quinta-feira, 20 de março de 2014

[HSF] Os famosos anônimos na construção do samba em Florianópolis

Vou publicar, aos poucos, uma grande reportagem escrita por mim sobre a história do samba de Florianópolis. Aos poucos, para não cansar o leitor.
Essa é a primeira parte, de muitas.


Desde que o samba é samba, é assim: uma grande discussão sem fim sobre o que é o samba. Mas desde quando que o samba é samba? O primeiro registro da palavra “samba” que se tem notícia, data de 1699, pelo padre Luiz Vincêncio Mamiani, na obra “Arte de Grammatica da Língua Brasílica da Nacan Kiriri”. O pesquisador Bernardo Alves (2002) defende a teoria de que os índios já faziam samba antes da chegada dos primeiros africanos. Ou alguma dança com um ritmo a que eles chamavam de samba. Com a influência europeia e africana, o ritmo e expressões corporais foram se modificando muito, até ter esse estilo que conhecemos hoje. Essa síncope e batida é o que Ismael Silva e a turma do Estácio, no Rio de Janeiro, fizeram na década de 1920, quando transformaram a batida amaxixada, do que então se chamava de samba, por uma batida marchada. E esses anos todos de transformações deixaram o universo do samba rico em diversas classificações diferentes: samba de terreiro, samba canção, partido alto, samba rock, samba enredo, pagode etc. Cada um com sua especificidade, com sua síncope, divisão, ritmo. E esse samba, ou esses sambas, se espalhou pelo país inteiro. Não é à toa que existe samba do Oiapoque ao Chuí.

Em Florianópolis não se criou nenhum estilo de samba específico, mas sempre uma tentativa de reproduzir a forma como veio do Rio. A sua especificidade está no método de tocar, peculiar de cada pessoa, de cada região.

E os que executavam esses sambas eram praticamente anônimos. A maioria nunca teve espaço na mídia para se tornar famoso pra sociedade. Porém, todos os que estão envolvidos no mundo do samba os conhecem, ou já ouviram falar, ou se lembram quando as memórias são provocadas. Por isso, ganharam o apelido de “famosos anônimos”. E são alguns destes famosos anônimos de Florianópolis que esta reportagem vai trazer à tona, tirar da raspa do tacho, e elevar ao patamar que merecem, pois ajudaram, anonimanente, a criar a história do samba de Florianópolis.

2 comentários:

Samba da Major Costa disse...

Grande Artur, muito bom...

Anônimo disse...

Artur,

Parabéns, mais uma vez, por este importantíssimo e bonito trabalho.
Viva a memória! Viva o samba! Viva o teu talento e a tua persistência!

Um abraço,
Fernando Evangelista