domingo, 27 de setembro de 2009

Depoimentos para posteridade - Dôga



Falou meu mestre!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Onde está o samba, que deveria estar na rua?

Oi Artur.

Meu nome é Carlos, tenho 13 anos, estou aprendendo a tocar cavaquinho, acompanho teu blog há um tempo, e queria saber onde eu encontro uma roda de samba pra aprender a tocar?

Meu tio vive me contando histórias de rodas de samba que ele fazia com os amigos em vários bares pela cidade, mas são só histórias, nada atual. Ele não sabe onde tem roda de samba hoje. Queria saber se tu sabes onde tem. Queria poder tocar com outras pessoas, ter experiência, confraternizar com outras pessoas, conhecer outras pessoas, exatamente como meu tio fazia. Ele fez muitos amigos das rodas de samba que frequentava.

Podes me ajudar?

Obrigado.


Carlos, não existe roda de samba assim hoje. Aliás, há 2 lugares que se parecem com o que estais pedindo: o Praça 11, em SJ, aos sábados, a partir das 12h, e o Varandas, na Lagoa, às terças, a partir das 20h.
Não sei como tá o Praça 11, porque faz muito tempo que eu não vou lá. E o Varandas, até onde eu saiba, é pra apresentar sambas novos, não ensinar músicos novos. Tenta.

Mas tens razão. Não existe nada assim. Só existe show, palco, platéia, intervalo, bis, fim.
Falta aquele crima legal, aquele pessoal tocando pelo prazer de tocar, a confraternização, o prazer de estar do lado de um amigo, entoando música, entortando mé, vivendo o samba!

Quem está começando a tocar, tem que aprender. Depois pede pro professor de cavaco começar a levar pras barcas pra ganhar a malandragem (da rua) das casas noturnas.

Assim eu sou obrigado a dar moral pros cariocas.
O Samba da Ouvidor é do jeito que gostamos, Carlos. Uma roda de samba, de graça, feita no povo, pelo povo e que vai para o povo em forma de arte.
Acessem, todos, e vejam o que ele fala sobre a rua.

Alguns trechos pra facilitar (os negritos são originais do blog da Ouvidor):
"Coisas da RUA, que só a RUA nos proporciona." (uma constante no blog. Parece lema do Samba da Ouvidor)
"Chama atenção, por terem pego de lá, o espírito da coisa, o valor da rua"
"A presença do Seu Itamar foi um grande presente. Coisas da rua, que só a rua nos proporciona. Sinceramente, acho impossível ver cenas como essa de hoje em casas noturnas, com cervejas a preços exorbitantes, e um público que, na minha opinião, longe de ser preconceituosa, até porque eu as frequento também, não é exatamente um público que vive e respira o samba."

Mais clima de rua, virtualmente, no blog Sambas, Boemia e Vagabundos.

Lugar de samba é na rua!


E o povo canta, junto com o Carlos: "Saio de casa e vou pra rua. A noite está pra violão" (Candeia)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Jeisson Dias vai para o Rio de Janeiro

Foto: Artur de Bem

Com o texto abaixo eu falei sobre Jeisson em 2008, sobre o Femic, quando venceu o prêmio de melhor torcida.
E por falta de tempo uso o mesmo para falar sobre ele, agora que ele vai pro Rio de Janeiro.
Ele era a última pessoa que eu imaginava que iria sair daqui pra tentar algo lá fora.
Boa sorte!


Jeisson Dias é considerado pela maioria dos músicos como o maior sambista de Florianópolis.

Começou a carreira no Bar do Tião, quando o pai o levava, ainda criança, para as noitadas. Fez parte dos grupos Kadência do Samba, Liberdade, e hoje segue carreira solo. Comandou a maior roda de samba da história de Florianópolis, o Silvelândia, próximo da Catedral.

