não tenho a pretensão de encontrar todas as músicas do Wilson. Essas são apenas as que eu consegui organizar.
Wilson Baptista parte 1
https://www.box.com/s/qkkhwxo7e8hts27hk3m1
Wilson Baptista parte 2
https://www.box.com/s/iv553vxp5uu04nhvtpjf
Wilson Baptista parte 3
https://www.box.com/s/7ms3oapixyiz09zj8698
Aqui, a relação das músicas:
Segundo o próprio Wilson, ele tem umas 700 músicas. Existem umas 500 catalogadas. Eu to disponibilizando 248.
Não tenho a pretensão de distribuir todas as músicas do Wilson. Até porque eu não tenho a pretensão de encontrar todas as músicas do Wilson. Essas são apenas as que eu consegui organizar.
Wilson Baptista parte 1
https://www.box.com/s/qkkhwxo7e8hts27hk3m1
Wilson Baptista parte 2
https://www.box.com/s/iv553vxp5uu04nhvtpjf
Wilson Baptista parte 3
https://www.box.com/s/7ms3oapixyiz09zj8698
Aqui, a relação das músicas:
- A carta
- A mão do Alcides
- A morena que eu gosto
- A mulher do Seu Oscar
- A mulher que eu gosto
- A respeito do amor
- A voz do sangue
- Abgail
- Acertei no milhar
- Ai ai, que pena
- Ai, Ari
- Alberto bronqueou
- Amor perfeito
- Apaguei o nome dela
- Apesar dos pesares
- Argentina
- Artigo nacional
- As pupilas do senhor Bocage
- Até Jesus
- Averiguações
- Baiana escandalosa
- Balzaquiana
- Barulho no beco
- Benedito não é de briga
- Boa companheira
- Boca de siri
- Botões de laranjeiras
- Brigamos outra vez
- Cabelo branco
- Cabo Laurindo
- Cadê a Jane?
- Café Nice
- Cala a boca, Etelvina
- Cansei de chorar
- Canta
- Carta verde
- Casa vazia
- Casinha pequena
- Cego de amor
- Chico Brito
- Chico Viola
- Chinelo velho
- Cidade de São Sebastião
- Cocktail de 44
- Coisas do destino
- Com açúcar
- Comício em Mangueira
- Como se faz uma cuíca
- Complexo
- Conversa dos olhos
- Conversa fiada
- Cosme e Damião
- Cowboy do amor
- Datilógrafa
- Deixa de ser convencida
- Deixai vir a mim as mulheres
- Depois da discussão
- Derrota
- Desacato
- Deus no céu e ela na terra
- Dia dos meninos
- Diagnóstico
- Dolores Sierra
- Duas janelas
- É mato
- E o 56 não veio
- E o juiz apitou
- É tudo meu
- Ela é...
- Elza
- Emília
- Essa mulata
- Essa mulher tem qualquer coisa na cabeça
- Essa noite eu tive um sonho
- Essa vida não é sopa
- Estás no meu caderno
- Eu e mar
- Eu lhe avisei
- Eu não sou daqui
- Eu também sou Batista
- Eu vivo sem destino
- Fala, baiano!
- Fantoche
- Faz um homem enlouquecer
- Felicíssimo
- Filomena, cadê o meu?
- Flor da Lapa
- Formosa argentina
- Frankenstein da Vila
- Fui eu
- Ganha-se pouco mas é divertido
- Garota dos discos
- Gaúcho bom
- Gênio mau
- Goodbye, amor
- Gostei de você
- Gosto mais do Salgueiro
- Greve de alegria
- Grito das selvas
- Guiomar
- Hilda
- Hildebrando
- História da Favela
- História da Lapa
- História de criança
- Homem marcado
- Inimigo do batente
- Inocente
- Interessante
- Lá vem Mangueira
- Lá vem o Ipanema
- Ladrão de corações
- Lar vazio
- Largo da Lapa
- Lavei as mãos
- Lealdade
- Lenço no pescoço
- Louca alegria
- Louco (Ela é seu mundo)
- Louco
- Mãe solteira
- Mal agradecida
- Mangueira meu berço
- Mania da falecida
- Marcha da fofoca
- Marcha das fãs
- Marcha do J-J
- Margarida
- Mariposa
- Martírio
- Matéria plástica
- Meia noite
- Memórias de um torcedor
- Mercador
- Meu assunto é sambar
- Meu drama
- Meu mundo é hoje
- Meu último cigarro
- Meus 20 anos
- Minha linda hindu
- Miss Brasil
- Miss Mangueira
- Mocinho da Vila
- Mulato calado
- Mundo às avessas
- Mundo cruel
- Mundo de madeira
- Mundo de zinco
- N A O til Não
- Na estrada da vida
- Não devemos brigar
- Não durmo em paz
- Não é economia
- Não era assim
- Não me pise o calo
- Não sei dar adeus
- Não sou Manoel
- Não tenho juízo
- Nasci cansado
- Nega Luzia
- Nelson Cavaquinho
- No boteco do José
- No fim da estrada
- No mundo da lua
- Nossa Senhora das Graças
- Nosso presidente continua
- O bonde São Januário
- O cinzeiro de Zazá
- O doutor quer falar com você
- O gato e o rato
- O Juca do Pandeiro
- O princípio do fim
- O último
- Oh, Dona Inês!
