terça-feira, 20 de maio de 2014

[HSF] “Quem é o dono do baile ou o fiscal do salão?”

Além do samba encontramos no Continente outras expressões musicais e ritmos. Assim, conta o pesquisador Velho Bruxo que foi no Continente que surgiu a primeira gafieira da cidade. Gafieira é onde se tocam sambas cadenciados, com predominância de sopros (flautas, saxofones, pistons), feitos para se dançar em casal. Era a gafieira do Laudelino e do Maneca, na avenida Ivo Silveira, em frente à Igreja São Judas Tadeu. Como se não bastasse o fato de ser inovadora, o Velho Bruxo ainda conta que, a gafieira ficou famosa por causa de um acidente automobilístico, quando um carro Karmanguia perdeu o controle na avenida Ivo Silveira e entrou salão adentro, em meados de 1972.

Sardá e sua “trupe” eram os músicos que embalavam as noites dessa gafieira. Mulheres ditas “de família” não podiam frequentar. A música de abertura e de encerramento, às 4 horas da manhã, era a mesma: Aquarela do Brasil. Conta Velho Bruxo que outra peculiaridade do lugar era a entrada. Para entrar na gafieira era necessário descer uma escadaria grande e complicada. Não era incomum que os frequentadores descessem a primeira metade da escada degrau por degrau e a outra metade rolando. Nesses casos, se o indivíduo fosse de boa índole, o porteiro ajudava deixando, pelo menos, a porta aberta para que a pessoa não se esborrachasse na porta. Se não, o desavisado encontrava a porta cerrada e o acidente se tornava pior.

É possível perceber que já não estamos mais falando de escolas de samba. Isso porque, com o tempo, o samba passa a se emancipar delas. Duduco, um famoso personagem da cidade, que foi carnavalesco e confeccionador de fantasias, em entrevista concedida em 2011, resumiu bem: “No Rio de Janeiro primeiro começou o samba, pra depois surgirem as escolas de samba. Em Florianópolis primeiro surgem as escolas pra depois surgir o samba”.

E é mais ou menos por aí. O samba surge praticamente com a criação das escolas de samba e vai de desvencilhando com o tempo, adquirindo autonomia. Além do desfile das escolas, das festas de família e bares, que intensificam em quantidade, o samba passa a ser feito nos salões.

Desde a década de 1940 que já existia samba na cidade, porém, a classe social mais baixa e a etnia negra, a maioria dos que faziam samba, não tinham acesso a clubes e boates, como tiveram na década de 1960, 70, quando começaram a criar esses espaços justamente para abrigar os que não podiam entrar em clubes tradicionais da cidade.

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