Foi intérprete da Copa Lord por alguns anos e é integrante da ala de compositores desta escola.
Sua voz já foi utilizada em alguns cds produzidos em Florianópolis como "O Compositor", de Celinho da Copa Lord, "Uma rosa no meu jardim", de Elias Marujo, e emprestou, além da voz, um samba seu para o cd "Mantendo as Tradições".

Jeisson também é pesquisador e possui um acervo de informações, livros, artigos, fitas k7, fitas de áudio, viniis, cds, etc., de dar inveja a muito historiador.

Jeisson serviu de referência pra muito sambista de hoje e ainda serve de referência pros novos músicos e sambistas da cidade.


Jeisson viaja hoje, quarta-feira.



A roda acima é uma bagunça promovida pela comunidade do Morro do Céu todo fim de ano. Muito bom!! Filmagem: Artur de Bem.

domingo, 20 de setembro de 2009

Depoimentos para posteridade - Maria Helena



Demorei um dia inteiro pra publicar isso no Youtube, mas tá aí.
Maria Helena falando sobre o álbum lançado em 1989 e Wagner Segura, antes do Paulinho Carioca chegar no recinto.

Aí, Maria Helena. Cortei e fiz o que achei melhor!


Atualização
Conforme pedido do marcoliva nos comentários, o samba é Turbilhão de emoções, de Jorge Luis, Paulinho Carioca e Bira Pernilongo.

domingo, 13 de setembro de 2009

Depoimentos para posteridade - Raphael Galcer



E o próximo, ou a próxima, pode ser você!!

Todo sábado estou entrevistando alguém. Pegando depoimento das pessoas que fazem, fizeram ou farão história no samba e choro de Florianópolis. Pra, entre outras coisas, daqui há uns 40 anos, nossos filhos (as) ou netos(as) saberem quem foi tal pessoa, como ela era, o que pensava, como era sua voz, sua aparência, etc.

Não se supreenda se um dia receberes uma ligação minha dizendo: Vais fazer alguma coisa agora a tarde? Queria conversar contigo!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Heróis da liberdade

Dica de Eduardo Carvalho.
Lindo texto de Luiz Antônio Simas, que eu aconselho ler antes de ouvir a música.

Liberdade, Senhor! O samba de mil anos.

É impressionante a quantidade de fatos que ocorreram em 1969 e estão sendo, quarenta anos depois, constantemente lembrados pela imprensa. É verdade que o ano em questão foi da pá virada - aconteceu mesmo de tudo.

O Concorde foi criado; a lua deixou de ser dos namorados e São Jorge se empirulitou com a chegada da Apollo 11; o festival de Woodstock inaugurou a suruba no lamaçal; o doido do Charles Manson matou a Sharon Tate; o Jornal Nacional entrou no ar; o embaixador dos EUA foi sequestrado pela rapaziada do MR-8 e da ALN; o presidente Costa e Silva vestiu a farda de madeira; Médici chegou ao planalto; apagaram o Marighella; o Fluminense papou o campeonato carioca; as feras do Saldanha se classificaram para a Copa de 1970.

Aconteceram mais coisas impactantes, mas não me ocorrem agora e eu estou sem paciência para descobrir pesquisando nos googles da vida. Também não acho relevante dizer que, com um ano de idade, comecei a falar umas coisas desconexas e tentei - segundo fidedigno relato da senhora minha mãe - o suicídio me atirando do berço.

No meio dessa profusão de efemérides, porém, estou convencido do seguinte: Em 2969, na comemoração dos mil anos da data, só dois eventos serão lembrados mundialmente - 1969 foi o ano do milésimo gol de Pelé e do samba Heróis da Liberdade, hino maior do GRES Império Serrano, da parceria Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manoel Ferreira.

Para prosseguir na minha tarefa de matar os imperianos do coração, coloquei na rede a monumental gravação AO VIVO do Heróis da Liberdade. Isso mesmo - o Império Serrano entoando, em 1969, logo depois do lançamento do nefasto AI-5, o brado maior em defesa da liberdade; uma verdadeira declaração dos direitos fundamentais do homem em forma de epopéia.