- Oh, Seu Oscar!
- Olho nela
- Olhos vermelhos
- Os melhores dias da minha vida
- Outras mulheres
- Papai não vai
- Parabéns para você
- Passa, moreninha!
- Pausa para meditação
- Pedreiro Waldemar
- Perdi meu carinho
- Pertinho do céu
- Pombinha branca
- Por favor vá embora
- Prece ao sol
- Preconceito
- Quando dei adeus
- Que malandro você é?
- Que papagaio sou eu
- Quero um samba
- Raiando
- Recado que a Maria mandou
- Refletindo bem
- Rei Chicão
- Rosalina
- Sabotagem no morro
- Samba de 42
- Samba do Meyer
- Samba rubro-negro
- Sambei 24 horas
- Sapoti
- Se eu fosse rei
- Se fosse minha
- Se não fosse eu
- Sempre Mangueira
- Senhor açougueiro
- Senhor do Bonfim te enganou
- Senhor do Corcovado
- Será?
- Sereia de Copacabana
- Sistema nervoso
- Sophia Loren
- Sou fã da jovem guarda
- Sou um barco
- Suplício
- Tá maluca
- Tá na cara
- Taberna
- Tenho que fugir
- Terra boa
- Terra de cego
- Teu retrato
- Teu riso tem
- Tião
- Timidez
- Tortura mental
- Transplante de coração
- Um baile na Chacrinha
- Um pedaço de mim
- Uma casa brasileira
- Vagabundo
- Vale mais
- Vedete
- Velho marinheiro
- Vem amor
- Venha manso (O tambor do Edgard)
- Vinte e cinco anos
- Virou virou
- Você é meu xodó
- Você já foi a São Paulo?
- Volta pra casa, Emília
- Volúvel
- Vou botar no fogo
- Vou pra Goiás
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Roncou de raiva, a cuíca, roncou de fome
Toquei na noite anterior. Antes de tocar, minha última refeição tinha sido 2 sanduíches de padaria e um suco de laranja, por volta das 17h. Depois de tocar, cheguei em casa às 5h da manhã. Acordei às 13h com um desânimo só. Cansado. Sem vontade de fazer absolutamente nada. Às 17h fui no mercado e comprei pão. Exatas 12h sem me alimentar. Depois de comer eu me animei um pouco. Descobri que meu mal era falta de comida.
Aí fiquei pensando. Eu fiquei somente 12h sem comer e já estava com uma tremenda vontade de ficar 3 anos sem fazer nada. E foi somente por esse dia. Imagina quem fica por 12h sem comer todo dia.
O sujeito sai de casa pra trabalhar, ou procurar o que fazer, e passa o dia na rua. Quando volta, abre a geladeira e encontra um enorme e suculento nada. Água, somente da torneira. Dorme com fome. No outro dia, a história se repete. Sai de casa para trabalhar, ou procurar o que fazer, e passa o dia na rua. Quando volta, abre a geladeira e encontra um enorme e suculento nada. Água, somente da torneira. Dorme com fome. No outro dia, a história se repete. Sai de casa para trabalhar, ou procurar o que fazer, e passa o dia na rua. Quando volta, abre a geladeira e encontra um enorme e suculento nada. Água, somente da torneira. Dorme com fome.
Se cansou de ler? Imagina vivenciar isso.
Ou pior. O sujeito chega em casa e ve os filhos esperando que o pai traga algum pão de trigo, pão dormido, pão que o diabo amassou, qualquer pãozinho, que nunca vem.
E tem gente que diz: E porque não estudou? Tem escolas públicas. De graça!
Com que ânimo, cara pálida? Se eu, que tenho estudo, orientação, uma certa estrutura, já fiquei completamente desanimado do mundo com apenas 12h sem comida e por somente um dia, imagina passar isso todo dia? Ânimo pra estudar? Ânimo pra trabalhar? É nessas horas que o instinto animal fala mais alto. Sim, somos animais antes de tudo. E o instinto animal diz o que? Procure comida, ou dinheiro pra comprar comida, de qualquer maneira, custe o que custar e a quem custar.
