domingo, 23 de março de 2008

Sobrenome

"Olá, meu nome é Artur."
"Artur de que?"

Como assim "de que?". Não basta eu ser uma pessoa, ter fisionomia, expressão, idéias, pensamentos, já tenho nome e ainda tenho que ter sobrenome???
Reza a lenda: "Penso, logo, existo!"
Eu vos digo: "Tenho sobrenome, logo, existo!"

Antigamente os escravos não tinham sobrenome. Só quem tinha direito a ter sobrenome eram as pessoas consideradas de bem, de família.
E quanto maior o sobrenome, maior a linhagem, melhor seria a pessoa, melhor seria seu status na sociedade.
Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon (cabe até umas vírgulas nesse nome). Também conhecido como Dom Pedro II, ou Pedrinho, pros íntimos. Fora o apelido, que eu não conheço.
Viram? De que adianta ter um nome gigante, cheio de sobrenome se no fim das contas vão chamar só o primeiro nome, ou um apelido?
E que diabo de status é esse na sociedade?

Quando as pessoas se casam já começa o rolo do sobrenome.
A esposa tem que adotar o sobrenome do marido. No mínimo incluir o sobrenome do marido ao sobrenome herdado do pai e mãe. E o marido continua com o mesmo sobrenome. Que palhaçada.
Quando se casar, adota o sobrenome do cônjuge somente se quiser, mas tem que ser adotado de ambas as partes. Agora, já acho interessante, se vai continuar essa palhaçada de sobrenome, incluir o sobrenome dos dois, pai e mãe, no filho.
Continuar só pra dizer que é de tal família, mostrar a linhagem. Único lado interessante.
Eu já tive certas facilidades por ser da família "de Bem", e acho mal. Exemplo: emprego.
Não fui contratado por ser Artur, mas por ser "de Bem". Quer dizer: minha capacidade nem foi avaliada, mas meu sobrenome. Claro que isso me prejudicou depois, pois eu não tinha capacidade para aquele emprego.

Nunca fiz amigos por ser um "de Bem", mas por ser eu, Artur, que penso, que tenho idéias, etc.
Também nunca fiz inimigos por ser um "de Bem", mas por ser eu, Artur, que penso, que tenho idéias, etc.

Sobrenome é besteira.


E o povo canta: "O meu nome já caiu no esquecimento. O meu nome não interessa a mais ninguém." (Paulo da Portela)

Um comentário:

Marina de Bem disse...

A fruta nunca cai longe da árvore... tu nunca serás somente Artur, nem somente "fulanito" de Bem... as coisas nao sao branco e negro, nunca sao... e tu és ARTUR DE BEM !!! Com toda a sua complexidade, e história!!! Um beijo.