Heróis da Liberdade é uma daquelas obras de arte que - feito o Quixote, a Nona Sinfonia, a Pietá, a cerâmica marajoara, as máscaras de Ifé e a Mona Lisa - permanecerá enquanto a humanidade permanecer. Patrimônio do espírito do homem em sua dimensão mais elevada, é simplesmente isso que temos que reconhecer nesse samba - ouvindo em silêncio reverente e mostrando aos nosso filhos e netos, para que eles cantem, um dia, aos que virão. E sintam, quem sabe, orgulho de sua condição de homens humanos feito os seus avós.

Façam o teste para cardíacos: Ouçam a Serrinha cantando.

Abraços




Heróis da liberdade
(Mano Décio da Viola, Silas de Oliveira e Manoel Ferreira)

Passava noite, vinha dia
O sangue do negro corria
Dia a dia
De lamento em lamento
De agonia em agonia
Ele pedia o fim da tirania
Lá em Vila Rica
Junto ao largo da Bica
Local da opressão
A fiel maçonaria, com sabedoria
Deu sua decisão
Com flores e alegria
Veio a abolição
A independência Laureando
O seu brasão
Ao longe soldados e tambores
Alunos e professores
Acompanhados de clarim
Cantavam assim

Já raiou a liberdade
A liberdade já raiou
Essa brisa que a juventude afaga
Essa chama
Que o ódio não apaga pelo universo
É a evolução em sua legítima razão

Samba! Oh, samba!
Tem a sua primazia
Em gozar de felicidade
Samba, meu samba
Presta esta homenagem
Aos heróis da liberdade

Ô, ô, ô, ô
Ô, ô, ô, ô
Ô, ô, ô, ô
Liberdade, senhor!

sábado, 5 de setembro de 2009

Parteira será profissão. E músico? Não.

Repentista, capoeirista, jornalista e agora parteira. Tudo é profissão regulamentada. Algumas já, outra ainda.

Enquanto isso, o músico vai perdendo o compasso, saindo do ritmo, com uma melodia triste, num tom menor agonizante...

Ministro Celso Mello considerou admissível proposta da procuradora geral da República, Deborah Duprat, contra artigos da lei 3.857/60, que regulamenta a profissão de músico.
Notícia completa aqui.


Sobre a profissão de parteira:

A profissão das parteiras deverá ser reconhecida em lei

O deputado Pedro Wilson (PT-GO) defende a tramitação urgente de dois projetos de lei que tramitam na Câmara para regulamentar e capacitar a profissão das parteiras. Durante audiência pública realizada nesta semana, pela Comissão de Legislação Participativa, o deputado enfatizou que a atividade das parteiras é de fundamental importância para as populações tradicionais que vivem em regiões isoladas, notadamente comunidades indígenas e quilombolas.

Pedro Wilson sugere que o governo federal determine, na área da saúde e educação, políticas públicas e cursos de capacitação que, respeitando o conhecimento popular, possam profissionalizar essas mulheres que são o único recurso para as parturientes nas regiões mais longínquas do país. “? lá nas comunidades ribeirinhas, onde nenhum médico quer ir, que se vê o valor das parteiras”, conclui. Um dos projetos que dispõe sobre a regulamentação da profissão de parteira é do deputado Henrique Afonso (PT-AC).

Fonte: Informes PT


Sem luvas, com material reutilizável, e ninguém morreu por isso.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Dia do Choro

As vezes eu esqueço que algumas ações do meu serviço podem servir pro meu blog.

Agora é lei: o Dia Municipal do Choro foi instituído em Florianópolis. Dia 23 de abril. O projeto é do vereador Márcio de Souza.

Já havia comemorações na cidade (há 2 anos, até onde eu lembre), mas agora, com a lei, pode ser incluído um orçamento específico para o Dia do Choro, por exemplo, além de constar no Calendário de Eventos do município.