Não tenho a solução para este problema. Só queria expor isso pra tentar mudar a mentalidade de algumas pessoas que acham que a resolução dos problemas depende só de cada um. Nem sempre. Isso não é um problema pontual. É um problema social. Não tenho a solução, mas até imagino que possa ser simples. Basta vontade política do Estado. No fim, tudo recai sobre o Estado.
É um ciclo vicioso que somente o Estado pode intervir. Soluções mágicas? Não existem. Ideias? Várias. Lembram do Betinho? Basta vontade política do Estado.
Proponho que o leitor faça essa experiência. Passe dois dias sem comer. Acorde e vá trabalhar. No horário de almoço vá jogar um dominó na Praça XV, ou coisa que o valha. Volte, trabalhe e no fim do dia vá pra casa. Veja sua tv e durma. Tente repetir isso no outro dia. Ainda no primeiro dia, o primeiro sintoma será uma dor de cabeça. Depois a barriga roncando por 2 minutos ininterruptos. Depois volta a dor de cabeça seguido de uma irritação. Você começa a ficar impaciente com coisas simples como tentar colocar uma linha no buraco da agulha. Depois volta a roncar a barriga, volta a dor de cabeça e um cansaço sem fim.
Se sobrar força, tome um banho antes de dormir. Ingestão somente de água. Faça! Você não vai morrer ou ficar doente com apenas 2 dias sem comer. Tem gente que está a semanas e não morreu. E você pode até perder uns quilinhos nessa "brincadeira".
Proponho também o seguinte. Peça uma bengala emprestada, um óculos escuros e ande no Centro da cidade de olhos fechados. Faça isso no outro dia também.
Proponho também o seguinte. Arranje uma cadeira de rodas e vá trabalhar.
Depois volte a falar de preconceito. Depois volte a julgar as pessoas.
Eu não fiquei sem comer pra fazer essa experiência. Foi um acaso. Mas foi bom. Bom pra me deixar cada vez mais indignado com o mundo. E é a indignação que o move. Se todos ficassem putos com o mundo sempre, quem sabe ele se movimentasse mais, e pra melhor.
Aí fiquei pensando. Eu fiquei somente 12h sem comer e já estava com uma tremenda vontade de ficar 3 anos sem fazer nada. E foi somente por esse dia. Imagina quem fica por 12h sem comer todo dia.
O sujeito sai de casa pra trabalhar, ou procurar o que fazer, e passa o dia na rua. Quando volta, abre a geladeira e encontra um enorme e suculento nada. Água, somente da torneira. Dorme com fome. No outro dia, a história se repete. Sai de casa para trabalhar, ou procurar o que fazer, e passa o dia na rua. Quando volta, abre a geladeira e encontra um enorme e suculento nada. Água, somente da torneira. Dorme com fome. No outro dia, a história se repete. Sai de casa para trabalhar, ou procurar o que fazer, e passa o dia na rua. Quando volta, abre a geladeira e encontra um enorme e suculento nada. Água, somente da torneira. Dorme com fome.
Se cansou de ler? Imagina vivenciar isso.
Ou pior. O sujeito chega em casa e ve os filhos esperando que o pai traga algum pão de trigo, pão dormido, pão que o diabo amassou, qualquer pãozinho, que nunca vem.
E tem gente que diz: E porque não estudou? Tem escolas públicas. De graça!
Com que ânimo, cara pálida? Se eu, que tenho estudo, orientação, uma certa estrutura, já fiquei completamente desanimado do mundo com apenas 12h sem comida e por somente um dia, imagina passar isso todo dia? Ânimo pra estudar? Ânimo pra trabalhar? É nessas horas que o instinto animal fala mais alto. Sim, somos animais antes de tudo. E o instinto animal diz o que? Procure comida, ou dinheiro pra comprar comida, de qualquer maneira, custe o que custar e a quem custar.
Não tenho a solução para este problema. Só queria expor isso pra tentar mudar a mentalidade de algumas pessoas que acham que a resolução dos problemas depende só de cada um. Nem sempre. Isso não é um problema pontual. É um problema social. Não tenho a solução, mas até imagino que possa ser simples. Basta vontade política do Estado. No fim, tudo recai sobre o Estado.
É um ciclo vicioso que somente o Estado pode intervir. Soluções mágicas? Não existem. Ideias? Várias. Lembram do Betinho? Basta vontade política do Estado.
Proponho que o leitor faça essa experiência. Passe dois dias sem comer. Acorde e vá trabalhar. No horário de almoço vá jogar um dominó na Praça XV, ou coisa que o valha. Volte, trabalhe e no fim do dia vá pra casa. Veja sua tv e durma. Tente repetir isso no outro dia. Ainda no primeiro dia, o primeiro sintoma será uma dor de cabeça. Depois a barriga roncando por 2 minutos ininterruptos. Depois volta a dor de cabeça seguido de uma irritação. Você começa a ficar impaciente com coisas simples como tentar colocar uma linha no buraco da agulha. Depois volta a roncar a barriga, volta a dor de cabeça e um cansaço sem fim.
Se sobrar força, tome um banho antes de dormir. Ingestão somente de água. Faça! Você não vai morrer ou ficar doente com apenas 2 dias sem comer. Tem gente que está a semanas e não morreu. E você pode até perder uns quilinhos nessa "brincadeira".
Proponho também o seguinte. Peça uma bengala emprestada, um óculos escuros e ande no Centro da cidade de olhos fechados. Faça isso no outro dia também.
Proponho também o seguinte. Arranje uma cadeira de rodas e vá trabalhar.
Depois volte a falar de preconceito. Depois volte a julgar as pessoas.
Eu não fiquei sem comer pra fazer essa experiência. Foi um acaso. Mas foi bom. Bom pra me deixar cada vez mais indignado com o mundo. E é a indignação que o move. Se todos ficassem putos com o mundo sempre, quem sabe ele se movimentasse mais, e pra melhor.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Cuíca
Em homenagem a grandes cuiqueiros que eu vi em ação: Mestre Catonho, Seu Luiz, Dôga, Fabricio Gonçalves, Alfredo Castro, Gustavo Mariante, Brito, Bidu, Padeirinho, entre outros.
A invenção da cuíca é atribuída a João Mina, batuqueiro da Deixa Falar. Mas, como sempre, há controvérsia.
Segundo Sérgio Cabral, a cuíca já era usada há décadas anteriores, nos cordões carnavalescos.
Segundo outras diversas fontes, a cuíca é um instrumento de origem africana. Era um pouco diferente da que se usa hoje em dia, com a vareta, varão, bambu, do lado de fora.
Talvez a cuíca usada nos cordões seja uma mais rudimentar, sendo João Mina o primeiro a usá-la do modo como se usa hoje.
Seja como for, João Mina está na história também por ser parceiro de Noel Rosa no partido alto "De babado".
Mas a postagem é sobre cuíca, então lá vai.
Getúlio Marinho "Amor" fez um samba, "Molha o pano", em parceria com Cândido Vasconcelos, sobre o instrumento.
Gravação de Aurora Miranda.
Molha o pano
Pega na cuíca
Puxa certo e com cadência
Veja o samba como fica
Fui num pagode
A família deu um "não"
Aqui não se quer cuíca
Porque não é barracão
Fiquei sentida
"Coragem!" Gritou meu mano
Quem é rico paga orquestra
E quem é pobre molha o pano
É um abuso
E por demais autoridade
Fazer pouco em quem é pobre
Só por ter felicidade
Não fiz barulho
Porque me julgo decente
Tratei de molhar o pano
E gritei “vamos em frente"
Há este vídeo, de um filme feito em 1936. É o mesmo áudio de cima.
O mais interessante nisso é que quem está tocando cuíca, ao menos no filme, é o grande Bide! Uma imagem rara, talvez única, do Bide em vídeo.
Wilson Baptista também dá o seu recado. Neste samba, em parceria com Haroldo Lobo, ensinam "Como se faz uma cuíca".
Gravação de Anjos do Inferno, em 1944.
Um pedaço de pau
Um pedaço de couro
Numa barrica
É assim que se faz uma cuíca
Depois de tudo acabado
Tem outra observação
Arranje um pano molhado
Para fazer a marcação
Venham ver como é que o samba fica
O piano é de nobre
O instrumento de pobre é a cuíca
Cuíca, pra mim, é instrumento de molho. De acompanhamento.
Mas bato palmas pra Fritz Escovão!
Agora sim! Fritz Escovão!
Termino a postagem com este breve documentário, de 1978, sobre cuíca.
Grande dúvida que me corrói: instrumento de percussão ou de harmonia?
A invenção da cuíca é atribuída a João Mina, batuqueiro da Deixa Falar. Mas, como sempre, há controvérsia.
Segundo Sérgio Cabral, a cuíca já era usada há décadas anteriores, nos cordões carnavalescos.
Segundo outras diversas fontes, a cuíca é um instrumento de origem africana. Era um pouco diferente da que se usa hoje em dia, com a vareta, varão, bambu, do lado de fora.
Talvez a cuíca usada nos cordões seja uma mais rudimentar, sendo João Mina o primeiro a usá-la do modo como se usa hoje.
Seja como for, João Mina está na história também por ser parceiro de Noel Rosa no partido alto "De babado".
Mas a postagem é sobre cuíca, então lá vai.
Getúlio Marinho "Amor" fez um samba, "Molha o pano", em parceria com Cândido Vasconcelos, sobre o instrumento.
Gravação de Aurora Miranda.
Molha o pano
Pega na cuíca
Puxa certo e com cadência
Veja o samba como fica
Fui num pagode
A família deu um "não"
Aqui não se quer cuíca
Porque não é barracão
Fiquei sentida
"Coragem!" Gritou meu mano
Quem é rico paga orquestra
E quem é pobre molha o pano
É um abuso
E por demais autoridade
Fazer pouco em quem é pobre
Só por ter felicidade
Não fiz barulho
Porque me julgo decente
Tratei de molhar o pano
E gritei “vamos em frente"
Há este vídeo, de um filme feito em 1936. É o mesmo áudio de cima.
O mais interessante nisso é que quem está tocando cuíca, ao menos no filme, é o grande Bide! Uma imagem rara, talvez única, do Bide em vídeo.
Wilson Baptista também dá o seu recado. Neste samba, em parceria com Haroldo Lobo, ensinam "Como se faz uma cuíca".
Gravação de Anjos do Inferno, em 1944.
Um pedaço de pau
Um pedaço de couro
Numa barrica
É assim que se faz uma cuíca
Depois de tudo acabado
Tem outra observação
Arranje um pano molhado
Para fazer a marcação
Venham ver como é que o samba fica
O piano é de nobre
O instrumento de pobre é a cuíca
Cuíca, pra mim, é instrumento de molho. De acompanhamento.
Mas bato palmas pra Fritz Escovão!
Agora sim! Fritz Escovão!
Termino a postagem com este breve documentário, de 1978, sobre cuíca.
Grande dúvida que me corrói: instrumento de percussão ou de harmonia?
sábado, 5 de janeiro de 2013
Cantador (Candeia)
Única gravação dessa música, em 1973, feita pelo Os Pagodeiros. A voz principal é do Nadinho da Ilha.
Cantador
(Candeia)
Cantador canta sem medo
Cantador não se atrapalha
Cantador não há segredo
Ferro frio não se malha
Canta moça no banheiro
No pregão, o leiloeiro
No terreiro da escola
Canta o samba, partideiro
Canta o samba, partideiro
O português canta o fado
O francês o cançoneiro
Com dinheiro ou sem dinheiro
Canta o samba brasileiro
Aranha arranha o jarro
O jarro arranha a aranha
Na pia o pingo pinga
O pinto não pinga pia
(O último verso é um controverso. Se alguém entender diferente, avise. Obrigado!)
(O último verso é um controverso. Se alguém entender diferente, avise. Obrigado!)
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Marimbondo
Ele foi fundador e mestre de bateria de uma escola chamada Unidos de Vila Rica, fundada por volta de 1966. A informação é colhida da internet e rebatida pelo atual presidente, que diz que Marimbondo nunca fez parte da agremiação.
Essa escola fica na Ladeira dos Tabajaras, uma comunidade de Copacabana, na Zona Sul do Rio.
O sambista Marimbondo, figuraça de Rocha Miranda, juntamente com seu inesquecível parceiro J. Canseira, marcou época no nosso ambiente, na década de 1970.
O único samba conhecido dele, por enquanto, é Erro fotográfico. Mas ele tem muito mais músicas. E quem sabe delas é o radialista Adelzon Alves.
Eis na versão do próprio:
Um outro moço, Marcelo Archanjo, também registrou esse samba. Com ligeira modificação:
Marcelo aprendeu esse samba com o sambista Eduardo Gallotti que, por sua vez, aprendeu com Wilton do Candongueiro, que aprendeu diretamente com o Marimbondo.
Marimbondo faleceu há cerca de 25 anos e não consegui nenhuma informação detalhada sobre ele. Ainda.
A busca continua!
Essa escola fica na Ladeira dos Tabajaras, uma comunidade de Copacabana, na Zona Sul do Rio.
O sambista Marimbondo, figuraça de Rocha Miranda, juntamente com seu inesquecível parceiro J. Canseira, marcou época no nosso ambiente, na década de 1970.
O único samba conhecido dele, por enquanto, é Erro fotográfico. Mas ele tem muito mais músicas. E quem sabe delas é o radialista Adelzon Alves.
Eis na versão do próprio:
Um outro moço, Marcelo Archanjo, também registrou esse samba. Com ligeira modificação:
Marcelo aprendeu esse samba com o sambista Eduardo Gallotti que, por sua vez, aprendeu com Wilton do Candongueiro, que aprendeu diretamente com o Marimbondo.
Marimbondo faleceu há cerca de 25 anos e não consegui nenhuma informação detalhada sobre ele. Ainda.
A busca continua!
Atalho
Adelzon Alves,
Gallotti,
Marimbondo,
vídeo
domingo, 2 de dezembro de 2012
Noel e a polêmica
Não a do Wilson Baptista. Uma outra aí.
Há uns 3 anos o grupo Um Bom Partido tocava ali no Bar do Noel todo sábado. Com exceção de dias chuvosos. Por ideia do primeiro dono, Seu Edson, que enfrentou o medo e arriscou. Muito bem arriscado, por sinal.
Se o samba fosse dentro do estabelecimento, o bar deveria ter tratamento acústico, para o som não incomodar os vizinhos. Como o samba é feito na rua, entra em ação o poder público (Estado). Seria necessário solicitar para a Floram (órgão municipal do meio ambiente) uma autorização para fazer o som. Só que essa autorização tem que ser feita toda vez que for feito um evento. E segundo funcionários da Prefeitura, uma semana dessas a Prefeitura ia se invocar e não ia autorizar. Ou a partir da primeira reclamação de vizinhos. A legislação municipal não prevê eventos frequentes na rua.
Próximo do Bar do Noel existem uns 3 condomínios. 1 deles em especial é o responsável pelas reclamações mais contundentes: barulho, mendigos, usuários de drogas, mijadores de calçadas, insegurança (subjetivo, mas entendível). E não, o hotel em frente não fechou por conta da reclamações dos clientes.
Pois bem. Esse lado do Centro da cidade, abandonado pelo Estado, é chamado de Centro Histórico, porque tudo que é antigo tem que ser velho, mal feito, ter o aspecto de sujo e underground. Esse Centro Histórico, por ser abandonado pelo Estado, acaba atraindo, naturalmente, a escória da sociedade. Desde que eu me entendo por gente que o Bar do Seu Milton, o Bar do Noel (antigo Petit), a Travessa Ratclif e a João Pinto em geral, é um lugar underground, frequentado por emos, roqueiros, viciados, jornalistas, músicos, boêmios, comunistas, mas também pessoas 'de bem', como secretários, vereadores, escritores, advogados, etc. Tudo depende do dia, horário e época. As fotos expostas na parede do Noel provam o que eu digo. Desde que eu fui naquela região a primeira vez, que eu só vejo a escória. Talvez pelos horários que eu vou: na entre-safra do sol.
Ou seja: não é o samba que atrai barulho, mendigos, usuários de drogas, mijadores de calçadas, insegurança. Pelo meu relato (e se não quer acreditar em mim, pergunte a outros frequentadores), isso sempre existiu. O que atrai isso tudo é a inobservância do Estado.
O zoneamento daquela região, estabelecido pelo Estado, permite que se tenha estabelecimento comercial, como um bar, por exemplo. Também permite som, com um limite de tolerância, naturalmente.
A presença do samba todo sábado ali, não favorece a aumentar o barulho, os mendigos, os usuários de drogas, os mijadores de calçadas e a insegurança. Causa exatamente o inverso. A presença massiva de pessoas inibe os mendigos, usuários de drogas, mijadores, que procuram outra região.
Com cada vez mais pessoas frequentando o samba aos sábados a tarde, mais pessoas frequentam também outros dias e horários e cada vez mais os mendigos, usuários de drogas e mijadores saem da região. E isso é uma bola de neve sem fim. Com isso, sem intervenção do Estado, que deveria intervir, a insegurança também deixa de existir, naturalmente.
Em cerca de 3 anos, eu só vi 1 briga, e foi entre 2 mulheres. Coisa rápida. Nenhuma garrafa foi quebrada.
E o Bar do Noel ainda contratava banheiros químicos todo sábado.
Se mijadores de calçadas não usavam o banheiro não é culpa do dono do bar ou dos músicos. Culpa de uma falta de educação e de cultura do brasileiro.
Outra reclamação dos vizinhos é que pessoas ficavam na Travessa durante a madrugada.
O Bar do Noel fechava as portas meia noite. Horário limite do seu alvará. Se outro estabelecimento ficava até às 2h, 3h, 4h, como eu já vi, o samba de sábado a tarde não tem a mínima culpa.
E no mais, o dono do bar não tem culpa absolutamente nenhuma de que as pessoas permaneçam na rua mesmo com o bar fechado. Fica na rua quem quiser.
Outra reclamação: o barulho (samba), que acontecia aos sábados, das 14h às 18h, religiosamente. Cuidávamos muito com a questão do horário. Os moradores reclamavam que sempre tinha algum morador que só tinha o sábado a tarde para descansar. Mas os frequentadores do samba e os próprios sambistas, só tinham sábado a tarde pra fazer samba. E daí? O coletivo não tem preferência sobre o individual?
Por uma época, o Bar do Noel fazia música ao vivo quase todo dia da semana. Até às 22h. Claro que isso ajudou em muito negativamente. Por conta disso, houve uma reunião no Ministério Público com todas as partes envolvidas: moradores, donos dos bares, prefeitura, polícia, bombeiro, etc. Eu fui convidado pelos donos do Bar do Noel e participei da reunião. Lá ficou acertado que não haveria mais som nos dias da semana e que os moradores iriam tolerar o samba de sábado a tarde. Entre outras questões de alvará, etc.
Ponto!!
Mas isso não aconteceu. As reclamações continuaram, o Bar pecou em outros quesitos e agora (mais uma vez) o samba foi cancelado. Dessa vez pra sempre, até segunda ordem.
O Estado deveria oferecer segurança para a população. Sob o meu ponto de vista, o Estado não ofertava segurança, o samba sim.
O Estado deveria fomentar a cultura para a população. Sob o meu ponto de vista, o Estado fez exatamente o contrário: retirou uma cultura popular da rua, de graça, ofertado pelo setor privado.
Isso sem falar que o samba não é só a música, mas toda a energia que envolve, todo o clima, a confraternização, a aglutinação de pessoas em prol de um único objetivo: o bem estar.
Ops... a aglutinação de pessoas é justamente o que o Estado não quer. Muitas pessoas juntas, pensando, se divertindo, pode ser perigoso para o Estado e para o sistema.
Vou sentir saudades do Seu Lidinho dançando e convocando todas as mulheres da Travessa pra dançar com ele. Do Carioca pedindo uma saideira com 9 ou 12 músicas. Do Má benzendo todos durante os sambas de roda. Do Candinho cantando as brasas que só ele canta.
Tentei ser o mais didático e explicar todos os detalhes. Caso alguém ainda tenha alguma dúvida, estarei a disposição para mais esclarecimentos.
Feliz Dia Nacional do Samba pra todos!
Há uns 3 anos o grupo Um Bom Partido tocava ali no Bar do Noel todo sábado. Com exceção de dias chuvosos. Por ideia do primeiro dono, Seu Edson, que enfrentou o medo e arriscou. Muito bem arriscado, por sinal.
Se o samba fosse dentro do estabelecimento, o bar deveria ter tratamento acústico, para o som não incomodar os vizinhos. Como o samba é feito na rua, entra em ação o poder público (Estado). Seria necessário solicitar para a Floram (órgão municipal do meio ambiente) uma autorização para fazer o som. Só que essa autorização tem que ser feita toda vez que for feito um evento. E segundo funcionários da Prefeitura, uma semana dessas a Prefeitura ia se invocar e não ia autorizar. Ou a partir da primeira reclamação de vizinhos. A legislação municipal não prevê eventos frequentes na rua.
Próximo do Bar do Noel existem uns 3 condomínios. 1 deles em especial é o responsável pelas reclamações mais contundentes: barulho, mendigos, usuários de drogas, mijadores de calçadas, insegurança (subjetivo, mas entendível). E não, o hotel em frente não fechou por conta da reclamações dos clientes.
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| Bar do Noel e ao fundo um dos edifícios importunados com a cultura brasileira. Foto: Google Street. |
Pois bem. Esse lado do Centro da cidade, abandonado pelo Estado, é chamado de Centro Histórico, porque tudo que é antigo tem que ser velho, mal feito, ter o aspecto de sujo e underground. Esse Centro Histórico, por ser abandonado pelo Estado, acaba atraindo, naturalmente, a escória da sociedade. Desde que eu me entendo por gente que o Bar do Seu Milton, o Bar do Noel (antigo Petit), a Travessa Ratclif e a João Pinto em geral, é um lugar underground, frequentado por emos, roqueiros, viciados, jornalistas, músicos, boêmios, comunistas, mas também pessoas 'de bem', como secretários, vereadores, escritores, advogados, etc. Tudo depende do dia, horário e época. As fotos expostas na parede do Noel provam o que eu digo. Desde que eu fui naquela região a primeira vez, que eu só vejo a escória. Talvez pelos horários que eu vou: na entre-safra do sol.
Ou seja: não é o samba que atrai barulho, mendigos, usuários de drogas, mijadores de calçadas, insegurança. Pelo meu relato (e se não quer acreditar em mim, pergunte a outros frequentadores), isso sempre existiu. O que atrai isso tudo é a inobservância do Estado.
O zoneamento daquela região, estabelecido pelo Estado, permite que se tenha estabelecimento comercial, como um bar, por exemplo. Também permite som, com um limite de tolerância, naturalmente.
A presença do samba todo sábado ali, não favorece a aumentar o barulho, os mendigos, os usuários de drogas, os mijadores de calçadas e a insegurança. Causa exatamente o inverso. A presença massiva de pessoas inibe os mendigos, usuários de drogas, mijadores, que procuram outra região.
Com cada vez mais pessoas frequentando o samba aos sábados a tarde, mais pessoas frequentam também outros dias e horários e cada vez mais os mendigos, usuários de drogas e mijadores saem da região. E isso é uma bola de neve sem fim. Com isso, sem intervenção do Estado, que deveria intervir, a insegurança também deixa de existir, naturalmente.
Bar do Noel, Um Bom Partido e a Travessa Ratclif protagonizaram várias rodas memoráveis. Essa é uma delas, quando veio um pessoal de Mauá, São Paulo, Uberlândia e Porto Alegre.
Em cerca de 3 anos, eu só vi 1 briga, e foi entre 2 mulheres. Coisa rápida. Nenhuma garrafa foi quebrada.
E o Bar do Noel ainda contratava banheiros químicos todo sábado.
Se mijadores de calçadas não usavam o banheiro não é culpa do dono do bar ou dos músicos. Culpa de uma falta de educação e de cultura do brasileiro.
Outra reclamação dos vizinhos é que pessoas ficavam na Travessa durante a madrugada.
O Bar do Noel fechava as portas meia noite. Horário limite do seu alvará. Se outro estabelecimento ficava até às 2h, 3h, 4h, como eu já vi, o samba de sábado a tarde não tem a mínima culpa.
E no mais, o dono do bar não tem culpa absolutamente nenhuma de que as pessoas permaneçam na rua mesmo com o bar fechado. Fica na rua quem quiser.
Outra reclamação: o barulho (samba), que acontecia aos sábados, das 14h às 18h, religiosamente. Cuidávamos muito com a questão do horário. Os moradores reclamavam que sempre tinha algum morador que só tinha o sábado a tarde para descansar. Mas os frequentadores do samba e os próprios sambistas, só tinham sábado a tarde pra fazer samba. E daí? O coletivo não tem preferência sobre o individual?
Por uma época, o Bar do Noel fazia música ao vivo quase todo dia da semana. Até às 22h. Claro que isso ajudou em muito negativamente. Por conta disso, houve uma reunião no Ministério Público com todas as partes envolvidas: moradores, donos dos bares, prefeitura, polícia, bombeiro, etc. Eu fui convidado pelos donos do Bar do Noel e participei da reunião. Lá ficou acertado que não haveria mais som nos dias da semana e que os moradores iriam tolerar o samba de sábado a tarde. Entre outras questões de alvará, etc.
Ponto!!
Mas isso não aconteceu. As reclamações continuaram, o Bar pecou em outros quesitos e agora (mais uma vez) o samba foi cancelado. Dessa vez pra sempre, até segunda ordem.
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| Samba no Noel agora só na lembrança e fotos. Foto: Divulgação |
O Estado deveria oferecer segurança para a população. Sob o meu ponto de vista, o Estado não ofertava segurança, o samba sim.
O Estado deveria fomentar a cultura para a população. Sob o meu ponto de vista, o Estado fez exatamente o contrário: retirou uma cultura popular da rua, de graça, ofertado pelo setor privado.
Isso sem falar que o samba não é só a música, mas toda a energia que envolve, todo o clima, a confraternização, a aglutinação de pessoas em prol de um único objetivo: o bem estar.
Ops... a aglutinação de pessoas é justamente o que o Estado não quer. Muitas pessoas juntas, pensando, se divertindo, pode ser perigoso para o Estado e para o sistema.
Vou sentir saudades do Seu Lidinho dançando e convocando todas as mulheres da Travessa pra dançar com ele. Do Carioca pedindo uma saideira com 9 ou 12 músicas. Do Má benzendo todos durante os sambas de roda. Do Candinho cantando as brasas que só ele canta.
Tentei ser o mais didático e explicar todos os detalhes. Caso alguém ainda tenha alguma dúvida, estarei a disposição para mais esclarecimentos.
Feliz Dia Nacional do Samba pra todos!
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Samba em Floripa,
Um Bom Partido
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